quarta-feira, 25 de maio de 2011

As Grandes Navegações

Foi o historiador Jacque Le Goff quem afirmou “A sociedade medieval nasceu sobre as ruínas do mundo romano (...)”
Esta sociedade que floresceu em meios os escombros de Roma, foi caracterizada pelo imobilismo, pela forte presença da Igreja Católica, dando pitaco em tudo  e pela organização social dividida entre nobres, clero e servos.(havia também os escravos, mas esses nem contavam, pois eram tratados como objetos)  O comércio era natural, ou seja, quando havia necessidade, podia-se trocar um produto em que se tinha abundancia, por outro que fosse escasso. (o famoso troca-troca J)
Muitos foram os fatores pelos quais esse tipo de sociedade foi entrando em declínio. Um dos principais foi a retomada das atividades comerciais e conseqüente ascensão dos burgueses, que com o exercício da atividade comercial tornar-se-iam poderosos e influentes, sendo que até os reis começaram a pagar um pau pra eles.
A busca por riqueza era desejável para essa nova classe em ascensão, bem como de especiarias. Por isso, era conveniente o comércio com a África, fornecedora de escravos e marfim, com a Índia, que fornecia especiarias, com a China, grande fornecedora de seda (e ópio pra deixar os europeus doidões, isso sim é que era a grande viagem!), com o Japão, onde podia se encontrar o tão cobiçado ouro e com a Pérsia, de onde vinham os mais belos tapetes e a porcelana.
Essa nascente avidez comercial encontrou-se com o desejo dos nobres de reconquistar as terras perdidas para os árabes e ganhar a simpatia da igreja católica pela luta contra os hereges. Além disso, havia o interessa mútuo de tomar posse de Ceuta, um importante centro comercial da época.
Estabelece-se, então, uma associação entre comerciantes e nobres, pois para empreender tal aventura os burgueses necessitavam do apoio do governo e o governo da grana dos burgueses. Desta sociedade é que vem à luz duas coisas importantes para a compreensão dos eventos que se estabelecem nessa época: a formação dos estados nacionais e o mercantilismo.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Debret: a alma da missão francesa

Aviso aos leitores: Essa postagem é parte de um artigo ciêntífico que fiz para a faculdade, portanto, peço desculpas pela linguagem polida e educada da mesma.

Contribuição do meu colega de classe, Cassiano Varani!

Tendo Dom João VI juntamente com toda a corte portuguesa, fugido para o Brasil tencionando evitar as tropas de Napoleão Bonaparte, ao fixar-se em terras brasileiras nasceu-lhe o desejo de transformar a colônia. Começa então uma série de medidas que trás muitas mudanças para o Brasil: a criação da primeira faculdade de Medicina, a criação do Jardim Botânico, com a intenção de servir às pesquisas e a abertura dos portos para as nações amigas, o que pôs fim ao antigo pacto colonial, no qual ficava estabelecido que ao Brasil, na qualidade de colônia, não podia fazer comércio com outro país que não Portugal. Com essa atitude, portanto, o Brasil deixava sua posição de colônia.
Ainda dentro dos desejos de desenvolvimento do Brasil, Dom João VI preocupado com o crescimento cultural da antiga colônia, solicita a vinda de artistas franceses com o intuito de fundar a Academia de Belas Artes. Deste modo, desembarca no Rio de Janeiro, a 26 de março de 1819, um grupo de artistas franceses.
O grupo que ali aportou era composto pelos artistas: Joachim Lebreton (1760 – 1819), líder do grupo, o pintor histórico Debret (1768 - 1848), o paisagista Nicolas Taunay (1755 - 1830) e seu irmão, o escultor Auguste Marie Taunay (1768 - 1824), o arquiteto Grandjean de Montigny (1776 - 1850) e o gravador de medalhas Charles-Simon Pradier (1783 - 1847).
Em 12 de agosto de 1816 é criada a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, que na prática não existiu além do campo da formalidade, uma vez que para seu funcionamento houve uma gama de dificuldades, como por exemplo, as pressões de membros lusitanos do governo, contrários à presença francesa no país e as dificuldades estruturais e materiais do Rio de Janeiro no século XVII, além da falta de interesse da população em cultura.
Durante a espera pelo início das atividades na Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, Debret e Grandjean de Montigny, artistas franceses, aceitam encomendas oficiais. Dentre estes, é Debret quem realiza diversas telas para a família real.
Jean Baptiste Debret (1768-1848) nasceu em Paris e em 1816 integrou o grupo de artistas franceses que desembarcaram do Brasil para iniciar a Missão Artística Francesa. Seu pai Jacques Debret trabalhava para o parlamento francês e possuía grande interesse por história natural, seu irmão, François Debret, era arquiteto e membro do Institut de France, uma prestigiada academia francesa que agrupava os intelectuais que mais destaque possuíam em cada área do saber humano.
Estudou na Academia de Belas artes de Paris, onde foi aluno de Jacques-Luís Davi, considerado o principal representante do neoclassicismo na Europa.
Com o apoio da revolução, estudou engenharia por cinco anos. Contudo, voltando-se para a pintura, expos um quadro no salon de 1798, devido ao qual, ganhou o segundo lugar nas premiações. Em 1805 recebe menção honrosa pelo quadro: Napoleão presta homenagem à coragem infeliz, definindo assim, o tema que iria se repetir mais algumas vezes em sua carreira na França: Napoleão Bonaparte.
Em 1816, desembarca no Brasil como membro do grupo de artistas franceses trazidos por Dom João VI.
De todos os artistas franceses que no Brasil trabalharam, Debret foi o que nos legou maior quantidade de obras, seja devido ao seu tempo maior de permanência no país, ou pelo trabalho de seus alunos.
Já em seus primeiros dias no Brasil trabalha com tenacidade, pintando telas que retratavam o cotidiano do povo brasileiro bem como também retratou membros da família real, incluindo o próprio Don João VI.
Em 1820 estoura em Portugal a Revolução Liberal do Porto, forçando o retorno de Dom João ao trono lusitano. Debret solicita ao príncipe regente, Dom Pedro, que lhe fornecesse um dos ateliês construídos no edifício da Academia de Belas Artes, pedido que só foi atendido em 1823.
Reuniu, então, oito discípulos em seu ateliê, aos quais ensinou pintura. Impressionado com o que viu em uma visita ao ateliê de Debret, Dom Pedro resolve criar a Academia de Belas Artes, que se instala em 1826.
Em virtude do início dos cursos, Debret organizou a primeira exposição dos trabalhos de seus alunos. Causou tão boa impressão que o artista francês foi condecorado com a ordem de Cristo. Também em virtude dessa exposição, o ministro S. Leopoldo dispensou alguns alunos do curso preparatório de desenho, devido à tão boa impressão que lhe causou as obras ali expostas
Em 1831, após quinze anos de trabalho no Rio de Janeiro, retorna a França. Em 183 publica a obra: “Viagem pitoresca e histórica ao Brasil, ou Cotidiano de um artista francês no Brasil”, onde aborda diversos assuntos relacionados ao país, incluindo, é claro, um estudo sobre Belas Artes e o desenvolvimento das artes durante os primeiros anos de formação do país. O segundo volume é publicado em 1834 e o terceiro volume no ano seguinte.
Morre em 1848, em Paris
A Obra de Debret é de uma importância ímpar para o Brasil por sua característica historiográfica. Os quadros pintados por Debret constituem hoje importantes registros sobre usos e costumes do povo brasileiro no século XVIII.
Juntamente com os demais artistas franceses que desembarcaram no Brasil em 1816, Debret contribuiu para o nascimento do ensino de arte no Brasil e ajudou a formar a idéia da liberdade artística, numa sociedade acostumada com o artesanato e com a arte ditada pela religião.
Do ponto de vista estilístico, Debret é desprovido de qualquer emoção. O caráter historiográfico de suas telas necessita de uma abordagem objetiva, fria. O próprio Debret se referia ao seu trabalho como “documentos históricos e cosmológicos” e Beluzzi (1994) observa que: "Debret procura um ponto de vista impessoal, preceito de pintura histórica, na qual se havia formado com Jacques-Louis David. Relaciona-se com os temas que registra, colocando-se como narrador diante da realidade dos fatos”
Devido ao enfoque documental nas obras de Debret, observa-se que vários detalhes da vida no Rio de Janeiro foram retratadas, bem como o dia- a- dia dos escravos, dos indígenas, dos miseráveis, dos ricos, e da corte portuguesa.
Sua obra procura regatar as particularidades do país e do povo brasileiro preocupando-se em preservar o passado daquele povo. Assim, tencionava mostrar à Europa que o Brasil merecia lugar junto aos demais países civilizados.
Embora as cenas que retratava, nem sempre eram representadas fielmente, Valéria Lima diz: “não podemos considerar os volumes de Debret como retratos fiéis do Brasil oitocentista, mas como um grande exemplar de pintura histórica." (Pág. 8.)
Refletindo sobre a obra de Debret e analisando alguns de seus quadros podemos ver, por exemplo na tela intitulada: distribuição das cruzes da legião de honra, Napoleão encontra-se na igreja dos inválidos, que foi o hospital, igreja e lugar onde ele distribuia medalhas de honra ao mérito, tanto de vitórias nas guerras como deferidos. Na tela multicolorida das cores francesas, branco,azul e vermelho principalmente, temos no palanque Napoleão sentado em seu trono de imperador com dezenas de oficias e familiares, quase todos com uniforme de guerra, vesse que era uma sociedade militarizada.
Na tela “caçador de escravos” de 1830, temos vários indígenas seminus apenas com taba-sexo de panos com avental. Estão numa bica de água com um pequeno riacho, onde parece que esta muito quente e eles fazem uma parada para se refrescar, estão caminhando de passagem por entra uma vegetação maravilhosa e idílica, pinta ele com todo requinte dos mestres, o céu esta quase todo coberto pela vegetação, ainda vesse uma pequena oca, taba, com rede no meio e alguns indígenas na porta.
Em guerreiro indígena a cavalo, temos uma obra de relevância brasileira no que lembra forma muito bem registrada um índio que assimilou o costume europeu de lutar ao cavalo Ele segura uma lança fina e comprida de madeira, com algumas penas na ponta afiada e no meio, tem um colete de guerra. Seu cavalo tem pano de cela e um estribo. Está bem à vontade numa região quente e ele esta passando de uma forma violenta em um riacho.
Na tela castigo de escravo, vemos o litoral do Rio de Janeiro caloroso, com montanhas e a costa, esta retratando toda a crueldade da escravidão com dois escravos, amarrados quase seminus, um no chão e outro no tronco da arvore, estão sendo chicoteados, é um castigo, porem as pessoas que os torturam são negros também e estão muito bem vestidos até com chapéus e blusas.
Na tela “Dom. João VI”, o Imperador é retratado com seu trono coberto de roupas majestosas e com muito planejamento. Em um pequeno altar, esta imponente com olhar juvenil de tranqüilidade, riqueza e poder. Está em pé com sua mão direita na coroa real. Percebesse que ele tem muitos súditos, é muito rico e importante.

Conclusão
Sendo que, em meados do século XVIII, a arte no Brasil seguia os antigos padrões medievais, delimitada pela religião em caráter artesanal. A missão artistica Francesa foi integrada aos esforços de Dom João VI de trazer modernidade e sofisticação para a antiga colônia portuguesa, inagurando em terras brasileiras o estilo neoclassico.
Dentre os artistas franceses que no país desembarcaram, digno é de especial atenção pelo caráter historiográfico de sua obra, Jean-Baptiste Debret, pois é por meio de suas telas que se podem observar as características do Brasil do século XVIII: os costumes do povo, a escravidão, as relações hierárquicas, o dia-a-dia da vida do povo e da nobreza.
Por ter sido discípulo de Jacques-Luís Davi, foi lhe atribuída a função de cenógrafo da Corte para registrar os grandes acontecimentos do país. Registrou então, muitas gravuras de eventos contemporâneos, pois tanto o artista, quanto a Corte, concordavam que essas gravuras historiográficas eram essenciais para a divulgação da imagem do país.

sábado, 7 de maio de 2011

Mahatma Gandhi

Não sei se “irônico” seria a palavra certa pra descrever a situação em que as palavras de Cristo tenham sido mais bem compreendidas por um não cristão do que pelos próprios cristãos, pois foi inspirado nas palavras de Jesus (e também da Bhagavad-Gita) que Gandhi desenvolveu a filosofia do “Satyagraha”, que promovia a não-violencia. Aliás, é da boca de Gandhi que vem a frase: “Amo o cristianismo, mas odeio os cristãos, pois não vivem segundo os ensinamentos de Cristo.”
Gandhi, sem sombra de dúvidas, é o maior exemplo de como um líder pode conseguir seguidores, conquistando respeito e não inspirando o medo.

Seu nome completo era Mohandas Karamchand Gandhi (ainda bem que existe o ctrl c, ctrl v... J). O nome “Mahatma” foi um título que ele recebeu e significa “grande alma”, mas ele não gostava de ser chamado assim (muito humilde o rapaz).

Vindo ao mundo no dia 2 de outubro de 1869, sua família até que era bem de vida, sendo seu pai um  político e sua mãe uma devota vaisnava.
Aos 13 anos, de acordo com os costumes do seu povo, casou-se com Kasturba Gandhi ( ctrl c, ctrl v de novo...) de 14 anos.

Anos mais tarde o jovem Mohandas pediu permissão à mãe, para ir estudar Direito na Inglaterra, obtendo a permissão desde que jurasse se manter avastado de bebidas, carne e mulheres. Como ele prometeu ficar longe dessas coisas (afinal, pra que é que serve tudo isso mesmo?) foi se formar advogado, em Londres. Nesse período ele começou a ler o Bhagavad-Gita e o Novo Testamento, princialmente o sermão do monte, que lhe traria inspiração.

Em 1891, já formado, Gandhi retorna à Índia. E quando ele viu que era um advogado muito meia boca, por sorte conseguiu um emprego de representante de uma empresa hindu, na África do Sul. Foi lá, na África do sul, que Gandhi teve contato com a discriminação, o que acaba despertando nele a consciência social.

Na África do Sul, Gandhi se sai melhor como advogado e consegue certa fama, após resolver um caso complicado. Nesta época é promulgada na África do Sul uma lei que impedia os indianos de votarem. É, então, convencido por alguns amigos a lutar pela causa dos compatriotas. Sem mais nada de bom pra fazer em suas horas vagas, ele concorda e funda o KwaZulu-Natal, congresso que visava à luta pelos direitos indianos na África. Assim, ele iniciaria uma batalha ferrenha por 20 anos.

De volta à india em 1915, passou a orientar o povo na luta pela independência do país, sempre movido pelo princípio da resistência pacifica. Viajou para os quatro cantos da india, ensinando a importância da resistência civil  contra a dominação inglesa e a não reação à violência. Ganhou grande popularidade internacional pelas idéias que defendida e foi pro xilindró inúmeras vezes. Como forma de deixar os ingleses putos da vida, propõe o swadeshi que era o boicote a todos os produtos ingleses, inclusive roupas (por isso agente vê tantas fotos do Ghandi sentadinho, fiando a sua própria vestimenta)

Em 1931, foi convidado a ir a Londres participar de uma conferência, onde falou sobre a independencia da Índia e teve encontros (não amorosos) com Charlie Chaplin e George Bernard Shaw (obs: se vocês não sabem que são, vão pesquisar, porque não to com vontade de escrever, não J) (obs2: aliás, se vocês não sabem quem é Charlie Chaplin, se matem! J)

Após muito protestos, prisões, porradas que levou e tantas outras emoções, finalmente a Índia foi libertada em 15 de agosto de 1947. Gandhi, continuou a lutar pelo bem estar do povo indiano, até ser assassinado por um radical em 1948, em Nova Déli. Seu corpo foi cremado e suas cinzas jogado nas puras águas do rio Ganges.

E hoje, Mahatma Ghandi se tornou uma grande personalidade, idealizador e grande responsável pelo moderno estado indiano (além de ser a cara do Mickey Mouse).

sábado, 16 de abril de 2011

Colonização espanhola.


                                      
                         
 Montezuma II: com esse visual másculo, não sei como os espanhóis não se sentiram intimidados!


Falar da história da colonização espanhola na América é falar de uma história de sangue, violência e ganância de uma nação ávida de enriquecimento rápido.
Concomitantemente (adoro falar difícil) à chegada de Colombo na América, a Espanha passava por uma época de profundas transformações políticas desde que os reinos de Aragão e de Castela se uniram em 1469. A partir da unificação desses dois reinos, formou-se a  Espanha que busca se adaptar à nova situação de reino unificado.
O acúmulo de riquezas tornou-se o grande objetivo da coroa espanhola, era o metalismo que apregoava a posse de ouro, prata e outros metais preciosos para que uma nação fosse próspera.
Neste ínterim, a exploração das terras descobertas por Colombo seria fonte inesgotável de recursos, mesmo que o extermínio de centenas e centenas de vidas fosse o custo de tal empreendimento.
Foi em 1493, um ano após a chegada de Colombo à América, que a colonização de fato se iniciou, tendo como meta a exploração das riquezas e usando para isso o trabalho escravo índio.
Por exemplo, em  1519 Cortéz chega ao reino Asteca, junto com soldados espanhóis e também com índios aliados sendo então, recebido pelo rei asteca Montezuma II.
O povo Asteca a princípio, recebe os espanhóis com afabilidade, pois estes confundiram Cortéz com o deus asteca Quetzacoatl (repita isso três vezes e bem rápido!).  Aproveitando-se desse fato, os espanhóis capturam Montezuma e roubam todo o ouro dos astecas.
Vários meses depois, durante a ausência de Cortéz, os espanhóis sob o comando de Pedro de Alvarado, seu substituto, promoveram um massacre de astecas, dentro do Templo Maior, deixando os astecas putos da vida.
De volta à cidade, Cortéz não conseguiu apaziguar a situação e foi um pega-pra-capar, onde os exércitos espanhóis tiveram que fugir da cidade em meio a muitas baixas e os europeus e aliados indígenas.
Contudo, Cortéz conseguiu reforços oriundos da Espanha, bem como também de guerreiros nativos, inimigos dos astecas.  Apesar de terem resistido por 75 dias, os astecas foram finalmente vencidos, no que  resultou no fim de seu Império.
Outro exemplo é o de Francisco Pizarro, explorador da América do sul. Quando em 1522, ele ouviu falar de uma terra chamada “Pirú” ou “Biru” (atual Peru), logo organizou uma expedição em busca da cidade que, segundo relatos ouvidos por ele, era cheia de tesouros.
Os incas foram massacrados pelos soldados de Pizarro que, apesar da desvantagem numérica, possuíam armas de fogo.  Logo, os espanhóis conquistaram Cuzco, a capital do império inca.
Aproveitando-se de uma disputa dos incas pelo controle do Império, os espanhóis consolidaram sua dominação, fazendo alianças ora com um lado, ora com outro.
Nos primeiros tempos de colonização devido a problemas enfrentados pela Espanha, não houve interesse nas novas terras descobertas. Os territórios conquistados ficavam em posse dos exploradores. Foi somente com a descoberta de ouro que o governo espanhol “ cresceu o zóio” e tomou providências para tirar as terras das mãos dos conquistadores,(perderam, play boy!) formando um sistema de colonização baseado em 4 vice-reinos: nova Espanha, nova Granada, Peru e Rio da Prata.
Cansei...
Por hoje é só.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A constituição da mandioca

A constituição da mandioca (não, não foi a constituição feita por deputados, gays!) foi a primeira tentativa brasileira de se encaixar nos moldes de uma nação soberana, criando condições para criação de um governo que pudesse se consolidar na administração do amplo e diversificado território brasileiro.

Naquela época, na Bahia, deflagrava-se ferrenha resistência à autoridade de Dom Pedro, bem como no Maranhão, Pará e Piauí.  Isto, somando-se a inúmeras pressões da corte portuguesa, fez com que Dom Pedro em três de junho de 1822, convocasse a primeira Assembléia Constituinte brasileira, chamada de Constituição da Mandioca, pois para ter direito ao voto, ou para se eleger era necessário possuir certa renda em alqueires de mandioca (quem entrava com a mandioca, podia tudo!)

Os trabalhos dos deputados tiveram início em maio de 1823 e previa que o voto seria baseado sempre na renda do cidadão (e nessa o pobre se f*). Assim, quanto mais renda ele tivesse, mas força teria o voto. Além disso, o povo não teria participação alguma nas decisões políticas (Oh, novidade!)  e os poderes de Dom Pedro seriam limitados.

Baseado nas constituições que vigoravam nos países europeus a forma de governo estabelecida pela assembléia seria dividida em poder executivo, exercido pelo Imperador e seus ministros. Legislativo, formado pela assembléia geral com deputados e senadores e Judiciário com juízes e tribunais.

A assembléia constituinte de 1822 foi declarada ilegítima por Portugal, que enviou tropas ao Brasil, exigindo o retorno imediato do príncipe. Dom Pedro reagiu,( ele era sangue no zóio!) declarando que não aceitaria as ordens de Portugal e não receberia as suas tropas.

Contudo, usando forças militares, a assembléia foi desfeita por Dom Pedro,(mandou cortar a mandioca de todo mundo!)  por este não concordar em ter seus poderes como imperador limitados e por desavenças com os Andradas, família que predominava tanto no ministério com José Bonifácio, como na Assembléia Constituinte com Antônio Carlos.

A noite da agonia, é como ficou conhecido o episódio no qual foram presas e banidas várias pessoas, incluindo os irmãos Andrada.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Conseqüências da vinda da família real portuguesa para o Brasil

Em 22 de Janeiro de 1808, desembarcou em Salvador o príncipe regente de Portugal com sua família e toda a sua corte. Lá foram recebidos com festa e permaneceram pouco mais de um mês. 
Uma das principais conseqüências da vinda da família real para o Brasil foi à abertura dos portos para o comércio com as nações amigas, o que pôs término ao antigo pacto colonial que vigorava entre Brasil e Portugal.
Essa decisão foi necessária, pois o comercio estava paralisado desde que os franceses haviam ocupado o porto de Lisboa. Além disso, era a forma com que Dom João pagaria a dívida com a Inglaterra pela proteção contra os exércitos de Napoleão, sendo que tal atitude já havia sido negociada em 1807 em Londres. Além da abertura dos portos, também ficou estabelecido que Portugal permitisse a instalação de uma base naval inglesa na ilha da Madeira
A abertura dos portos foi de uma imensa importância para o Brasil, pois a partir daí o país deixou de ser colônia de Portugal para ser o centro do reino.  Diante disso, setores econômicos se beneficiaram com o comercio que havia sido monopolizado por Portugal. Essa concorrência acabou gerando protestos em Lisboa e Rio de Janeiro, o que obrigou Dom João a restringir o comércio em alguns portos brasileiros. Além disso, os navios portugueses ganharam exclusividade no comércio de cabotagem e descontos nos impostos.
Um dos países que mais se beneficiaram com a abertura dos portos foi a Inglaterra, que não somente ampliou sua aliança militar e política com os portugueses como também estabeleceram uma nova roda de escoamento para seus produtos.
Na época da chegada da Corte portuguesa, os armazéns brasileiros estavam repletos de produtos e ficaram ainda mais, com a chegada dos artigos vindos da Inglaterra, frutos da primeira revolução industrial.
A balança comercial brasileira era deficitária, pois as exportações nunca cresciam nas mesmas proporções das importações.  Não havia interesse inglês pelos produtos produzidos em terras brasileiras, com exceção de alguns produtos usados na indústria. 
Quando o Brasil se tornou dependente economicamente dos países estrangeiros, Dom João iniciou uma série de reformas que ocasionaram muitos conflitos políticos e protestos contra a dominação inglesa.
Foi ainda em Salvador que Dom João aprovou a criação da primeira escola de Medicina do Brasil, fundada em 18 de fevereiro de 1808, sendo que os primeiros professores eram médicos militares. Além disso:
Também deu licença para a construção de uma fábrica de vidro e outra de pólvora, autorizou o governador a estabelecer a cultura e a moagem do trigo, mandou abrir estradas e encomendou um plano de defesa e fortificação da Bahia, que incluía a construção de 25 barcas canhoneiras e a criação de dois esquadrões de cavalaria e um de artilharia. (GOMES, Laurentino. 1808. Planeta, São Paulo, 2005. Pg. 46)
Quando a coroa portuguesa instalou-se no Rio de Janeiro, iniciou nesta cidade uma série de modificações para que ela pudesse ter a estrutura necessária.
 Estas mudanças iniciaram um profundo processo de modernização e desenvolvimento para o Estado. O motivo da mudança para o Rio de Janeiro foi de ordem estratégica: em caso de uma invasão francesa, o Rio de Janeiro estava mais bem localizado do que Salvador.
Como nova sede do Império, o Rio de Janeiro concentrou todas as funções administrativas e políticas internas e externas. A distribuição dos cargos dessa nova estrutura de administração baseou-se em apadrinhamentos e nepotismo, o que caracterizou um predomínio português nos cargos.
O desenvolvimento urbano promovido por Dom João VI, como a criação do Jardim Botânico e a construção de diversos prédios públicos, trouxe um aumento populacional para a cidade, causando mudanças no modo de vida da sociedade que cada vez mais assimilava costumes europeus, influenciado pelos portugueses.
Foi também na época de Dom João que o Brasil teve a sua extensão territorial alterada, com a aquisição da Cisplatina[1], em 1817.
Outra importante mudança que a vinda de Don João promoveu ao Brasil foi a formação de uma verdadeira unidade política, pois antes da chegada da coroa portuguesa, a colônia nada mais era do que uma extensa área geográfica divididas em capitanias que não se comunicavam.


[1] Mas declararia independência onze anos mais tarde, para se tornar o atual Uruguai.

terça-feira, 8 de março de 2011

História da África

Neste semestre lá na faculdade, estamos aprendendo sobre a História da África, nas aulas ministradas pelo professor Alfredo (o melhor professor da UNIABC).
As coisas que eu aprendi nessas poucas semanas de aula, serviram para que eu mudasse vários dos meus conceitos sobre este continente. Como os europeus entes do início das grandes navegações (que acreditavam que a África era habitada gente de um olho só e outras bizarrices) eu tinha uma idéia totalmente errônea sobre várias coisas e achei que valia a pena publicar umas poucas linhas sobre esse assunto aqui no blog.
Como eu disse antes, na Europa pouca coisa se sabia sobre a região africana. Culpa disso era a da dificuldade que se tinha de ir até o local, pois na costa mediterrânea viviam os mouros e os europeus se cagavam de medo deles.  Nem sequer tentavam ir além da costa ocidental, pois temiam que ao ultrapassar as Canárias, um terrível limbo os tragasse e assim, se perdessem para sempre (às vezes sinto a mesma coisa quando o trem está chegando em Mauá)
Foi somente no século XV que os portugueses começaram a se aventurar mais ao sul da costa, isso graças a uma inovação técnica: a caravela, que permitia uma navegação mais segura por aquela região desconhecida.
Foi com uma caravela que um navegador chamado Diogo Cão chegou à região africana que ficou conhecida como Congo.
O reino do Congo já existia a pelo menos cem anos antes da chegada de Diogo Cão e suas crias (claro que eu não ia deixar passar em branco o nome desse cara, né?). A sociedade que ali existia já era complexa e muito bem estruturada. E aqui caiu por terra um dos mitos em que eu acreditava: a população daquela região já dominava técnicas para forjar cobre para fazer jóias, e também ferro para a fabricação de armas, possuía um calendário lunar para medir o tempo, o que denotava uma civilização avançada e não “pobres coitados” que não sabiam de nada.
Outro ponto que acabou sendo desmistificado nessas aulas foi em relação à escravidão. Sempre pensei que os povos da África só vieram a conhecer a escravidão quando começaram a visitados pelos branquelos europeus que simplesmente invadiam o local, davam porrada nos neguinhos e os levavam cativos. Mas na verdade o piano tocava numa tom muito diferente, porque a escravidão já era praticada em vários pontos da África, bem antes da chegada dos europeus:
A natureza da escravidão africana variava de uma região a outra e mudava com o tempo, mas quase todos eram cativos de guerra. Havia também criminosos, devedores e os que haviam sido dados pela família como parte de um dote. (HOCHSCHILD, Adam. O Fantasma do rei Leopoldo, Compania das Letras, São Paulo 1999 – New York 2005, pg.18)

Apesar de às vezes a escravidão africana ser cruel, com sacrifício em massa de escravos como forma de firmar tratados entre tribos, por exemplo, era bem mais suave do que o sistema escravocrata estabelecido pelos europeus. Aliás, o comercio de escravos promovido pelos europeus foi extremamente prejudicial ao continente, pois começou a dizimar várias regiões. Inclusive, com chefes africanos dispostos a vender homens aos compradores de escravos.
De fato, a venda de africanos pelos próprios africanos era algo constante. Sobre isso, o rei do Congo, Afonso, em carta ao rei de Portugal diz:
Muitos de nossos súditos cobiçam avidamente as mercadorias portuguesas que vossos súditos trazem aos nossos domínios. Para satisfazer esse apetite incomum, apoderam-se de outros súditos negros livres, [...] Vendem-nos [...], depois de levar esses prisioneiros [até a costa] sigilosamente ou à noite. [...]                 Assim que os cativos passam às mãos dos homens brancos, são marcados a ferro quente.
A escravidão era a mola mestra da economia africana e muitos dos próprios filhos da África lucraram com ela, o que foi particularmente chocante para mim. Os europeus até preferiam conseguir seus escravos negociando com os chefes africanos, que capturavam homens livres para esse fim. Era comum inclusive, a conversão ao catolicismo de reis africanos como o próprio Afonso do Congo e a célebre rainha Jinga da Angola.  No fim de sua vida, é ela quem diz:
Renego a Ímpia seita e os sacrílegos ritos dos Jagas, expulsando-os do meu coração e do meu reino (...) volto a ser cristã (...)
(DUARTE, José Bento. Senhores do sol e do vento. Stampa, São Paulo, 1999, pg. 59)

As conseqüências da escravidão para o continente africano foram desde a violência até crises demográficas. Isso sem falar na crise em que a África mergulhou quando a Europa aboliu a escravidão e fez com que o continente perdesse sua principal fonte de renda.