quarta-feira, 30 de março de 2011

Conseqüências da vinda da família real portuguesa para o Brasil

Em 22 de Janeiro de 1808, desembarcou em Salvador o príncipe regente de Portugal com sua família e toda a sua corte. Lá foram recebidos com festa e permaneceram pouco mais de um mês. 
Uma das principais conseqüências da vinda da família real para o Brasil foi à abertura dos portos para o comércio com as nações amigas, o que pôs término ao antigo pacto colonial que vigorava entre Brasil e Portugal.
Essa decisão foi necessária, pois o comercio estava paralisado desde que os franceses haviam ocupado o porto de Lisboa. Além disso, era a forma com que Dom João pagaria a dívida com a Inglaterra pela proteção contra os exércitos de Napoleão, sendo que tal atitude já havia sido negociada em 1807 em Londres. Além da abertura dos portos, também ficou estabelecido que Portugal permitisse a instalação de uma base naval inglesa na ilha da Madeira
A abertura dos portos foi de uma imensa importância para o Brasil, pois a partir daí o país deixou de ser colônia de Portugal para ser o centro do reino.  Diante disso, setores econômicos se beneficiaram com o comercio que havia sido monopolizado por Portugal. Essa concorrência acabou gerando protestos em Lisboa e Rio de Janeiro, o que obrigou Dom João a restringir o comércio em alguns portos brasileiros. Além disso, os navios portugueses ganharam exclusividade no comércio de cabotagem e descontos nos impostos.
Um dos países que mais se beneficiaram com a abertura dos portos foi a Inglaterra, que não somente ampliou sua aliança militar e política com os portugueses como também estabeleceram uma nova roda de escoamento para seus produtos.
Na época da chegada da Corte portuguesa, os armazéns brasileiros estavam repletos de produtos e ficaram ainda mais, com a chegada dos artigos vindos da Inglaterra, frutos da primeira revolução industrial.
A balança comercial brasileira era deficitária, pois as exportações nunca cresciam nas mesmas proporções das importações.  Não havia interesse inglês pelos produtos produzidos em terras brasileiras, com exceção de alguns produtos usados na indústria. 
Quando o Brasil se tornou dependente economicamente dos países estrangeiros, Dom João iniciou uma série de reformas que ocasionaram muitos conflitos políticos e protestos contra a dominação inglesa.
Foi ainda em Salvador que Dom João aprovou a criação da primeira escola de Medicina do Brasil, fundada em 18 de fevereiro de 1808, sendo que os primeiros professores eram médicos militares. Além disso:
Também deu licença para a construção de uma fábrica de vidro e outra de pólvora, autorizou o governador a estabelecer a cultura e a moagem do trigo, mandou abrir estradas e encomendou um plano de defesa e fortificação da Bahia, que incluía a construção de 25 barcas canhoneiras e a criação de dois esquadrões de cavalaria e um de artilharia. (GOMES, Laurentino. 1808. Planeta, São Paulo, 2005. Pg. 46)
Quando a coroa portuguesa instalou-se no Rio de Janeiro, iniciou nesta cidade uma série de modificações para que ela pudesse ter a estrutura necessária.
 Estas mudanças iniciaram um profundo processo de modernização e desenvolvimento para o Estado. O motivo da mudança para o Rio de Janeiro foi de ordem estratégica: em caso de uma invasão francesa, o Rio de Janeiro estava mais bem localizado do que Salvador.
Como nova sede do Império, o Rio de Janeiro concentrou todas as funções administrativas e políticas internas e externas. A distribuição dos cargos dessa nova estrutura de administração baseou-se em apadrinhamentos e nepotismo, o que caracterizou um predomínio português nos cargos.
O desenvolvimento urbano promovido por Dom João VI, como a criação do Jardim Botânico e a construção de diversos prédios públicos, trouxe um aumento populacional para a cidade, causando mudanças no modo de vida da sociedade que cada vez mais assimilava costumes europeus, influenciado pelos portugueses.
Foi também na época de Dom João que o Brasil teve a sua extensão territorial alterada, com a aquisição da Cisplatina[1], em 1817.
Outra importante mudança que a vinda de Don João promoveu ao Brasil foi a formação de uma verdadeira unidade política, pois antes da chegada da coroa portuguesa, a colônia nada mais era do que uma extensa área geográfica divididas em capitanias que não se comunicavam.


[1] Mas declararia independência onze anos mais tarde, para se tornar o atual Uruguai.

terça-feira, 8 de março de 2011

História da África

Neste semestre lá na faculdade, estamos aprendendo sobre a História da África, nas aulas ministradas pelo professor Alfredo (o melhor professor da UNIABC).
As coisas que eu aprendi nessas poucas semanas de aula, serviram para que eu mudasse vários dos meus conceitos sobre este continente. Como os europeus entes do início das grandes navegações (que acreditavam que a África era habitada gente de um olho só e outras bizarrices) eu tinha uma idéia totalmente errônea sobre várias coisas e achei que valia a pena publicar umas poucas linhas sobre esse assunto aqui no blog.
Como eu disse antes, na Europa pouca coisa se sabia sobre a região africana. Culpa disso era a da dificuldade que se tinha de ir até o local, pois na costa mediterrânea viviam os mouros e os europeus se cagavam de medo deles.  Nem sequer tentavam ir além da costa ocidental, pois temiam que ao ultrapassar as Canárias, um terrível limbo os tragasse e assim, se perdessem para sempre (às vezes sinto a mesma coisa quando o trem está chegando em Mauá)
Foi somente no século XV que os portugueses começaram a se aventurar mais ao sul da costa, isso graças a uma inovação técnica: a caravela, que permitia uma navegação mais segura por aquela região desconhecida.
Foi com uma caravela que um navegador chamado Diogo Cão chegou à região africana que ficou conhecida como Congo.
O reino do Congo já existia a pelo menos cem anos antes da chegada de Diogo Cão e suas crias (claro que eu não ia deixar passar em branco o nome desse cara, né?). A sociedade que ali existia já era complexa e muito bem estruturada. E aqui caiu por terra um dos mitos em que eu acreditava: a população daquela região já dominava técnicas para forjar cobre para fazer jóias, e também ferro para a fabricação de armas, possuía um calendário lunar para medir o tempo, o que denotava uma civilização avançada e não “pobres coitados” que não sabiam de nada.
Outro ponto que acabou sendo desmistificado nessas aulas foi em relação à escravidão. Sempre pensei que os povos da África só vieram a conhecer a escravidão quando começaram a visitados pelos branquelos europeus que simplesmente invadiam o local, davam porrada nos neguinhos e os levavam cativos. Mas na verdade o piano tocava numa tom muito diferente, porque a escravidão já era praticada em vários pontos da África, bem antes da chegada dos europeus:
A natureza da escravidão africana variava de uma região a outra e mudava com o tempo, mas quase todos eram cativos de guerra. Havia também criminosos, devedores e os que haviam sido dados pela família como parte de um dote. (HOCHSCHILD, Adam. O Fantasma do rei Leopoldo, Compania das Letras, São Paulo 1999 – New York 2005, pg.18)

Apesar de às vezes a escravidão africana ser cruel, com sacrifício em massa de escravos como forma de firmar tratados entre tribos, por exemplo, era bem mais suave do que o sistema escravocrata estabelecido pelos europeus. Aliás, o comercio de escravos promovido pelos europeus foi extremamente prejudicial ao continente, pois começou a dizimar várias regiões. Inclusive, com chefes africanos dispostos a vender homens aos compradores de escravos.
De fato, a venda de africanos pelos próprios africanos era algo constante. Sobre isso, o rei do Congo, Afonso, em carta ao rei de Portugal diz:
Muitos de nossos súditos cobiçam avidamente as mercadorias portuguesas que vossos súditos trazem aos nossos domínios. Para satisfazer esse apetite incomum, apoderam-se de outros súditos negros livres, [...] Vendem-nos [...], depois de levar esses prisioneiros [até a costa] sigilosamente ou à noite. [...]                 Assim que os cativos passam às mãos dos homens brancos, são marcados a ferro quente.
A escravidão era a mola mestra da economia africana e muitos dos próprios filhos da África lucraram com ela, o que foi particularmente chocante para mim. Os europeus até preferiam conseguir seus escravos negociando com os chefes africanos, que capturavam homens livres para esse fim. Era comum inclusive, a conversão ao catolicismo de reis africanos como o próprio Afonso do Congo e a célebre rainha Jinga da Angola.  No fim de sua vida, é ela quem diz:
Renego a Ímpia seita e os sacrílegos ritos dos Jagas, expulsando-os do meu coração e do meu reino (...) volto a ser cristã (...)
(DUARTE, José Bento. Senhores do sol e do vento. Stampa, São Paulo, 1999, pg. 59)

As conseqüências da escravidão para o continente africano foram desde a violência até crises demográficas. Isso sem falar na crise em que a África mergulhou quando a Europa aboliu a escravidão e fez com que o continente perdesse sua principal fonte de renda.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Mudando um pouco de assunto...

Criei esse blog essencialmente para para postar textos relativos à história. Porém, atendendo a pedidos, hoje resolvi mudar um pouco de assunto e falar mais um pouquinho da minha pessoa.

Eu sou o que se pode chamar de “maníaco” por conhecimento. Este meu vicio devo ao meu falecido pai. Quando criança eu não era lá muito chegado aos livros. Na escola era um fracasso, não me interessava pelas matérias e passava a aula inteira avoado. Este tipo de atitude vez com que eu perdesse quatro anos na escola: repeti a primeira, a segunda e duas vezes quinta série do ensino fundamental.

Meus pais pegavam muito no meu pé por causa disto. Minha mãe era constantemente chamada pela professora.

Uma vez, depois que ficou sabendo que eu repetira pela segunda vez a quinta série, meu pai me disse: “Você é burro, tenho vergonha de ser seu pai”.

Aquilo bateu forte para um garoto de treze, quatorze anos. Foi barra pesada ouvir tais palavras. Fiquei traumatizado. Se eu já sofria com um avançado complexo de inferioridade, esta frase serviu pra ampliá-lo ainda mais. Aquela frase me destruiu, me condenou a uma vida fracassada e infeliz.

Pais, por favor, tenham cuidado com as coisas que vocês dizem para uma criança, pois uma palavra pode colocar um peso enorme sobre o ombro dela, que ela irá carregar pelo resto da vida.

Depois disto eu comecei a estudar. Como eu estudava! Lembro que meu pai tinha uma coleção de livros de ciência. Passava o dia inteiro lendo e fazendo anotações.

Era uma resposta inconsciente ao que meu pai me dissera. Minha vingança particular. Iria mostrar pra ele que eu não era burro, queria fazê-lo se arrepender e me pedir desculpas.

Isso nunca aconteceu, pois ele acabou morrendo vitima de um acidente de trabalho.

Mesmo assim continuei com meus estudos particulares. Interessava-me por ciências, por história, por geografia. Conclui os estudos e entrei para o curso técnico de processamentos de dados.

Com um ano de curso comecei a dar aulas de informática. Aprendi linguagem programação, aprendi manutenção e montagem de micros, aprendi HTML e várias outras coisas relacionadas com informática, tudo estudando em casa, com livros e revistas.

Hoje continuo estudando muito, todos os dias! É uma compulsão. Apaixonei-me pela teologia entrei até para uma faculdade mais parei no meio. Agora comecei o curso de licenciatura em História e estou para começar o segundo ano.


Além disso, estudo em casa, todos os dias. Hebraico, Escatologia, Apologia, Psicologia, Filosofia e diversos outros assuntos. Porém, hoje estou bem mais tranqüilo. Parece que finalmente superei ou tenho superado várias lembranças tristes e aprendido a gostar de mim, me respeitar. Acho que talvez seja um equilíbrio que se ganha com a idade.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O nó Górdio

A primeira vez que ouvi a história do nó górdio foi durante as pesquisas que fiz para o seminário sobre Alexandre o grande. É uma ótima história para ser contada em uma roda de amigos, no barzinho de fim de semana, ou quando você não tem nenhum outro assunto mais interessante para postar naquele seu blog ridículo que ninguém lê. (J)
Há muito tempo atrás (antes mesmo do nascimento do doutor Chapatim) em um reino tão, tão distante chamado Frígia, existia um rei que ao morrer não havia deixado nenhum herdeiro ao trono. Diante disso, os principais do reino foram consultar o Oráculo na esperança de que este apontasse o sucessor daquele que falecera.
Após fumar uma ervinha o oráculo respondeu que a primeira pessoa que aparecesse dirigindo uma carroça seria o novo rei. Foi quando apareceu um pobre camponês chamado Górdio, pilotando a sua carrocinha puxada por bois.
Imediatamente esse pobre camponês de nobre coração que ia todos os dias ao bosque recolher lenha, foi coroado rei. E para que nunca se esquecesse da suas raízes humildes, Górgio mandou que colocassem sua carroça no templo de Zeus, onde ele próprio, Górgio, amarrou-a em uma das colunas do templo usando para isso um tipo de nó super, hyper, mega, power difícil de desatar, que ficou conhecido depois como  “o nó górdio”, em homenagem ao rei.
Após a morte desse rei, seu filho ficou em seu lugar. Este foi o famoso rei Midas, aquele mesmo do toque de ouro e das orelhas de burro (outra lenda que da próxima vez que eu ficar sem assunto, prometo que conto).
Esse rei Midas morreu sem deixar herdeiros e, novamente, foram consultar o Oráculo. Desta vez, a profecia foi de que aquele que conseguisse desatar o nó górdio, lá no templo de Zeus, seria não somente coroado rei da Frígia, como também teria domínio sobre toda a Ásia.
A notícia se espalhou e durante séculos pessoas vindas de todos os lugares do planeta, iriam tentar desatar o diabo daquele nó sem, contudo, obterem sucesso.
Quinhentos anos depois, essa história chegou aos ouvidos do jovem Alexandre, chamado “o Grande”, rei da Macedônia. Todo cheio de si, correu para a Frígia junto com seus generais e dirigiu-se ao templo de Zeus para tentar desatar o tal do nó. Examinou, puxou daqui, puxou de lá e viu que a coisa tava ficando feia pra ele. Puto da vida (pra não ficar queimado na rodinha) desembainhou a espada e cortou o nó com um só golpe, deixando todo mundo perplexo.
Até onde essa história é lenda não se sabe. Mas o fato é que após esse evento, Alexandre realmente conquistou toda a Ásia em 334 a.C, quando derrotou os persas.
Despeço-me agora, caro internauta, com minhas cordiais saudações!
Até.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Fragmentos da Idade Média

Que vontade que me deu de escrever sobre a Idade Média! Um dos meus períodos favoritos da história!
Ah! A Idade Média! Período das belas poesias e lindas canções. Valentes cavaleiros e imponentes castelos. Ou não? Idade das Trevas, Idade das epidemias, das doenças e da fome.
Segundo historiadores, a Idade Média começa em 476 D.C., ano da queda do Império Romano do Ocidente, que já não andava lá muito bem: crises políticas, crises econômicas, invasões de povos bárbaros por todos os lados... Convenhamos que assim não há Império que resista, não é mesmo?
Pois muito bem. As invasões dos povos bárbaros foram apenas a gota d’ água para um já caduco Império Romano e sob as suas ruínas, como dizia o historiador Jacques Le Goff, foi que nasceu a Idade Média.
Depois das invasões cada povo bárbaro pegou ali o seu “pedacinho de terra”, onde antes se situava o grande e arrogante Império de Roma. Mas a grande maioria desse povo não prosperou por ali, não.  O único povo que conseguiu algum sucesso naquela região foram os povos francos. É desse pessoal que mais tarde se originou o Império Carolíngio, que no seu auge, comandado por um senhor chamado Carlos Magno, lançou as bases de tudo o que caracterizou a Idade Média, como por exemplo, a centralização do poder na figura do rei, os senhores feudais, as relações de vassalagem e tudo o mais. Tudo isso teve origem do velho Império do titio Carlos!
Após a morte de Carlos Magno, não havia um competente sequer que conseguisse manter o Império Carolíngio nos eixos. Resultado: foi tudo por água abaixo! O Império foi invadido por povos vindos de toda a parte e foi o maior Deus nos acuda: os ricos correram para as suas terras para se proteger atrás dos muros e os pobres correram atrás dos ricos para não seres massacrados pelos invasores. E ai está, amigos e amigas, a origem dos feudos, dos senhores feudais e dos camponeses que caracterizaram a sociedade da época.
Nesta forma de organização da sociedade, eram os camponeses que mais se lascavam: trabalhavam nas terras para poder sobreviver, também trabalhavam nas terras dos senhores, além de terem que pagar um monte de impostos.
Enquanto o camponês ralava pra poder viver, uma instituição que cada vez mais se fortalecia era a Igreja Católica, que graças aos acordos com os povos bárbaros conseguiu sobreviver às invasões e durante a época feudal, vivia das doações de terras feita pelos senhores e dos dízimos e indulgencias que exigia dos fiéis. Assim, a Igreja foi avolumando mais e mais riquezas, mais e mais poder.
E pra quem acha que a vida nos castelos era de luxo, como mostrado nos filmes, os estudos históricos mostram que a coisa eram muito³ mais precária: Não havia higiene alguma, as pessoas faziam suas necessidades em baldes e depois tudo era jogado pela janela, em uma fossa que ficava ao redor do castelo. Então imaginem amigos e amigas o suave aroma que dalí emanava (por isso, as vezes eu me refiro a essa época como a Idade Merda) e isso sem falar nas doenças, nas pestes, cuja mais famosa chamada “Peste Negra”, iria dizimar grande parte da Europa durante a Idade Média.
Muita coisa existe para falar sobre a este período, afinal ele vai de 476 até 1453 D.C, ano da queda de Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente.
Mas outro dia eu escrevo mais sobre isso, agora eu vou assistir o último capítulo da novela.
Até lá, saudações caros internautas!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Meu Domingo no Museu Paulista!

Hoje, dia 9 de janeiro de 2011, fui juntamente com meu irmão e cunhada ao Museu Paulista, conhecido pelo povão como Museu do Ipiranga.
Basicamente é um local construído para celebrar a importância de São Paulo para o desenvolvimento do Brasil.  
Lá em meados de 1554, quando a cidade de São Paulo foi fundada, a região era paupérrima ( ou pobre pra c*, se preferirem), primeiro porque estava localizada longe demais da metrópole,  o que dificultava que as mercadorias chegassem até lá. Segundo porque a terras de São Paulo eram ruins de dar dó para o plantio de cana de açúcar, diferentemente do que acontecia na região nordeste do Brasil, que era rica justamente por causa do açúcar que produzia.
Ora, sem poder comprar e sem poder plantar, restava ao povo paulista sobreviver da caça (ao índio) e da busca de ouro. Esse era o principal papel dos bandeirantes, homens tremendamente festejados no museu que fomos visitar hoje. Logo na entrada do museu, após pagarmos a taxa de R$ 3,00 (Marisa pagou R$ 6,00, pois naum tinha carterinha de estudante, lero, lero!) pela meia entrada, já fomos recepcionados por vários monumentos dedicados a esses homens: Raposo Tavares, Anhanguera, João Ramalho, Domingos Jorge Velho e todo o restante da turma. Esses paulistas eram mesmo “sangue no zóio” e foram importantes para o desenvolvimento do Brasil, não esquecendo que eles também foram responsáveis por chacinas, escravidão de índios e outras coisas menos honrosas, mas enfim, tudo tem o seu outro lado da moeda!
Esse museu é enorme! Se não fossem pelos objetos ali expostos eu poderia dizer que estávamos em um palácio, com direito a uma enorme escadaria com tapete vermelho e o escambau. O acervo de lá também é igualmente grande. Demoramos umas 2 horas para ver tudo: pinturas, documentos impressos, documentos manuscritos, coleções de armas antigas, objetos do cotidiano (com direito até a pinico!), carros antigos (havia um carro de bombeiro do século passado, puxado por burros o que me fez imaginar a sua eficiência, pois imagino que até o dito cujo chegar ao local do incêndio, todos já teriam virado churrasquinho) e várias outros objetos relacionados à evolução da vida em São Paulo e no resto do Brasil. Havia também uma grande maquete que representava São Paulo no ano de 1841, móveis do século passado, pertencentes a algumas personalidades importantes, mechas do cabelo da Princesa Isabel, Maria Leopoldina  e outras pessoas da corte (minha cunha, Marisa, observou embasbacada em como eles eram loiros!)
E claro que também vimos o famoso quadro de Pedro Américo, com seus quatro metros de altura por três de largura, (tô falando do quadro, não do Pedro Américo!) representando o Grito da Independência.
Depois de ver todo (ou quase todo) o acervo do museu, saímos para fazer um lanche (um cachorro quente muito nutritivo e uma coca-cola).
Depois disso, Marisa e meu irmão Welton, quiseram visitar o museu da zoologia da USP, que fica ali perto e cuja existência, vergonhosamente, eu desconhecia. Eu, claro, os segui, aproveitando para cumprir mais um pouco das minhas horas culturais. Um local muito interessante, com exposição de animais empalhados (ou empanados, como disse meu irmão, kkk). Pagamos apenas R$ 3,00 de meia entrada! (minha preocupação com grana, mostrando meu lado muquirana). E Marisa que não tinha carterinha de estudante, pagou R$ 6,00, lero, lero!
Deu pra ver como funciona a evolução dos seres vivos e tiramos até algumas fotos. Descobrimos depois que se agente tivesse visitado este museu antes, não precisaríamos ter pagado a entrada no Museu Paulista (L)
Depois, decidimos visitar o parque do Museu Paulista. Um lugar lindo com um enorme jardim no estilo francês. Lá tem o monumento à independência, onde no subsolo, se encontra a cripta com os restos mortais do Dom Pedro I. Visitamos também a casa do grito, uma construção do século XIX, feita de taipa de mão.
Batemos algumas fotos andando pelo jardim e tomei muito sol na cuca. Depois decidimos voltar para casa. No trem, olhando o folheto que a Marisa pegou lá no museu, descobrimos que não precisávamos ter pago R$ 3,00 de entrada no museu da zoologia, pois o ingresso que pagamos no Museu Paulista era válido para ambos (L L). Pior pra Marisa que pagou R$ 6,00 (pois ela  não tem carterinha de estudante, lero lero!)
Chegamos em casa, tomei um banho e fui direto pro computador escrever esse texto.
Adorei o passeio! Voltei conhecendo mais um pouco da história da minha cidade, cumpri umas vinte horas culturais e ainda por cima, voltei mais bronzeado!
Pretendo fazer mais passeios como esse, pois ainda faltam muitas horas culturais para cumprir, além de ser muito divertido.
Irei relatá-los aqui.
Até lá, saudações!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Apelo ao Sobrenatural

Nestas férias tenho estudado muito sobre a vida de Jesus para o TCC que irei apresentar no fim do meu curso de história. Impossível pesquisar sobre esse assunto e não ser de alguma maneira tocado pela força que está por trás dessa figura tão controversa.
Uma vez mais tenho sido tocado por essa força que está além de qualquer prova histórica. Seria um retorno da minha espiritualidade? Talvez. Ainda não tive noticias de ninguém que se convertesse por meio de provas históricas. Isso sim, seria útil para quem por meio da fé já tivesse a certeza. Afinal, a fé deve basear-se em fatos. Primeiro crer para depois ver.
Eu tenho fé? Bom, eu acredito. Creio que no século primeiro existiu um homem chamado Yeshua (ou Iesus em grego, que em português ficou Jesus). Acredito que esse homem disse e fez coisas espantosas e por isso despertou o ódio das autoridades da época, sendo por isso morto na cruz que era a forma como os romanos executavam os criminosos na época. Isso é amplamente aceito pela maioria dos historiadores.
Acredito também que após esses acontecimentos algo de extraordinário aconteceu. Afinal um movimento que deveria ter morrido junto com seu líder, ressurgiu com força total, ganhou inúmeros seguidores e se alastrou por vários locais até chegar a Roma. Ora, o que teria motivado esses primeiros seguidores? Com certeza não tinham nada de material a ganhar, pois o cristianismo era duramente combatido em suas origens. E logo após a morte de seu líder, era natural que esses homens estivessem desanimados e amedrontados. Mas não. De uma hora pra, outra passaram a divulgar o nome de Jesus em todos os lugares. Sim, acredito que o nascimento do cristianismo só pode ser explicado por um evento grandioso do tamanho da ressurreição dos mortos. Seria isso apelar para o sobrenatural?
Muitos ateus e céticos com quem eu debati argumentam que é preguiça intelectual apelar para o sobrenatural. Dizem que é errado, quando não se tem explicação para algo, apelar para eventos sobrenaturais.
Bem, não sou do tipo que apela para o sobrenatural logo de cara. Contudo, se todas as explicações naturais não satisfazem os critérios para a melhor hipótese, não vejo problema algum em considerar as explicações não naturais.
Aliás, um estudioso de uma universidade norte-americana usando uma fórmula de probabilidade, calculou que as chances de Jesus ter ressurgido dos mortos é de 0.97. Quem entende um pouco de probabilidade vai saber que isso é virtualmente uma certeza.
Mas enfim, eu acredito na ressurreição. E conseqüentemente acredito em Deus. Agora qual a minha posição frente a isso? O que isso muda em minha vida? Admito que ainda tenho levado uma vida um tanto quanto hedonista. Hoje mesmo fui a uma pizzaria com alguns amigos da faculdade, onde enchi a cara de cerveja, falei inúmeras besteiras que envolvia filmes do buttman e coisas afins e fiz todos os tipos de comentários maldosos típicos.
Com isso concluo que acreditar não é o bastante. Afinal o que Deus espera de mim? Suponho que ele espere atitudes morais, já que ele é um Deus moral.  Mas saber disso não me transforma em um homem que toma decisões morais. É necessário algo mais. Conhecimento não é o bastante. Devo apelar ao sobrenatural? Talvez.
Aguardem os próximos episódios dessa aventura...