quinta-feira, 22 de março de 2012

Em um debate com um amigo sobre o casamento homossexual II

Eu apresentei 3 argumentos para apoiar a idéia de em que o Estado pode sim, interferir na vida das pessoas em vários aspectos, inclusive a sexual:
1)      A própria legislação sobre a família, que já pressupõe um controle do Estado sobre ela.
2)      A possibilidade de a mulher poder pedir a anulação do casamento, nas condições em que eu me referi o que, denota um envolvimento do Estado também questões sexuais.
3)      Os processos movidos contra esposas que se recusam a praticar sexo com o marido, que podem ser lidos facilmente pela internet.
Você argumentou que no caso 2, o mesmo pode acontecer com os homossexuais e que á fácil de provar. Mas isso é irrelevante! A questão é o envolvimento do Estado na vida sexual das pessoas. E se isso acontece como já provado, no caso de união homossexual não há papéis sexuais definidos, o que vai acarretar na necessidade das mudanças das leis. E se isso acontecer, ou eles mudam pra todo mundo, o que é improvável, ou eles criam leis que beneficiem só os gays, o que vai gerar conflito. 
 Além disso, não é a impossibilidade de provar uma situação que impede o divórcio, ou a anulação, bastando que uma das partes elucide o que a fez tomar essa decisão.  Baseado nas alegações das partes o juiz poderá entender, ou não, que o casamento é insuportável em tais condições. Por si só, já houve neste processo um aprofundamento nos motivos da separação. Em alguns casos isso não é necessário, mas em muitos casos mais complicados, como já foi demonstrado, isso foi necessário. Existem casos, onde o Estado determinou uma indenização do marido para a esposa, por este a ter a traído virtualmente! Se isso não for intromissão do Estado, então não sei mais o que é!
Realmente os mecanismos de defesa (contratos) não são totalmente eficazes e usei como prova de meu argumento, os recorrentes casos de pessoas que foram lesadas desta forma. A questão aqui não é acabar com os casamentos, mas questiono se o casamento homossexual é a melhor solução para o problema deles. A meu ver, não é, pois se os casamentos heteros já são expostos a esse tipo de problema, os homos estarão muito mais expostos a isso, pelos motivos que já declarei.
A criação de leis especiais para gays realmente não está em pauta, mas em minha opinião, isso será inevitável quando eles perceberem que a união gay está mais exposta a fraudes do que a hetero.
Eu nunca disse que o problema está na quantidade de leis pra um e pra outro, mas em leis que BENEFICIAM mais a um do que a outros. Pois para impedir, por exemplo, que uma pessoa sexualmente diferenciada seja lesada, terão que criar uma lei específica para gays, dar um tratamento diferenciado, simplesmente por ele ser gay. Ora, isso quer dizer que a opção sexual de uma pessoa é peso pra dar vantagens um grupo e a outro não? E antes que você me responda que os heteros têm mais direitos civis sobre os homos por poderem casar, eu te respondo que o casamento nunca foi uma instituição civil, mas uma tradição religiosa e cultural que o Estado tem sido obrigado a reconhecer e respeitar. Logo, o direito não é por serem heteros, mas sim por uma questão cultural e religiosa que foi oficializada pelo Estado
Agora, se os casados legalmente têm benefícios que os demais não tem, é outra questão que deve ser analisada com muita atenção e, se alguma medida for necessária para mudar essa situação, deve ser uma medida que abranja tantos casais homos, quanto heteros que não são legalmente casados. Um não pode ser beneficiado mais que o outro por sua preferência sexual. E, em minha humilde opinião, não existe como fazer isso, sem causar um reboliço jurídico.

Engana-se quem acha que o casamento gay é a resposta para o problema deles, antes é uma verdadeira bomba relógio, propensa em explodir com uma enorme reação anti-gay, como aconteceu nos EUA com os negros, pós guerra de secessão. E se você pensa que isso é opinião de religioso, engana-se. Existem muitos ativistas gays, ligados a esquerda, que também entendem que o casamento gay mais vai atrapalhar do que ajudar pelos mesmos motivos que eu estou declarando.
Você me pergunta qual a solução. Eu te repondo que não há solução para essa questão. Acredito que devem ser aprovadas leis contra a discriminação. Mas acredito que os gays nunca poderão ser tratados com completa justiça, assim como os negros, pobres, gordos, anões, feios, carecas, albinos, banguelos, professores de história, etc. Sociedade justa não existe e nem nunca existirá. As piores merdas do mundo foram feitas por pessoas que tentaram concertar o mundo. O que podemos fazer é minimizar as mazelas, até onde o bom senso nos permitir.
É isso.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Em um debate com um amigo, sobre o casamento homossexual

Existe uma coisa chamada Direito Familiar, que é uma legislação que regula a estrutura, organização e proteção da família. A própria existência desta legislação já arroga um controle do Estado sobre o que a pessoa pode falar olhar, pensar e o caralho a quatro.
Dentro do direito familiar existe um dispositivo que permite a anulação do casamento em certos casos, por exemplo: se a esposa descobrir, depois do casamento, que o marido é impotente, pois o marido escondeu isso dela durante o namoro e noivado, o juiz pode anular o casamento alegando que isso torna a vida conjugal insuportável.
E se você pensa que o Estado não se envolve nas questões sexuais, ledo engano, amigo! Basta uma simples pesquisa na net pra você achar relatórios muito bem detalhados de processos movidos entre cônjuges, pedindo anulação de casamento por falta de sexo!
Bem sabemos que em casamentos heteros,  também ocorrem casos em que um quer passar a perna no outro. Também é claro que existem contratos que defendem as pessoas neste caso, contudo, sabemos que os golpes do baú são recorrentes! Existem acordos pré-nupciais com aquela famosa letra miúda do final que ninguém lê. E se esse tipo de coisa é normal em casamentos heteros, eu defendo que nos casos de casamentos homo, isso vai ser triplicado! Porque?
Um homem pode alegar que a mulher não quer dar pra ele e uma mulher pode alegar que o homem não quer come-la, mas nenhum homem pode alegar que a mulher não quer comer o homem, porque isso é fisiologicamente impossível! Agora no caso do homossexual, não existe esta restrição.
Por isso eu repito: se no caso hetero, já existe um problema relacionado a isso, no caso do homo, vai triplicar. Não adianta falar que o Estado não interfere nisso, porque no Direito Familiar essa situação está muito bem regulamentada. Pode conferir.   E também não adianta falar que existem tipos de contratos que protegem, porque sabemos que mesmo com a existência deles, eles não garantem nada! O golpe do casamento é mais recorrente do que o programa do chaves!
Eles terão que criar leis para beneficiar os gays e pra isso, vão ter que transformar direitos sexuais em direitos civis. Isso irá levantar à seguinte pergunta: se o homossexual pode, porque o heterossexual não pode?  Irão criar uma classe acima de qualquer crítica e com privilégios acima dos da maioria e vão desencadear uma guerra jurídica que vai repercutir em outras áreas, com certeza.  E que ninguém me acuse de ser homofóbico, pois estou aqui alertando pra uma condição que será prejudicial para os próprios homossexuais. Lembra quando após a guerra da secessão fizeram um monte de emendas beneficiando os negros? Lembra o que aconteceu? Nasceu a Klu Klux Klan e outros movimentos racistas que massacraram os negros. Estão querendo cometer o mesmo erro! Não aprendemos nada com a história! Existe a maneira certa e a maneira errada de fazer as coisas. E digo que estamos fazendo da forma errada! E digo mais: as autoridades que defendem essa lei, sabem muito bem disso e é isso mesmo o que eles querem, querem ver o circo pegar fogo!
Acredito que independente da opção sexual, cor da pele e sexo, todos devemos ter os mesmos direitos civis. Mas você não pode, por causa da opção sexual de alguém, privilegiá-lo criando leis que coloquem o sujeito acima da maioria! Isso não da certo, isso da guerra!
Sobre a fraude, é claro que não existe hoje uma forma de se beneficiar comercialmente dessa forma, em um casamento. Mas com a aprovação do casamento gay, isso com certeza irá acontecer. Qualquer agrupamento de homens que se juntem para uma atividade comercial, poderá se declarar gay e entrar na categoria de família para não ter que arcar com todas as obrigações de uma entidade comercial.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Reflexos da história da Península Ibérica

A Península Ibérica, região formada pelos territórios da Espanha, Portugal, Gibraltar e Andorra, tem uma história riquíssima, cujos reflexos podemos facilmente observar em nossa sociedade atual.
O seu isolamento, provocado pelo Atlântico a oeste e aos Pireneus, cordilheira que forma uma barreira natural separando a França e a Espanha, criou condições para uma evolução diferenciada do restante da Europa.
Durante a sua longa história a região foi povoada por diversos povos: fenícios, celtas, gregos, cartagineses e romanos. A região ainda sofreu a influência de judeus, muçulmanos e cristãos, fato que suscitou uma rica cultura entre os povos que ali se desenvolveram.
Um dos reflexos mais evidentes dessa cultura é a língua de raiz latina, da qual se originou o espanhol, que se espalharia na época das colonizações pela América do Sul. No Brasil, que foi colônia de Portugal, disseminou-se a língua deste povo europeu.
Outro fato digno de nota é a forma como se deu a colonização no Brasil, bem distinta das terras colonizadas por espanhóis e ingleses, pois sendo o próprio povo português miscigenado com outras etnias, tinham uma maior tolerância na sua forma de se relacionar com a diversidade, o que deu ao Brasil a configuração que hoje se apresenta.

terça-feira, 6 de março de 2012

Minhas breves impressões sobre a educação

Ontem na faculdade tivemos aula de Metodologia do Ensino.  O professor estava falando sobre a ética no ensino, explicando como a religião funciona como criadora de valores.
Na visão marxista a religião funcionaria como uma forma de dominação. As leis, segundo a explicação do professor, são insuficientes para gerar a ordem necessária para a dominação: qualquer um pode mentir, corromper e ser corrompido. Neste estado de coisas a religião surge como um “tapa-buracos”, atuando exatamente onde a lei não funciona.
Deus não pode ser corrompido. Não se pode fazer nada escondido de Deus. Assim, os representantes Dele na Terra têm o que é preciso para manter a ordem e melhor dominar sobre os pobres crédulos ignorantes.
Ao final da aula, enquanto retornava para casa, comecei a refletir sobre isso. Vi como esse discurso é perigoso. Nossas universidades estão repletas dessa visão esquerdista. Não há espaço para contestação, para o confronto de idéias. As aulas se tornaram um discurso ideológico comunista/ateísta. Nossas escolas se tornaram uma fábrica de militantes. Claro que existem professores que nem se dão conta quando fazem isso. Já outros, vestem a roupa da militância, vomitando suas verdades com aquela arrogância que só os mestres e doutores sabem fazer.
Dizer que a religião surgiu como um instrumento de dominação é ignorar grande parte da trajetória do homem na Terra. O discurso ideológico é assim mesmo: aborda somente um aspecto da realidade e ignora àquele que lhe causa constrangimento, pois a religião só se torna ferramenta de dominação a partir do momento em que surge o acúmulo de posses.

Antes disso, na sociedade primitiva, não existiam posses. O que existia era a partilha de todos os bens e recursos necessários para a sobrevivência. Nessas sociedades a religião não era praticada para dominação, pois não havia necessidade disso.
Acreditar em um Ente Superior é algo inerente ao ser humano. Quando nossos ancestrais criadores da roda, armas e ferramentas, olharam para o céu, para as montanhas, para as árvores, para o sol, lua e a estrelas, a conclusão de que existia um Criador superior a eles próprios se tornou óbvia. Assim, houve o desejo de se relacionar com esse Ser. Surgem os ritos fúnebres, as fórmulas mágicas, os amuletos, lendas...
Só muito mais tarde quando os humanos largaram seu estilo de vida nômade e começaram a se fixar perto de fontes de água, vivendo da agricultura, foi que surgiram as primeiras civilizações, cidades, excedentes, escrita, riquezas, escravos, etc. Se aproveitar de uma religião ou outra manifestação cultural já estabelecida, para justificar o domínio de um homem sobre outro foi uma jogada de mestre. Surge o Estado opressor, que para manter o seu domínio atribui a si mesma a autoridade divina 
Dizer que a religião surgiu só para a dominação é cultura da desinformação. Quem quiser ter uma formação realmente completa, nunca se contente com o que é ensinado na sala de aula. Conteste tudo. Busque autores alternativos àqueles que seu professor indicar. De preferência que tenham opiniões contrárias. Estude, pesquise. Não aceite qualquer coisa. Só assim você vai ganhar uma bagagem cultural ampla e escapar da mediocridade.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

TCC sobre o Jesus Histórico: Planejamento

Cópia de um e-mail enviado a um colega de classe:

Olá, senhor William:
Como prometido, estou lhe enviando algumas informações sobre nosso TCC. Como sabe, o tema é o Jesus histórico. Escolhi o título provisório “Uma Luz histórica sobre Jesus” e estou a pensar em algum subtítulo apropriado, que talvez seja definido quando o trabalho estiver pronto.
Os objetivos desse trabalho conforme já conversamos um pouco, é provar que o Jesus da história e o Jesus da fé são a mesma pessoa e não duas concepções diferentes, insinuando como alguns estudiosos fazem, que o Jesus da fé é uma lenda originada muito tempo depois da morte do Jesus histórico, ou uma deliberada mentira. Se formos felizes em advogar essa alegação, significará dizer que os eventos descritos nos 4 evangelhos são relatos históricos, que realmente seus autores presenciaram todos aqueles fatos, inclusive, os sobrenaturais. Como a história não tem recursos para investigar o sobrenatural, embora pessoalmente eu acredite que possamos sim, apresentá-lo como uma hipótese metafísica científica (a própria física moderna faz isso, quando confecciona teorias de universos múltiplos e cordas cósmicas), já concordamos que não seria apropriado trazer tais hipóteses para a discussão: apresentaremos os fatos até onde a história alcança. A partir disso, cada um irá tirar as suas próprias conclusões.
Como dito, nossa pesquisa será bibliográfica, onde usaremos fontes primárias e secundárias. Anexo a este e-mail, estou lhe enviando algumas obras pra você analisar. O critério que segui na escolha deste material, é o seu uso em outros trabalhos, partindo do pré-suposto de que o número de citações de uma obra é proporcional à significância do material para os estudiosos do assunto. Irei te mandar outros materiais futuramente: artigos e livros.
Como você pôde ler no esboço que te mandei, começo a investigação trabalhando com a principal fonte de informação sobre Jesus, que são os evangelhos. Explicando o porquê nós podemos considerar os evangelhos confiáveis historicamente, poderemos seguir adiante e analisar outros documentos independentes que são importantíssimos para corroborar ao testemunho dos evangelhos.
Na verdade, existem vários registros da passagem de Jesus pela Terra, tirando os evangelhos. Selecionei apenas 4 por dois motivos: primeiro, escolhi os documentos mais relevantes, aqueles que fizeram declarações mais fortes. O segundo motivo é que não quis me estender demais, o nosso trabalho ficaria gigantesco. Contudo, acho boa idéia você dar uma pesquisada nesses documentos, fontes sobre Jesus fora dos evangelhos: quem sabe você consiga enxergar coisas que me escaparam.
Você já leu em nosso trabalho que as fontes independentes que escolhi sobre Jesus foram
1.    O Testemunho Flaviano
2.    A Carta de Plínio, o Jovem
3.    O capítulo XV da obra “Anais”,
4.    O Talmude
Penso que já fiz uma boa análise do Testemunho Flaviano. Gostaria que você, agora, pesquisasse sobre a Carta de Plínio, o jovem e o capítulo XV de anais, enquanto eu me ocuparei do Talmude. A internet é uma boa ferramenta de pesquisa, com certeza você encontrará artigos científicos e até livros para baixar. Se possível, faça também uma pesquisa sobre a opinião dos céticos sobre o documento, para que possamos comparar e chegar a uma solução. Unindo as duas partes, a defesa dos evangelhos como documentos históricos e a corroboração dos documentos independentes, acredito que temos uma ótima evidência para sustentar nossa posição.
Por enquanto é isso. Depois a gente troca mais idéias na universidade.

Abraços,
Elvis.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Os Estados Unidos depois da guerra de secessão

A guerra entre o Norte e o Sul dos Estados Unidos, motivada pelas tensões relacionadas com a escravidão, começou em 1861 e terminou em 1865, deixando a economia do Norte totalmente comprometida e a do Sul, totalmente ferrada (e se lascaram bonito mesmo)
Contudo, os Estados do Norte tiveram muito mais facilidade de se recuperarem, graças principalmente ao lucro gerado pelas ferrovias.
Durante a guerra essas ferrovias foram expandidas e utilizadas para transportar soldados, armas, comida e medicamentos. Continuaram sendo usadas depois da guerra, gerando lucros graças às pesadas taxas ferroviárias e a baixa qualidade dos serviços prestados, dando origem, mais tarde, aos grandes grupos financeiros monopolistas, como o grupo Morgam, o grupo Rockfeller e a magnatas como Cornélius Vanderbilt.
Neste período os Estados Unidos viviam uma fase de intensa revolução Industrial (muito mais radical do que aquela que aconteceu na Europa, segundo alguns historiadores) A indústria se desenvolvia grandemente, principalmente as siderúrgicas e metalúrgicas. Porém o Norte enfrentava um problema muito sério de falta de operários, pois a expansão para o oeste oferecia grande oportunidade para o crescimento na área da agricultura. Essa falta de mão de obra valorizava os salários na indústria, o que despertou a atenção de muito neguinho lá nas “Europas”.  Resultado: entre 1843 e 1876 a população dos Estados Unidos passou de 23 milhões, para 50 milhões e meio.
Com o crescimento urbano, muitas pessoas abandonaram o trampo no campo para se dedicar às indústrias. Apesar disso, a produção agrícola dos Estados unidos aumentou mais ainda, graças às máquinas que faziam sozinha o trabalho de muitos homens.
O aumento do operariado nos centros urbanos favoreceu o surgimento dos primeiros sindicatos. Em 1886, no dia primeiro de maio, iniciou-se a primeira greve dos operários, seguido, é claro, do primeiro cacete em trabalhadores grevistas da história dos Estados Unidos, onde quatro dirigentes foram condenados à forca (também conhecido como gravatinha de Tiradentes). Em memória desse fato é que em todo o dia primeiro do mês de maio, eu, você e toda a família, comemoramos o feriado do dia do trabalho, não trabalhando (J)
Já no Sul, conforme já foi relatado, a situação era deplorável: com casas destruídas, fábricas em ruínas, campos devastados e como se não bastasse, haviam perdido o monopólio do algodão. Muitos confederados abandonaram os Estados Unidos e emigraram para outros países, inclusive o Brasil (Mato Grosso e São Paulo, nas regiões de Campinas, Santa Bárbara do Oeste e Americana)
Além de toda essa crise, alguns sulistas ainda tiveram que engolir as decisões tomadas pelo norte: a décima terceira emenda deu liberdade para todos os negros, a décima quarta emenda obrigava todos os estados americanos a tratar todo mundo igual perante a lei e a décima quinta emenda deu aos negros direito a voto, transformando-os em cidadãos. A gota d’água para os racistas do sul foi quando os negros começaram a conquistar cargos de importância, o que favoreceu o surgimento de grupos racistas como a Ku Klux Klan e os menos conhecidos Knigths of White Camélia dedicados a perseguir, espancar e não raro matar negros.
Podemos observar que apesar de terem sido criadas leis para proteger os negros, não haviam dispositivos capazes de garantir o cumprimento delas, portanto, os negros ainda continuaram sendo marginalizados e perseguidos, com a criação da política de segregação racial.
Além disso, existia no sul um forte ressentimento com o Norte, principalmente com o partido republicano, de Abraão Lincoln, tanto é que o próprio, logo após o fim da guerra, foi assassinado com um tiro disparado por um sulista revoltado.
E até hoje, nota-se que o partido democrata tem uma maior expressividade no Sul dos Estados Unidos.
Com isso, vemos como que apesar de todos os efeitos danosos da guerra de secessão Americana, os Estados Unidos conseguiram se transformar em uma potência econômica e imperialista, legítima representante do capitalismo.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Eugenia: A apologia científica do racismo

Eugenia: A apologia científica do racismo

RESUMO
O termo Eugenia designa uma série de atos que visam o suposto melhoramento das futuras gerações através do controle social, ao mesmo tempo em que procura deter o avanço dos grupos ditos, “menos adaptados”, impedindo o enfraquecimento das qualidades raciais. Usa como base os dados colhidos pelo naturalista britânico Charles Darwin, publicados no livro “As origens das espécies” de 1859, as teorias de Thomas Malthus, economista britânico e as ideias de Herbert Spencer, também britânico, filósofo criador do “Darwinismo Social”. Ganhando força principalmente nos Estados Unidos, a Eugenia originou também a “eugenia nazista”culminando no Holocausto.

Palavras chaves: eugenia, racismo, Holocausto, genética.

ABSTRACT

. The term eugenics refers to a series of acts aimed at the supposed improvement of future generations through social control, while seeking to stop the advance of the groups said, "less adapted", preventing the weakening of racial qualities. Uses based on data collected by British naturalist Charles Darwin published the book "The Origins of Species", 1859, the theories of Thomas Malthus, a British economist and the ideas of Herbert Spencer, also British philosopher, creator of "Social Darwinism". Gaining momentum especially in the United States, Eugenia has also led to the "Nazi eugenics" culminating in the Holocaust.

Foi em 1883 que o antropólogo inglês Francis Galton (1822-1911), cunhou a palavra “Eugenia”, que de sua origem grega, podemos tirar o significado “o bem nascido” (CASTANEDA, 2002, p.2). Com o intuito de estudar os processos pelos quais se pode melhorar a espécie humana, a eugenia estava apoiada em três ideias, a saber:


a)      Teoria da evolução natural de Charles Darwin
Galton se impressionou com as ideias sobre a “sobrevivência do melhor adaptado”, de seu primo, o naturalista britânico Charles Darwin (1809-1882), exposto no livro “A origem das espécies”, de 1859.  Formulou a teoria de que para um melhoramento das sociedades humanas, somente os mais bem adaptados deveriam reproduzir-se, enquanto que o crescimento das populações pouco adaptadas deveria ser combatido pelo Estado.

b)      Teoria do aumento populacional de Thomas Malthus
A teoria de que a população cresceria de tal forma, que seria impossível gerar recursos de vida para todos. Hoje sabemos que tal teoria é equivocada, pois temos a tecnologia necessária para produzir recursos do que o suficiente, estando a falha somente na forma como esses recursos estão sendo distribuídos[1]. Contudo, em 1789, Malthus acreditava na necessidade do controle populacional, para evitar o caos. “Malthus (...) chegou a defender que em muitas instâncias a assistência caritativa promovia a pobreza de geração a geração e simplesmente não tinha sentido no processo natural do progresso humano”(PEDROSA, 1999, p. 3)

c)       Darwinismo social de Herbert Spencer
A teoria de que o homem evoluía por meio de sua natureza hereditária era defendida, no século XIX pelo filósofo inglês Herbert Spencer. Acreditava que os mais capazes continuariam a se aperfeiçoar e que os menos capazes se tornariam ainda mais incapazes com o tempo. Dizia ele: “Todo o esforço da natureza é para se livrar desses (incapazes) e criar espaço para os melhores... Se eles não são suficientemente completos para viver, morrem, e é melhor que morram (...). Toda imperfeição deve desaparecer” (PEDROSA, 1999, p.3)

Bebendo dessas três fontes, Galton desenvolveu as idéias eugenistas, propondo a intervenção do Estado no sentido de controlar os casamentos, permitindo-os somente para as pessoas ditas, “mais capazes”.  Central nas ideais de Galton era a ênfase dada por ele aos casamentos de pessoas geneticamente superiores. Para ele existiam as pessoas de “sangue bom” e as de “sangue ruim”. Assim, elaborou segundo, Paulo Sérgio R. Pedrosa, “uma anormal matemática” (PEDROSA, 1999, p.3):

SANGUE BOM + SANGUE RUIM = SANGUE RUIM
SANGUE BOM + SANGUE BOM = SANGUE MELHOR
SANGUE RUIM + SANGUE RUIM = SANGUE PÉSSIMO
Ao defender um controle do Estado sobre o casamento, só permitindo aqueles realizados entre os indivíduos ditos superiores, Galton criou a Eugenia Positiva.
Eugenia nos Estados Unidos
Em terras norte americanas, as idéias de Galton ganham força no final do século XIX e originam a eugenia negativa: enquanto que a positiva defendia a reprodução somente de indivíduos que se destacassem por seus dotes físicos e intelectuais, ou seja, os de “sangue bom”, a negativa procurava defender a predominância dos ditos “superiores geneticamente”, por meio da eliminação dos “sangues ruins”.
Para cumprir tal objetivo, alguns procedimentos foram adotados. Paulo Sérgio Pedrosa (PEDROSA, 1999, p.4) destaca os seguintes atos eugenistas nos Estados Unidos:
- Segregação do incapaz;
- Deportação dos imigrantes indesejados;
- Castração de criminosos e deficientes mentais;
- Esterilização compulsória;
- Proibição de casamentos;
- Eutanásia passiva;
- Extermínio. (Não foi aplicada, mas muitos eugenistas defenderam o uso da câmara de gás).
Por meio das leis de miscigenação, a partir de 1863, procurou-se coibir os casamentos entre pessoas de etnias diferentes e a lei de Jim Crow, de 1876, obrigava os estabelecimentos e transportes públicos a terem locais separados para brancos e negros.
Em 1996, o estado de Indiana aprovou a lei de Sharp, também conhecida como “Ato de prevenção da Imbecilidade”, que visava impedir a reprodução de deficientes mentais, pelo método da esterilização.
Em 1909 em Washington, a lei também começa a prever a esterilização de criminosos e estupradores[2]. Em Iowa, os atos estendiam-se aos drogados e epiléticos. Paulo Sérgio Pedrosa (PEDROSA, 1999, p.7) informa que: “As leis de esterilização eugenistas foram adotadas por quase metade dos estados americanos, sendo a liberal Califórnia a que fez mais esterilizações forçadas”.
Eugenia na Alemanha
A Alemanha, nos primeiros vinte anos do século XX, desenvolveu suas próprias idéias eugenistas, tendo sua independente linha de estudos sobre o assunto. Contudo, tinham como base os atos eugenistas americanos, como a estilização dos “tipos biológicos inadequados” (PEDROSA, 1999)
Inspirado nas leis de castrações e proibição matrimoniais norte americanas, foi que o médico Gustav Boeters começou a escrever em Berlin, artigos que defendiam a implantação de atos eugenistas na Alemanha.  Boeters, em obra citada no artigo de Paulo Sérgio Pedrosa (PEDROSA, 1999), disse: “Em uma nação culta – os Estados Unidos da América -, aquilo pelo qual nos esforçamos para conseguir [a legislação sobre esterilização] foi introduzido e testado há muito tempo”
Foi o pensador socialista Alfred Ploetz quem, em 1880, cunhou a palavra Rassenhygiene (higiene racial) e Alfred Jost, teórico social alemão, defendia em seus trabalhos o direito do Estado de eliminar as pessoas inúteis.
Assim, as ideias eugenistas foram ganhando a Alemanha, conforme explica Paulo Sergio Pedrosa: (PEDROSA, 1999)
Logo começaram a surgir as associações de eugenistas na Alemanha e nos países nórdicos, fomentadas pelas idéias da superioridade nórdica defendida pelos eugenistas americanos, como Davenport, Grant e Popenoe. Em 1905 Ploetz fundou a Sociedade para a Higiene Racial em Berlim. Esta sociedade foi criada para incentivar o crescimento da Higiene Racial (outro nome para Eugenia) na Alemanha e começou a ganhar impulso e projeção internacional a partir de sua colaboração com outras sociedades eugenistas, principalmente as americanas. Ploetz foi nomeado vice-presidente do Primeiro Congresso Internacional de Eugenia de 1912, em Londres, e foi convidado para ser um dos fundadores do Comitê Internacional Permanente de Eugenia.
Quando Hitler ascendeu ao poder, a idéia da “superioridade racial” já estava amplamente amadurecida, e o esforço para resolver o problema da miscigenação desencadeou o processo do Holocausto, no qual foram perseguidos, aprisionados em campos de concentração e mortos, milhões de pessoas entre judeus, homossexuais, ciganos, slavos e deficientes.

Eugenia no Brasil
De acordo com Maria Aurélia Castaneda (CASTANEDA, 2002, p.1) uma característica do movimento eugênico brasileiro foi o seu “caráter sanitarista”, por considerar a influência do meio ambiente no desenvolvimento das raças. Renato Kehl, médico e farmacêutico, foi o grande divulgador dessa ideia do Brasil.
Ao participar de uma conferência em São Paulo, na Associação Cristã de Moços, Kehl conseguir despertar o entusiasmo necessário para a criação da primeira associação eugenista, em 1918, em plena República Velha. Faziam parte desta associação, Arnaldo Vieira, fundador da Faculdade de Medicina de São Paulo, Arthur Neiva, sanitarista, Franco da Rocha, psiquiatra e o educador Fernando de Azevedo, entre outros.
No Rio de Janeiro, Renato Kehl participa da fundação da Liga Brasileira de Higiene Mental (LBHN) em 1930, que tinha como membros pessoas como Miguel Couto, da Faculdade Nacional de Medicina do Rio de Janeiro, Carlos Chagas, diretor do Instituto Oswaldo Cruz, e Edgar Roquette-Pinto, diretor do Museu Nacional. O objetivo da LBHN era estimular medidas para evitar a miscigenação e combater os fatores que dificultam a higiene da “raça superior”. Algumas das propostas desta instituição, como a esterilização dos “incapazes e inúteis” foram criticadas por muitos membros, como Roquette Pinto.
O surgimento do movimento eugênico no Brasil se dá em um momento em que o crescimento urbano trazia a necessidade de uma organização das cidades e de um melhoramento da raça por meio da limpeza e expurgação
Havia preocupação com as condições sanitárias das populações rurais. Ao publicarem em 1918 os relatos aos estados de Goiás, Bahia, Pernambuco e Piauí, Arthur Neiva e Belisário Penna revelaram a precariedade sanitária daquelas populações. Monteleone (1929), por suas vez, insistia diferentemente da Europa, no saneamento do povo e do solo, na medida em que numerosas moléstias  contribuíam para a degenerência  da raça
 (CASTANEDA, 2002, p.15)

Além deste caráter sanitarista do movimento eugenista brasileiro, acreditava-se também em outras medidas para evitar a degeneração da sociedade. Acreditava-se que a imigração era um risco para o país, pois poderia acarretar uma contaminação da população, isso motivou o desenvolvimento de projetos que visavam impedir a entrada no país de pessoas “eugenicamente inferiores”.  No artigo de Maria Eunice de S. Maciel (1999, p.9) é citada uma série de dez proposições do Congresso Brasileiro de Eugenia para impedir a contaminação da população brasileira, dentre eles estão:
10) O primeiro Congresso Brasileiro de Eugenia aconselha a exclusão de todas as correntes imigratórias que não seja de raça branca.
As idéias eugenistas no Brasil foram perdendo força no final do Estado Novo sendo que foram definitivamente descartadas quando o país integrou o grupo dos aliados na Segunda Guerra Mundial, em agosto de 1942.

Conclusão
Idéias de superioridade de um ser humano sobre o outro eram uma constante já na Antiguidade. Os Espartanos possuíam um sistema de seleção no qual somente tinha direito a vida os que nasciam fisicamente perfeitos.
Segundo Lilia Moritz Schawarcz (1993, p.46) quando os europeus chegaram à América, criou-se uma idéia de superioridades destes sobre os nativos da nova terra.
Tais idéias ganharam um suposto embasamento científico com o surgimento da eugenia em 1883, atingiu o seu ápice na “eugenia nazista’ e decaiu com o avanço das ciências biológicas.
Vivemos agora uma época de grandes descobertas, como o projeto Genoma, que levanta outras questões éticas e, vez por outra, surgem estudiosos como Richard Lynn, que declara a superioridade da inteligência do branco sobre o negro em uma abordagem que muito se assemelha a eugenia.


[1] Paradoxalmente, isso não significa que uma falta de alimentos não seja uma realidade no futuro, devido a inúmeros fatores.
[2] Acreditava-se na tendência para atos criminosos determinada pela genética.