quarta-feira, 23 de maio de 2012

Lisa Emanuely

Por: Beto de Souza
Ela não pode sequer entender a voz do pai
E mesmo ouvindo muito, não poderá compreender a sua mãe
Ela se mexe, mas ainda não corre, não bagunça os livros
Ela chuta! Mas ainda não derruba as maquiagens da mãe
Ela está “aqui” o tempo todo, que faz parte da vida
É “só” uma possibilidade que está por acontecer...
Mas que sentimento faz os pais falarem “minha menina”?
Para uma “menina” que ainda vai nascer?
Ela é presença garantida até no mais longínquo futuro
Não haverá mais ano que vem sem a Lisa Emanuely...
Não fala, não anda, mas mudará a vida de duas pessoas
                                             Tornando um amor imenso em algo ainda mais alegre!

terça-feira, 15 de maio de 2012

O Legado da Era Vargas



Após o atentado da Rua Toneleros, em 1954, eram intensas as pressões pela renúncia de Getúlio Vargas, que desde 1951 havia voltado ao poder por voto direto. No dia 23 de agosto de 1954, foi aconselhada em reunião com os ministros, a retirada de Vargas da presidência. Na madrugada do dia 23 para o dia 24, em seus aposentos, com um tiro no coração, o “pai dos pobres” pôs fim à própria vida.
Jucelino Kubitschek, já sobre o estigma de “O sucessor de Vargas”, por voto direto, assume a presidência da república em 31 de janeiro de 1956, após breve período de presidentes interinos.
Para cumprir suas metas, Jucelino Kubitschek valeu-se de uma estrutura que já havia sido criada pelo governo de Getúlio Vargas, como planos de desenvolvimento que envolvia o BNDE (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico) e a Petrobrás. Visando o desenvolvimento da indústria, Vargas cercou-se de técnicos que, dentre as muitas tarefas, estudavam formas de desenvolver o setor automobilístico no Brasil, o que no governo Jucelino Kubitschek, foi um dos carros chefes.
Como fora feito na época de Vargas, Jucelino Kubitschek criou grupos de estudo, com o intuito de desenvolver um sistema de planejamento para permitir soluções rápidas para as questões do país, justificando o slogan do governo: “50 anos em 5”.
Era forte durante os anos 50, a ideia do progresso, da industrialização e do crescimento econômico, ideia legada da Era Vargas, pois Getúlio sabia com maestria, propagandear a ideologia progressista. Talento que fez escola na figura de Jucelino Kubitschek, aproveitando-se de uma estrutura anteriormente formada, com um corpo institucional consolidado, um sistema burocrático e estatal já configurado, que facilitou a governabilidade.
Toda a estrutura estatal que permitiu a Jucelino Kubitschek acionar dispositivos de taxação, financiamento e cobrança, já estava pronta desde a Era Vargas, o que possibilitou ao presidente, desenvolver o plano de governo que o tornou célebre.
           Companhia Siderúrgica Nacional, Petrobrás, Banco Nacional de Desenvolvimento, Eletrobrás e a CLT, são elementos do Brasil contempâneo legado da Era Vargas. Quase 60 anos após ter cometido suicídio. A presença Getúlio Vargas, ainda pode ser sentida, em um Brasil que ele ajudou a configurar.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Uma voz contra a ditadura


Uma voz contra a ditadura

RESUMO
Este artigo tem por objetivo averiguar a relação existente entre a imprensa na cidade de Ribeirão Pires, com o período da ditadura militar, no ano de 1976. Para isso, serão utilizados exemplares do periódico semanal “A Voz de Ribeirão Pires”, que foram publicados no referido ano.  Pela leitura de matérias publicadas, procuraremos levantar pistas que evidencie qual era a relação da imprensa e demais instituições da região, com o governo deste período.
Palavras chave: imprensa, ditadura, Ribeirão Pires
ABSTRACT
This article aims to investigate the relationship between the press in the city of Ribeirão Pires with the period of military dictatorship in 1976. For this, we will use copies of the weekly newspaper "The Voice of Ribeirão Pires," which were published in that year. By reading published material, try to raise ideas as to reveal what was the relationship between the press and other institutions in the region with the government of this period.
Key words: press, dictatorship, Ribeirao Pires

Em 1964, um golpe militar põe fim ao governo do presidente João Goulart.  O que segue após isso, são períodos, cada qual com suas características[1], mas que se convencionou rotular como “O período Militar”.  (CARVALHO, 2004)
Como é de praxe em governos ditatoriais, providencias foram imediatamente tomadas para dificultar a vitória eleitoral dos opositores. Assim, em 1965, o AI-2 decreta o fim de todos os partidos políticos existentes, adotando um sistema bipartidário: O ARENA, partido do governo e o MDB, partido da oposição consentida.
Foi em 1969 que se iniciou a fase mais repressiva do período, sobre o comando de Emílio Garrastazu Médici (MARTINS, 1999, p.66).  Durante este governo, foi criado um eficiente sistema de reação:
Tal sistema repressivo foi usado para combater os chamados inimigos ideológicos do regime, bem como a luta armada no Brasil que se manifesta em termos cronológicos de forma mais constante justamente no período de governo de Médici (MARTINS, 1999, p.68)


Durante o período militar, a grande imprensa ou se posicionava a favor do regime, ou sofria censura quando algum jornalista se posicionava contra o governo. Segundo Ricardo Constante Martins (MARTINS 1999, p.15):
O governo exercia um forte controle sobre esses meios de comunicação, que tendiam, obviamente, a apoiá-lo. Através de uma política de concessão de licença ou registros para atuação de emissoras de televisão, jornais, revistas, etc., o governo criava uma espécie de vínculo que, de certa forma, convertia o apoio inicial dado pelo Estado aos donos das empresas de comunicação em dividendos políticos, criando assim uma poderosa infra-estrutura, no nível da propaganda ideológica.
De pequeno porte, surgiram os jornais alternativos, com orientação esquerdista, cujas matérias eram produzidas por profissionais despedidos da grande imprensa. Muitos desses jornais tiveram vida curta, como a “Versus”, “Repórter” e “Opinião”. O “Pasquim”, criado em 1969, teve um tempo maior de duração, atuando por 19 anos.
A partir de 1974, durante o governo de Ernesto Geisel, começa a surgir certa abertura política e a repressão à imprensa diminuiu. . Um exemplo dessa abertura foi percebido pelos acontecimentos do DOI-CODI (Departamento de Operações e Informações do Centro de Operações de Defesa Interna). Este órgão ficava em São Paulo e era dominado pelos militares da linha dura. Foi lá que em outubro de 1975 o jornalista Vladimir Herzog morreu enforcado. Essa morte causou grande repercussão, pois a missa realizada na Igreja da Sé reuniu uma multidão como forma de protesto e isso incomodou o governo. Na sequencia ocorreu outra morte, a do operário Manuel Fiel Filho e desta vez o presidente exonerou o comando do 2º. Exército, órgão responsável pelo DOI-CODI. Em 1977 o Ministro da Guerra, também linha dura, Sylvio Frota perdia o cargo. Era o começo do caminho para a Abertura.
A cidade de Ribeirão Pires, na Região do Grande ABC, em 1976 tinha como prefeito Valdírio Prisco, do partido ARENA. Em “A voz de Ribeirão Pires”, jornal da região, percebem-se os efeitos da abertura política de Geisel. Abertura ainda modesta.
 A Lei nº 6.339 de 1976, assinada pelo presidente da república Ernesto Geisel e apelidada de Lei Falcão, por ter sido criado pelo Ministro da Justiça Armando Falcão, impedia que os fossem veículados pelos meios de comunicação qualquer debate político que criticasse a ditadura militar.
Em “A voz de Ribeirão Pires”, embora o período análisado seja de alguns meses antes da aprovação da Lei Falcão, percebemos um cuidado ao se criticar o governo, onde as matérias não eram assinadas e as acusações eram feitas de maneira genérica, evitando citar nomes. Por exemplo, no artigo, sem créditos, ÉRICO VERÍSSIMO-HOMEM E ESCRITOR na edição de 14 a 20 de janeiro de 1976, pag.6, não temos qualquer informação sobre quem escreveu o artigo que se propõe a falar sobre a vida do escritor gaúcho Érico Veríssimo. A única informação que temos sobre o texto é a “Colaboração da Viação Barão de Mauá[2]”, empresa de transportes da cidade de Mauá, cujo  dono é o influente empresário Baltazar José de Souza.
No artigo, o autor enaltece a figura do escritor, registrando que Veríssimo era um defensor dos “direitos humanos, da verdade e da justiça”, ao mesmo tempo em que sofria perseguição de “certos grupos que pretendem explorar seus semelhantes”. 
Sem discriminar quais são os “certos grupos”, o tempo verbal de “pretendem” parece deixar claro qual a situação do momento.
Com um pouco mais de ousadia, como quem deseja guardar o melhor para o final, o artigo continua, desta vez, falando sobre as preferências políticas do valoroso escritor: “sem ser político, Érico Veríssimo sempre foi um defensor da verdade, da justiça e dos direitos humanos, criticando todo e qualquer regime onde o homem fosse pisoteado”. Aqui, o autor do texto reforça a ideia da idoneidade moral do escritor, contrapondo-a contra a maldade dos “certos grupos”, para depois encerrar o argumento apoteoticamente, chegando a conclusão de sua idéia principal, vinculando os celebrados valores morais do herói, ao partido que ele apoiava: “Sua participação na política, foi durante as  ultimas eleições eleições, quando apoiou publicamente Paulo Brosard, canditado do MDB gaucho ao senado, finalmente vitorioso com larga margem de votos”. Assim, ao final da matéria, o leitor deve entender que quem é justo, verdadeiro e defensor dos direitos humanos, como o modelo de fibra moral representado por Érico Veríssimo, deve votar nos cadidatos do MDB, partido da oposição, enquanto o ARENA, partido do governo, representa “certos grupos”, que exploram seus semelhantes e pisoteiam o povo.
Já na matéria A ANISTIA FAVORECERIA A DISTENSÃO, publicado no exemplar que cobriu o período de 7 a 14 de abril de 1976, na página 4, também sem créditos ao autor, evidencia-se o processo de abertura política promovida pelo governo do presidente Ernesto Geisel: “...as Forças Armadas compreendem a urgente necessidade de melhorar seu relacionamento com as forças políticas.” Isso, segundo a interpretação de um representante do MDB.
Na matéria OPERAÇÃO CONTRA AS FAVELAS E O HUMANISMO, de 21 a 27 de abril de 1976, página 1, nota-se o sutil retorno da democracia, onde a censura à imprensa começara a afrouxar. Mesmo assim, o autor da matéria, ainda sem se identificar, em um primeiro momento parece querer justificar a atitude da prefeitura que mandou remover os moradores da favela do Jardim Guanabara: “para muitas pessoas de bons sentimentos e ótimas intenções, mas sem muito conhecimento do assunto...”, o autor começa deixando claro que quem está contra a prefeitura, ignora a realidade mas é o governo quem tem a melhor resposta, pois apenas  “...parece que a Prefeitura foi brutal e desumana...”
Então, o autor dá a palavra ao prefeito, Valdírio Prisco, que explica tal atitude como sendo tomada por: “respeito a esses seres humanos, evitando que as companhias continuassem a explorar o povo, e proliferando favelas.”
E a matéria prosegue, explicando como as imobiliárias[i] são más, vendendo lotes ilegais para as pessoas que queriam fugir do aluguel, e como o paladino do povo o defendeu, removendo-o de seus barracões de madeira e cendendo, temporariamente, casas de alvenaria no centro da cidade. Já o povo, segundo a matéria, não tinha do que reclamar: “As pessoas que nos atenderam, quase não fazem queixas...”, informa o  anônimo autor, apenas não deixando claro se eles não tinham do que reclamar, ou se não podiam reclamar.
Contudo, a matéria segue, agora, dando voz ao povo: “O operário que trabalha a noite, por sua vez, nada quis declarar”. Se nada quis declarar, o assunto deveria terminar aqui, mas, contradizendo-se, a matéria prossegue: “Não acredita em promessas e só aceita o que tiver papel escrito (...) É doente e o caso do embargo dos loteamentos foi mais um problema para dificultar sua vida.”
Reviravolta impressionante. Contraste entre a resposta da prefeitura: “respeito aos seres humanos” e  o “problema para dificultar a vida” do trabalhador pobre que perdeu seu barraco na favela, nada tendo a declarar, exceto seu ceticismo com o governo e as mazelas de sua vida sofrida. Clarea-se, então, as intenções do autor, apelando para a emoção dos leitores com a imagem de “uma menina, muito esperta” que ganhou uma lata de leite em pó.
 E, assim, matéria encerra com a publicação, na integra, de um manifesto do MDB sobre o assunto.  E ao leitor, pego de supresa por essa reviravolta, fica a impressão de que existe algo errado entre o discurso do político e a  situação real do país.



CONCLUSÃO

Era tendência da grande imprensa, durante o período militar, o apoio ao governo, devido a uma política de concessões de licenças e registros. Após um período de forte repressão à imprensa, houve, durante governo do presidente Ernesto Geisel, uma abertura maior, fruto de uma tentativa progressiva de redemocratização.
 Por isso percebeu-se pela investigação realizada, que o jornal A Voz de Ribeirão Pires, durante o período da ditadura, adotava uma postura de oposição ao governo, devido a uma maior quantidade de matérias de denúncia à ditadura, do que as que eram a favor do governo militar. Notamos certa prudência nas críticas, onde as matérias raramente eram assinadas, mesmo antes da aprovação da Lei Falcão em 1º de julho de 1976, que proibia os debates políticos nos meios de comunicação.
Percebeu-se também, uma certa ambiguidade dos jornalistas em algumas matérias, onde elogios e críticas eram feitas, de forma que as últimas fossem atenuadas pelas primeiras.





MATÉRIAS LIDAS NA PESQUISA:
Tiradas do jornal “A voz de |Ribeirão Pires” do ano de 1976

A ANISTIA FAVORECERIA A DISTENSÃO: 7 a 14 de abril, p. 04
O QUE É POSTO DE EMPREGO DO MOBRAL: 14 a 20 de abril, última p.
OS VERDADEIROS CAMINHOS DA UMBANDA: 28 de Janeiro a 03 de Fevereiro, última p.
CADEIA OU INFERNO: 09 a 15 de Junho, p.06
O POVO E AS ELEIÇÕES: de 08 a 14 de Dezembro, p.1

Bibliografia:
MARTINS, Ricardo Constante. Ditadura Militar e propaganda política: A revista Manchete durante o governo Médici. São Carlos: [s.n]. 1999

História do Brasil, edição exclusiva da Folia de São Paulo. 1997
Páginas consultadas:
Texto de Olavo de Carvalho disponível em:  http://www.olavodecarvalho.org/textos/resumo_1964.htm
Acessado em 26/04/2012
Acessado em 30/04/2012


[1]  O autor considera em seu artigo, que não existe uma “ditadura militar”, mas vários períodos cada qual com suas próprias características
[2] Percebemos que tomar uma posição política na imprensa, ficava muito mais fácil quando se falava em nome de uma organização com certa influência: em uma oportunidade que tivemos de investigar o jornal “A voz de Ribeirão Pires” de 9 a 15 de fevereiro de 1978, na página 4, lemos uma pequena matéria onde a autora Deise Aparecida Martineli, em nome da Igreja Católica, alertava sobre os perigos da música de protesto. Esperamos que nossos colegas, que investigaram mais aprofundadamente esse jornal, no ano de 1978, nos mostrem mais da diferença entre o período antes e depois da vigência da lei Falcão.


[i]  Contudo a responsabilidade (ou falta dela, no caso) da prefeitura é evidente, pois ela é que deveria fiscalizar a venda e a construção ilegal de lotes.


sábado, 14 de abril de 2012

Desenvolvimento Profissional

A história da humanidade é longa. E em cada época, nota-se a luta do homem pela sobrevivência. Darwin nos mostrou em seu livro, “A origem das espécies” de 1859, que o mundo muda e só sobrevive o indivíduo que melhor estiver adaptado a essas mudanças. Foi assim no passado. E assim ainda é.
Se já foi tendência anterior, no mercado de trabalho, as empresas contratarem priorizando as qualidades técnicas do candidato, a globalização, a mudança nos meios de comunicação e as novas tendências tecnológicas, fez as grandes empresas mudarem o seu foco e, agora, começam a dar uma relevância cada vez maior para as habilidades pessoais dos candidatos.
Espírito de liderança, pontualidade, relacionamentos interpessoais, boa comunicação, hoje em dia são tão, e às vezes até mais, importantes do que as habilidades técnicas. E mais uma vez, só terão chances aqueles que se adaptarem a essas mudanças.
Torna-se necessário a todos os interessados na sobrevivência neste mundo profissional, um bom planejamento de vida baseado na visão de mundo da pessoa, no qual o profissional defina quais são seus objetivos a curto e médio prazo, como alcançar esses objetivos, quais recursos irá necessitar para isso, quais habilidades desenvolver, quais defeitos minimizar, ou seja, torna-se imprescindível que a pessoa realize um exercício de autoconhecimento.
          Somente por meio do autoconhecimento o indivíduo saberá qual o seu objetivo na vida e qual a melhor forma de alcançá-los.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A Era Vargas

Um episódio marcante na história política do Brasil é aquele relacionado à chegada de Getúlio Vargas ao poder, por meio do que se convencionou chamar de “Golpe de 1930”. Em uma série de eventos abalizados por interesses de classes, desejo de poder e ideologias revolucionárias, a “Era Vargas” apresenta um quadro riquíssimo para se entender o cenário político da atualidade.
A conjuntura política que criou ocasião para a chegada de Getúlio ao poder iniciou-se com a crise da chamada “política do café com leite”, revezamento de poder no qual, durante a República Velha, ora escolhia-se um paulista para presidente da república, ora escolhia-se um mineiro. Desta forma, dividia-se o poder entre as poderosas oligarquias de São Paulo e Minas Gerais.
Iniciada em 1898, desde 1919, a república do café com leite mostrava os primeiros sinais de enfraquecimento devido aos problemas econômicos causados pela Primeira Guerra Mundial. O ápice da crise desenrolou-se quando o paulista Washington Luís indicou para seu sucessor à presidência da República, o também paulista Júlio Prestes, rompendo o acordo político entre os dois estados.
Minas Gerais, então, juntou-se com o Rio Grande do Sul e lançou a candidatura do gaúcho Getúlio Vargas, que foi derrotado nas eleições. Insatisfeitos, os mineiros não permitiram a posse de Júlio Prestes e por meio de um golpe levaram Vargas ao poder em 1930, iniciando o governo provisório.
Quando Getúlio chegou ao poder, transformou-se em uma figura centralizadora e autoritária, o período em que ele atuou de 1930 até 1945, ficou conhecido pela historiografia brasileira por “A era Vargas”.
Os primeiros anos de seu governo foram marcados por problemas internos dos setores que o apoiavam e por problemas também com a oposição. Um dos maiores problemas que Getúlio teve que lidar, foi a sua relação com os tenentes que o ajudaram a chegar ao poder na revolução de 30 (ou golpe de 30), quando se congregaram à Aliança Liberal em 1929, pois tinham uma visão própria de como o país deveria ser conduzido.
Quase todos os governos dos estados foram entregues aos tenentes, que agiam como interventores e iniciaram uma forte oposição à Vargas. Os confrontos nunca foram armados, mas políticos. Contudo, os tenentes foram derrotados. Frente a isso, muitos largaram as forças armadas, outros se integraram a grupos radicais e outros, a maioria, passaram a apoiar Getúlio Vargas.
Outro problema para o governo foram as elites regionais que não concordavam com o autoritarismo de Vargas, principalmente a de São Paulo que nunca engolira o golpe no qual o paulista Julio Prestes fora impedido de tomar posse. Toda essa tensão acabou deflagrando a revolução de 1932, onde São Paulo lutou por vários meses até ser finalmente derrotado pelas forças do governo federal.
A revolução de 1932 ficou conhecida como “Revolução Constitucionalista”, pois os paulistas não concordavam com a forma ditatorial pela qual Getúlio estava conduzindo o país e por isso exigiam uma constituição para implantação de um regime democrático.
Porém, na verdade já estava prevista pelo governo federal uma assembléia constituinte e em Julho de 1934 foi aprovada a nova constituição brasileira.
A constituição de 1934 estabeleceu o foto secreto, deu direitos aos trabalhadores, baseado nas idéias socialistas, propiciou o foto feminino, entre outros. Também foi esta assembléia que elegeu, por voto indireto, Getúlio Vargas como presidente da República.
No final dos anos 30 o Brasil passou por muitas transformações. Na ordem econômica, a crise que se instaurou no mundo prejudicou o comércio do café brasileiro e para sanar esta dificuldade o governo começou a comprar café dos cafeicultores, queimando posteriormente as sacas. Assim, visava regular a produção.
Com a dificuldade de importar produtos industrializados do exterior, o país foi levado a uma produção interna de bens de consumo o que levou a industrialização do Brasil.
Na área da educação, dá-se, devido à industrialização, uma maior ênfase no ensino técnico para a formação de mão de obra qualificada.
Politicamente, Getúlio manteve seu estilo autoritário e minou a possibilidade de uma expressão sindical livre, com a criação de confederações e federações ligadas ao governo. Assim, proporcionava uma unicidade que mantinha os trabalhadores sobre controle, ao mesmo tempo em que garantia o apoio da classe trabalhadora, por incentivar a mobilização popular.
Também foram características desta fase, os movimentos sociais: o de extrema direita, representado pelos integralistas, tendo Plínio Salgado como líder e o de extrema esquerda, representado pelo movimento socialista de Luís Carlos Prestes.
O movimento integralista era de uma forte inspiração fascista, totalitários e adeptos a um partido único. Eram grandes apoiadores do governo Vargas, na esperança de um dia, alcançar o poder. Getúlio Vargas a princípio, mostrou-se simpático ao movimento até o golpe de 1937. Com a instauração do Estado Novo, após 37, os integralistas foram postos na marginalidade. Alguns ainda tentariam, sem sucesso, um golpe. Porém o movimento perdeu força e acabou por se dissolver.
Já o movimento socialista tinha uma abordagem diferente dos integralistas, preferindo o confronto contra o governo. A Aliança Nacional Libertadora tinha o objetivo de formar uma grande frente popular de oposição ao governo de Vargas, lutando por profundas mudanças do país.
A aliança Nacional Libertadora foi combatida pelo governo que colocou os comunistas na ilegalidade. Em resposta, os comunistas organizaram a “intentona”, uma revolta armada que resultou no conflito de 27 de novembro de 1935, com 70 militares mortos só no Rio de Janeiro e outros 33  que foram mortos na calada da noite por militantes comunistas.
Esse fato serviu de pretexto para que Getúlio Vargas criasse o Estado Novo, por meio do golpe de 1937, onde forças policiais fecharam o Congresso, sem nenhuma resistência.
Foi durante o Estado Novo que em 1937, Getúlio apresentou à nação a nova constituição, acabando com os partidos e todos os tipos de organizações civis. Também foram extintas as Assembléias Legislativas e as Câmaras Municipais. Com isso Getúlio amontoava para si, toda a autoridade. Iniciou depois disso um forte sistema de controle ideológico, com a criação do DIP (Departamento de Imprensa e propaganda) que se encarregou em censurar os meios de comunicação e órgãos da imprensa contrários ao Estado Novo.
Uma das primeiras providências do DIP foi transformar os jornais em serviço de utilidade pública, o que obrigava os mesmos a publicarem os comunicados do governo sobre pena de prisão do diretor do jornal. Outra exigência foi o de registro dos jornais e repórteres, muitos jornais acabaram fechando por não conseguirem o tal registro.
Em fevereiro de 1932 ocorreu o fechamento do jornal O Diário Carioca. Em março de 1940 o jornal O Estado de São Pulo chegou a ser invadido pelo DOPS (Departamento da Ordem Política e Social), por fazer oposição ao Estado Novo, sendo fechado e depois confiscado pelo DIP, passando a ser controlado pelo mesmo. Seu proprietário, Júlio de Mesquita Filho, teve que partir para o exílio.
Contudo, vale ressaltar que em um ambiente onde impera o autoritarismo sempre existirão os reacionários. Assim, apesar de toda a repressão, surgiram na época vários jornais que operavam na clandestinidade, como o tablóide carioca Liberdade e os paulistas Folha Dobrada e Resistência, dedicados a denunciar os abusos autoritários do Governo Vargas.
Também era tarefa do DIP: censurar o cinema e o teatro, controlar as atividades recreativas, a radiodifusão e garantir que nenhum tipo de idéia contra o Estado Novo fosse veiculado, bem como também estimular manifestações artísticas que exaltassem o governo ou seu líder.
Todo esse aparato de repressão e controle visava o fortalecimento do Estado e a manutenção de seu poder.
Os processos históricos que levaram ao fim do Estado Novo, iniciaram em 1939, com o início da Segunda Guerra Mundial. Getúlio Vargas sempre fora um admirador do modelo fascista e nazista de governo e quando os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial, houve uma preocupação por parte dos americanos em relação às afinidades do governo brasileiro com a Itália e Alemanha, pois se o Brasil começasse a apoiar os países do Eixo (Itália, Alemanha e Japão), seria uma vantagem estratégica perigosa. Contudo, até então o Brasil assumira uma postura de neutralidade frente aos conflitos.
Tirando vantagem da situação, Getúlio Vargas conseguiu um empréstimo de 20 milhões de dólares para a construção da Usina de Volta Redonda. Era a política da boa vizinhança do presidente Roosevelt em ação, dando incentivos financeiros muito embora possuísse planos de invadir o nordeste brasileiro caso o país insistisse em se manter neutro na guerra.
Vargas por fim, acabou declarando guerra aos países do Eixo por alguns motivos: o bombardeio alemão aos navios brasileiros, em represaria à adesão do Brasil aos compromissos da Carta do Atlântico, pressões populares e pressões diplomáticas norte-americanas.
          Politicamente, a participação brasileira na Segunda Grande Guerra aumentou o prestígio brasileiro no cenário internacional, principalmente frente aos Estados Unidos, mas não conseguiu abafar a tensão de uma ambivalência entre o sentimento de liberdade pós-guerra e um Estado repressor. Ambivalência que foi sentida pelas estruturas do poder varguista e que foi responsável pelo fim do Estado Novo em 1945.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A Participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial

Ambigüidade.
Segundo o dicionário é a qualidade do que é indeterminado, ambivalente, paradoxal.
Se pudéssemos personalizar o conceito, talvez seu nome fosse Getúlio Vargas. Para entender o porquê, vamos analisar o contexto histórico em que ele viveu:
Getúlio Dorneles Vargas nasceu em 1882 no município de São Borja, estado do Rio Grande do Sul. No início do século XX, época em que Vargas trabalhava como promotor público, difundia-se em seu estado o castilhismo, corrente política de cunho autoritário cuja influência ajuda a explicar a posterior admiração de Vargas pelas formas de governo da Alemanha (nazista) e Itália (fascista)
A crise financeira de 1929 contribuiu para que o liberalismo fosse questionado e fortaleceu a ideologia autoritária, a crença em um Estado forte e todo ideário nacionalista que caracterizou não apenas o Brasil, mas também países europeus.
Quando instaurou o Estado Novo em 1937, Getúlio Vargas optou pela criação de um Estado forte e de profunda inspiração no modelo fascista, tanto que não hesitou em extraditar para Alemanha a militante de origens judaicas, Olga Benário, que morreu executada no campo de extermínio de Bernburg.
Quando os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial, houve uma preocupação por parte dos americanos em relação às afinidades do governo brasileiro com a Itália e Alemanha, pois se o Brasil começasse a apoiar os países do Eixo (Itália, Alemanha e Japão), seria uma vantagem estratégica perigosa. Contudo, até então o Brasil assumira uma postura de neutralidade frente aos conflitos.
Tirando vantagem da situação, Getúlio Vargas conseguiu um empréstimo de 20 milhões de dólares para a construção da Usina de Volta Redonda. Era a política da boa vizinhança do presidente Roosevelt em ação, dando incentivos financeiros muito embora possuísse planos de invadir o nordeste brasileiro caso o país insistisse em se manter neutro na guerra.
Vargas por fim, acabou declarando guerra aos países do Eixo por alguns motivos: o bombardeio alemão aos navios brasileiros, em represaria à adesão do Brasil aos compromissos da Carta do Atlântico, pressões populares e pressões diplomáticas norte-americanas.
Daí a ambigüidade: por um lado temos o combate à forma autoritária de governo, sendo que no próprio solo mantinha-se uma forma de governo autoritária. Politicamente, a participação brasileira na Segunda Grande Guerra aumentou o prestígio brasileiro no cenário internacional, principalmente frente aos Estados Unidos, mas não conseguiu abafar a tensão de uma ambivalência entre o sentimento de liberdade pós-guerra e um Estado repressor. Ambivalência que foi sentida pelas estruturas do poder varguista e que foi responsável pelo fim do Estado Novo em 1945.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

O autoritarismo como marca na história política brasileira

“O Homem é um Animal Político”

                                                     Aristóteles

A política, segundo o significado da palavra que advém do grego, são ações relativas ao Estado ou a Nação. A necessidade de atos de organização, administração e direção do Estado pressupõe em tese, uma conjuntura de injustiça social a ser sanada por atos políticos.
A maneira como o Estado se organiza para exercer sua autoridade sobre a sociedade em que atua é denominada pela ciência política de forma de governo, ou sistema político.
O autoritarismo é uma forma de governo que privilegia a autoridade do Estado, onde os legisladores não são escolhidos pelo povo, como acontece em uma democracia. Nesta forma de governo, um indivíduo ou instituição excede suas funções para exercer uma autoridade que não lhe é ordinária.
Em várias fases de sua história o Brasil experimentou atos de autoritarismo. No primeiro reinado, por exemplo, D. Pedro I usou as forças armadas para suprimir a constituinte que intencionava diminuir seu poder, prendeu opositores, fechou jornais, e não admitia nenhum tipo de crítica.
Na Primeira República eclode durante o governo de Floriano Peixoto  a Revolução federalista no Rio Grande do Sul, motivada pelas atitudes autoritárias do presidente do Estado, Julio de Castilhos.
O primeiro teórico do autoritarismo brasileiro foi Alberto Torres (1866-1917), cujas idéias nacionalistas inspirariam o movimento tenentista e o Movimento Integralista.
Contudo, o período em que o autoritarismo mais atuou, deixando sua perene marca na política brasileira, sem dúvida foi durante o Estado Novo (1937-1945), sob comando de Getúlio Vargas.
Foi durante o Estado Novo que em 1937, Getúlio apresentou à nação a nova constituição, acabando com os partidos e todos os tipos de organizações civis. Também foram extintas as Assembléias Legislativas e as Câmaras Municipais. Com isso Getúlio amontoava para si toda a autoridade. Iniciou depois disso um forte sistema de controle ideológico, com a criação do  DIP (Departamento de Imprensa e propaganda) que se encarregou em censurar os meios de comunicação e órgãos da imprensa contrários ao Estado Novo.
Uma das primeiras providências do DIP foi transformar os jornais em serviço de utilidade pública, o que obrigava os mesmos a publicarem comunicados do governo sobre pena de prisão do diretor do jornal. Outra exigência foi o de registro dos jornais e repórteres, muitos jornais acabaram fechando por não conseguirem o tal registro.
Em fevereiro de 1932 ocorreu o fechamento do jornal O Diário Carioca. Em março de 1940 o jornal O Estado de São Pulo chegou a ser invadido pelo DOPS (Departamento da Ordem Política e Social), por fazer oposição ao Estado Novo, sendo fechado e depois confiscado pelo DIP, passando a ser controlado pelo mesmo. Seu proprietário, Júlio de Mesquita Filho, teve que partir para o exílio.
Contudo, vale ressaltar que em um ambiente onde impera o autoritarismo sempre existirão os reacionários. Assim, apesar de toda a repressão, surgiram na época vários jornais que operavam na clandestinidade como o tablóide carioca Liberdade e os paulistas Folha Dobrada e Resistência, dedicados a denunciar os abusos autoritários do Governo Vargas.
Também era tarefa do DIP: censurar o cinema, teatro, controlar as atividades recreativas, a radiodifusão, para garantir que nenhum tipo de idéia contra o Estado Novo fosse veiculado, bem como também estimular manifestações artísticas que exaltasse o governo ou seu líder.
Todo esse aparato de repressão e controle visava o fortalecimento do Estado e a manutenção do poder de Vargas.
Após a era Vargas o país ainda iria passar por outros períodos autoritários, tendo os mecanismos de censura ampliados após o golpe de 64, com a instauração do AI 5.
Atualmente o autoritarismo continua vigente, ainda que mascarado. Foi o que se percebeu durante o Governo Lula, impondo sua candidata ao partido, sugerindo a extinção do partido de oposição, o DEM, e fazendo campanha contra a imprensa.
Uma ditadura não se apronta da noite para o dia, mas leva tempo. O governo Lula foi um governo de transição. Sua missão foi eliminar a oposição ideológica, dissolvendo as diferenças entre a esquerda e a direita. Assim, o terreno fica preparado para que a sua sucessora, Dilma, conclua o plano muito bem elaborado que fará o autoritarismo, mais uma vez, deixar suas marcas na política brasileira.