quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O Período Militar

O movimento militar de 1964 foi resultado de uma inter-relação de forças políticas e econômicas. Do ponto de vista político, a ameaça socialista assombrava as mentes de setores da área militar e também de setores civis, que viam com preocupação o governo populista de João Goulart. Na área econômica, a população era reduzida a miséria por meio da elevação dos gastos públicos, que provocava a inflação responsável por tornar inúteis os aumentos salariais. Essas tensões políticas e sociais resultaram nos eventos de 31 de março de 1964.
O Regime Militar, que se sucedeu ao golpe, foi fortemente inspirado na Política de Segurança Nacional, desenvolvida nos Estados Unidos. Por meio dela, buscava-se evitar que no Brasil se instalasse uma ditadura comunista inspirado no modelo cubano. De fato, Cuba apoiava o movimento armado brasileiro desde antes do Golpe Civil-Militar de 64.
No poder, os militares optaram por fazer uma reestruturação do país por meio do poder Executivo, em detrimento do Congresso. Assim, por meio dos “Atos Institucionais”, essa reformulação se baseou na extinção dos partidos políticos, prisões, cassação de mandatos, entre outros atos que partiam da presidência da república, comandado por Castelo Branco.
O governo Castelo Branco ficou caracterizado pela divisão das forças armadas: existia o grupo mais intelectualizado que pretendia fazer a expurgação da corrupção e dos comunistas, para que tão logo cumprido essa meta, fosse devolvido o controle do país aos civis. Em oposição a essa linha, existia o grupo “Linha Dura”, que acreditava estar a nação  sob grande risco de um levante comunista, e que era a favor de uma permanência dos militares no poder, tendo uma atitude  de dureza contra os inimigos do Regime. Castelo Branco era simpático ao primeiro grupo.
Havia uma pressão da “Linha Dura” no sentido de convencer Castelo Branco a extinguir o sistema partidário, uma vez que poderia enfraquecer os militares se estes perdessem as eleições. O AI2 nasceu como resultado destas pressões e por meio dele, não apenas os partidos políticos foram extintos, como também impossibilitou a criação de novos. Em substituição ao extinto sistema pluripartidário, veio à luz o sistema bipartidário com o ARENA, partido do governo, e o partido da oposição consentida, o MDB.
Em plena época da Guerra Fria, onde o mundo de dividia entre a União Soviética, com sua política de expansão mundial da Revolução e os Estados Unidos que lhe fazia oposição, o Regime Militar brasileiro optou por ficar do lado norte-americano, dito como o defensor da democracia no mundo. Neste contexto, os castelistas simpatizantes dos Estados Unidos, assumiam uma posição mais democrática do que os integrantes da “Linha Dura”, assumindo uma posição nacionalista, não se intimidando em utilizar a violência e a repressão.
Na constituição de 1967 se refletiu de maneira evidente essa tensão do período da Guerra Fria, por meio da Doutrina de Segurança Nacional. Também foi oficializado nesta constituição o voto indireto, muito embora os atos institucionais já permitissem essa prática.
Mesmo contra a vontade de Castelo Branco, o mandato do mesmo, como presidente, foi prorrogado. Visto que o grupo castelista não havia conseguido sucessor, os militares da Linha Dura conseguiram firmar na presidência o general Costa e Silva.
Em 1968 a efervescência promovida pela mentalidade revolucionária, estoura no Brasil se refletindo em diversas áreas. O Tropicalismo foi um movimento de vanguarda que expressava novos objetivos comportamentais que encontraram eco em boa parte da sociedade.
A “Passeata dos Cem Mil”, no Rio de Janeiro, foi resultado direto dessa nova onda revolucionária, deflagrada depois da morte de Edson Luís de Lima Souto, estudante secundarista de 17 anos. O movimento reivindicava a redemocratização do país. Essa série de manifestações, unidas a deflagração do ato terrorista por grupos de esquerda, como o atentado ao aeroporto de Guararapes em 1966, resultaram em endurecimento do governo, intensificação da repressão e o AI5 trazendo de volta todas as medidas que haviam sido suspensas em 1967.
A partir de 1968 a luta armada do Brasil alcança seu auge. Acreditava-se que por meios pacíficos não seria possível mudar o estado de coisas no país e assim, surgiram vários grupos armados. A ALB (Aliança Libertadora Nacional) teve como líder Carlos Maringuela, morto pela repressão em 1969. Outros grupos guerrilheiros foram formados como o VPR (Movimento Popular Revolucionário), sob liderança de Carlos Lamarca. A luta armada no Brasil recebeu forte influência do exemplo cubano, devido ao sucesso que a Revolução obteve na ilha de Fidel.
A resposta do Regime Militar foi dura, com tortura, violência e repressão. Quanto Costa e Silva foi afastado do poder devido a uma doença, o país passou para o controle de uma Junta Militar.  Depois, por meio de eleições indiretas, chegou ao poder o presidente Médici, com quem a repressão e a violência continuaram.
Apesar deste aspecto negativo, iniciou-se neste período um forte desenvolvimento, que foi possível graças ao saneamento financeiro elaborado no governo Castelo Branco.
Se a economia brasileira nesta época crescia a passos largos por um lado, por outro esse mesmo crescimento era responsável por uma maior dependência do capital estrangeiro.
Médici, que pertencia à ala “Linha Dura” não conseguiu fazer sucessor. Assim, subia à presidência em 1974, o General Geisel, que pertencia à ala moderada dos castelistas.
 A principal característica desde governo foi as atitudes de afrouxamento da ditadura, uma abertura política em caráter paulatino, de forma que todo o processo de transição fosse feita de maneira segura. Contudo, esse processo gradual não foi feito de modo completamente seguro, uma vez que Geisel teve que enfrentar uma série de atos violentos promovidos pela “Linha Dura”, visando impedir essa abertura. Geisel também agiu de forma repressiva em muitas oportunidades. De certa forma, era também uma espécie de resposta de Geisel à “Linha Dura”.
Merece destaque a atuação da Igreja Católica durante o período militar, de onde saíram muitas pessoas que ofereceram oposição ao Regime. Figuras destacadas de oposição aos militares foram Dom Helder Camara e Dom Paulo Evaristo Arns.
Nos anos 70 começam a aparecer diversos movimentos grevistas que, entre outras reivindicações, reivindicam melhores condições salariais. Em 77, 78, esses movimentos eram grandes na região do ABC, onde se destacou o dirigente Luis Inácio Lula da Silva.
O general João Batista Figueiredo, foi o último general militar do Regime. O fato de Geisel ter conseguido fazer seu sucessor apresenta algo de diferente na posse de Figueiredo, pois era missão deste continuar a abertura política, como de fato se deu, apesar de o mesmo ter tido integrante do SNI (Serviço Nacional de Informações), um dos órgãos mais repressores da Ditadura Militar.
Apesar disso, Figueiredo continuou a abertura política, sendo que uma de suas mais importantes realizações foi a concessão da anistia. Outra realização que merece destaque do governo de Figueiredo foi o término do bipartidarismo, ato a partir do qual, veio à existência vários partidos, que até hoje são conhecidos.
Nos anos oitenta, o movimento social de maior importância foi o que ficou conhecido como “Movimento das Diretas Já”, pelas eleições diretas para a presidência da república, ou seja, para que as eleições para presidente deixassem de ser executadas pelo Congresso, mas sim por voto direto. O movimento foi um fracasso: pois não obteve os números suficientes de votos, mesmo tendo sito passado pelo Congresso.
Contudo, a eleição de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral representaria o surgimento de uma nova esperança para o povo brasileiro, pelo fim do regime autoritário. A morte inesperada de Tancredo Neves leva ao poder o seu vice, José Sarney, com quem se inicia o período democrático.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Sou conservador


Sou conservador porque acredito em valores morais  que não se alteram de acordo com as vontades humanas, contextos históricos ou sociais.  Sou conservador porque observo  em nossas crianças a falência moral e cultural, produto da “mente revolucionária” que tudo quer subverter com a negação do que é clássico, em favor de uma modernidade cada vez mais empobrecida e ignorante (não foram os conservadores que criaram a progressão continuada, nem esse monte de balelas que chamam de “educação”, na escola pública)

Sou conservador porque acredito na família como transmissora de valores e observo como ela tem sido bombardeada com todo o tipo de lixo que vem da mídia: novelas que ensinam nossas crianças que o legal e moderno é ser “piriguete”, caçar namorados, vestir trajes sumários para despertar desejos sexuais e ouvir músicas repletas de sacanagens e outras bizarrices, e que ensinam os maridos a terem duas ou três amantes e o que é pior: pintam as pessoas que não concordam com isso, como patéticas e falsos moralistas.

Sou conservador porque tenho consciência de que sou um homem falho, cheio de desejos e impulsos que precisam ser refreados, sob pena de querer usar a sociedade para satisfazer a todos os meus caprichos.

Sou conservador porque acredito em Deus e nos valores transmitidos pela Igreja. Valores que a “mente revolucionária”, não pode suportar, pois, para assumir o poder, ela necessita que o homem viva somente para a revolução, sem concorrentes.

 Sou conservador porque após estudar a história dos movimentos revolucionários, vi os banhos de sangue que delas resultam, a tirania de um Estado controlador que suga toda a vitalidade de seu povo.

Sou conservador porque acredito que os problemas da sociedade devem ser resolvidos com uma educação de qualidade e com desenvolvimento da consciência moral.  Ao contrário do que os “agentes sociais” da revolução supõem, li e continuo lendo muito (grande parte do meu dia eu passo estudando, costume que venho cultivando mesmo antes de começar a faculdade) portanto, eu sei como as mudanças radicais vêm resultando em banhos de sangue e conheço o modus operandi das revoluções que atuam disseminando novas crenças e novos valores, com o objetivo de destruir os fundamentos que amparam a sociedade para que, no futuro, quando ela estiver em colapso, os heróis marxistas possam se levantar como os salvadores do mundo.

Sou conservador. Acredito no livre-comércio. Portanto, contra o Estado centralizador e o unipartidarismo. Sou a favor da democracia, do direito de ir e vir e da liberdade de expressão. Sendo assim, evite a vergonha, senhores esquerdopatas, marxistas e simpatizantes, de tentar me classificar como fascista, nazista ou a “putaqueopariuista”. Sei que existiram e existem muito filhos da puta de direita. Porém, acredito estar do lado do “menos pior”.  E digo isso me baseado no banho de sangue que os movimentos revolucionários têm promovido desde a Revolução Francesa. Sei também que o capitalismo não é perfeito, entendo que temos o dever de lutar para diminuir as mazelas dos povos. Contudo, jamais chegaremos a uma sociedade perfeita. Todos os que tentaram transformar o mundo, promoveram grandes catástrofes.

Sou um cara calmo, calado. Gosto mais de ouvir do que de falar. Mas não confunda isso com ignorância ou covardia sob pena de passarem vergonha...

E  tenho dito.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

A Primeira Guerra Mundial e a Revolução: nacionalismos e ideias socialistas

Comentando sobre a Revolução Francesa como origem de todos os movimentos revolucionários pós 1789, Rubens Recupero (2008, p.60), fornece uma informação bastante apropriada quando diz: “Apesar da derrota das revoluções de 1830 e 1848, aos poucos, as ideias subversivas herdadas de 1789 e que inspiraram essas sublevações – o liberalismo, o constitucionalismo, a república, a doutrina das nacionalidades –passam a constituir o novo paradigma dominante.”

A análise é certeira. O útero no qual os principais movimentos revolucionários foram gerados, pertence aos eventos cujo ápice se deu em 1789, batizada de Revolução Francesa.

Embutida no lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, podemos encontrar os três desdobramentos do Movimento Revolucionário: Liberdade de comércio (Capitalismo), Igualdade de classes sociais (socialismo) e a Fraternidade, onde todos estão unidos pela ideia nacionalista (movimentos nacionalistas).

Quando a segunda corrente revolucionária sofreu esmagadora derrota, ao tentar tomar o poder na malfadada Conjuração dos Iguais, seu exemplo permaneceu incólume, influenciando movimentações futuras, como indica o Professor Antônio David Cattani, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (CATANNI, 2002):

O legado de Babeuf e dos seus companheiros foi incorporado por grupos heteróclitos e, por vezes, antinômicos: falanstérios, cooperativas de produção, associações mutualistas, agrupamentos anarquistas e outras experiências de autogestão. Ele materializou-se em microcomunidades libertárias, na Comuna de Paris, nos Sovietes russos do início do século, nos Conselhos Operários italianos nos anos 20 e em experimentos sociais de auto-organização proletária em vários países.

O fim das Revoluções Liberalistas e o retorno da primeira vertente aos valores morais e religiosos, sobreviventes do Antigo Regime, marcam o início das competições com as duas outras vertentes, neste momento, já identificadas como Movimento Marxista (socialistas)e Nazi-fascista (nacionalistas). (CARVALHO, 2000).

Em meados do século XX, a Europa estava tomada pelos movimentos nacionalistas. Havia rivalidade entre a Inglaterra e a Alemanha e vários focos de revanchismo formando os ingredientes para o imenso barril de pólvora que começava a se formar. Quando Gavrilo Princip cravou de balas o corpo de Francisco Ferdinando, pondo fim à vida do sucessor ao troco Austro-Húngaro, ascendeu o pavio, certamente, da Primeira Guerra Mundial.

O início da Primeira Grande Guerra pôs término ao período da belle époque, onde a Europa, sobretudo a França, desfrutava de toda a riqueza e conforto que só a Revolução Industrial podia proporcionar (ARARIPE, 2006, p.319). Revolução Industrial que, aliás, foi uma grande auxiliar para o Conflito, pois se utilizou largamente de toda a tecnologia que pôde: as ferrovias, o telégrafo, o motor a explosão, a metralhadora, o submarino (ARARIPE, 2006, p. 326)

Contudo, todo este investimento para a guerra custou extremamente caro e a conta foi paga pela a população de ingleses e franceses, com aumento do desemprego e de impostos, fechamento de fábricas e a mudança do centro financeiro mundial da Europa para os Estados Unidos.

Para a Rússia, a Primeira Guerra Mundial foi desastrosa:

[...] A guerra, que todos esperavam curta e vitoriosa, estava sendo longa e desagregadora. Já antes do fim defim de 1915, havia quatro milhões de perdas reconhecidas, entre mortos, feridos, prisioneiros e desaparecidos. Uma carnificina. (FILHO REIS, 1997,p.60)

Diante deste quadro, intensificou-se a crise da Rússia tzarista, o que impulsionou a vitória dos movimentos socialistas no país. Movimentos esses que, nos momentos posteriores, espalhou-se por outros países da Europa.







Referências bibliográficas

RECUPERO, Rubens. A Revolução Russa e o Sistema Internacional. São Paulo: Lua nova, 2008

CATTANI, Antonio David. Libertários e tutelares no mundo do trabalho. Tempo Social; Rev. Soci

MAGNOLI, Demétrio (org); ARARIPE, L.A. Primeira Guerra Mundial. In: História das Guerras. São Paulo: Contexto, 2006

FILHO,  Reis Daniel. Uma Revolução Perdida: a história do socialismo soviético.  São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 1996


Páginas Consultadas:

A Economia na Primeira Guerra Mundial, disponível no site:

 http://pt.shvoong.com/social-sciences/political-science/1651167-economia-da-1%C2%AA-guerra-mundial/

Acessado dia 5 de setembro de 2012

CARVALHO, Olavo de.  O que é o Facsimo?, disponível no site:


Acessado no dia 5 de setembro de 2012

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Jesus Histórico (projeto do TCC)


O esforço para uma reconstrução acadêmica da vida de Jesus existe há 150 anos. É uma história de fantásticas descobertas, reviravoltas e debates infinitos.

Por muito tempo, chegou-se mesmo a duvidar da existência histórica de Jesus, classificando-o na categoria dos mitos. Hoje, as forças das evidências não deixam margens para essa dúvida. Para os que duvidavam dos registros evangélicos, do ponto de vista de sua validade histórica, abriu-se uma corrente de novas possibilidades que representou uma verdadeira ressurreição de Jesus nas discussões acadêmicas. Ressurreição essa, promovido não somente por uma nova metodologia de análise dos escritos evangélicos, como também por evidências oriundas de fontes não cristãs.

Diante de tal força, até os mais ferrenhos céticos nesta área de estudos, em uma prova de honestidade intelectual não mais questionam a existência histórica de Cristo, que se constituiu um inegável fato. Porém, o foco das discutições se deslocou para outra temática, onde os debates, polêmicas e teorias parecem não ter fim.

Atualmente existem dois grupos básicos de historiadores dedicados ao estudo de Jesus. Há os que defendem um Jesus, homem, que nada tem a ver com aquele Jesus que os evangelhos nos apresenta, sendo este último o resultado de lendas que se uniram à realidade histórica. Para esse grupo, o filho de Maria foi apenas um revolucionário, um seguidor de João Batista que irritou as autoridades da época, o suficiente para ser condenado à morte. Ponto final.

Defendem que os evangelhos não são confiáveis historicamente e, que ao longo de séculos, seu conteúdo sofreu muitas modificações. E, assim, nasceu o Jesus que hoje conhecemos.
Do outro lado, estão os estudiosos que mergulharam fundo na história da palestina no século primeiro, sua sociedade, sua cultura, sua religião e, munidos das mais recentes descobertas arqueológicas, principalmente na área da filologia (estudo da língua e dos manuscritos antigos), chegam a uma conclusão completamente diferente: o Jesus apresentado nos evangelhos é exatamente o mesmo que se convencionou chamar de “Jesus Histórico”.

Contestam a afirmação de que esses escritos foram distorcidos para transformar Jesus no que na verdade não era e para isso apresentam uma infinidade de documentos que, segundo eles, provam que não houve modificações significativas na história original.
Nesta monografia, defenderemos a visão do segundo grupo de historiadores e, acreditamos ser capazes de defender nossas conclusões, produtos da análise das evidências que iremos expor em nosso Trabalho de Conclusão de Curso.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Lisa Emanuely

Por: Beto de Souza
Ela não pode sequer entender a voz do pai
E mesmo ouvindo muito, não poderá compreender a sua mãe
Ela se mexe, mas ainda não corre, não bagunça os livros
Ela chuta! Mas ainda não derruba as maquiagens da mãe
Ela está “aqui” o tempo todo, que faz parte da vida
É “só” uma possibilidade que está por acontecer...
Mas que sentimento faz os pais falarem “minha menina”?
Para uma “menina” que ainda vai nascer?
Ela é presença garantida até no mais longínquo futuro
Não haverá mais ano que vem sem a Lisa Emanuely...
Não fala, não anda, mas mudará a vida de duas pessoas
                                             Tornando um amor imenso em algo ainda mais alegre!

terça-feira, 15 de maio de 2012

O Legado da Era Vargas



Após o atentado da Rua Toneleros, em 1954, eram intensas as pressões pela renúncia de Getúlio Vargas, que desde 1951 havia voltado ao poder por voto direto. No dia 23 de agosto de 1954, foi aconselhada em reunião com os ministros, a retirada de Vargas da presidência. Na madrugada do dia 23 para o dia 24, em seus aposentos, com um tiro no coração, o “pai dos pobres” pôs fim à própria vida.
Jucelino Kubitschek, já sobre o estigma de “O sucessor de Vargas”, por voto direto, assume a presidência da república em 31 de janeiro de 1956, após breve período de presidentes interinos.
Para cumprir suas metas, Jucelino Kubitschek valeu-se de uma estrutura que já havia sido criada pelo governo de Getúlio Vargas, como planos de desenvolvimento que envolvia o BNDE (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico) e a Petrobrás. Visando o desenvolvimento da indústria, Vargas cercou-se de técnicos que, dentre as muitas tarefas, estudavam formas de desenvolver o setor automobilístico no Brasil, o que no governo Jucelino Kubitschek, foi um dos carros chefes.
Como fora feito na época de Vargas, Jucelino Kubitschek criou grupos de estudo, com o intuito de desenvolver um sistema de planejamento para permitir soluções rápidas para as questões do país, justificando o slogan do governo: “50 anos em 5”.
Era forte durante os anos 50, a ideia do progresso, da industrialização e do crescimento econômico, ideia legada da Era Vargas, pois Getúlio sabia com maestria, propagandear a ideologia progressista. Talento que fez escola na figura de Jucelino Kubitschek, aproveitando-se de uma estrutura anteriormente formada, com um corpo institucional consolidado, um sistema burocrático e estatal já configurado, que facilitou a governabilidade.
Toda a estrutura estatal que permitiu a Jucelino Kubitschek acionar dispositivos de taxação, financiamento e cobrança, já estava pronta desde a Era Vargas, o que possibilitou ao presidente, desenvolver o plano de governo que o tornou célebre.
           Companhia Siderúrgica Nacional, Petrobrás, Banco Nacional de Desenvolvimento, Eletrobrás e a CLT, são elementos do Brasil contempâneo legado da Era Vargas. Quase 60 anos após ter cometido suicídio. A presença Getúlio Vargas, ainda pode ser sentida, em um Brasil que ele ajudou a configurar.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Uma voz contra a ditadura


Uma voz contra a ditadura

RESUMO
Este artigo tem por objetivo averiguar a relação existente entre a imprensa na cidade de Ribeirão Pires, com o período da ditadura militar, no ano de 1976. Para isso, serão utilizados exemplares do periódico semanal “A Voz de Ribeirão Pires”, que foram publicados no referido ano.  Pela leitura de matérias publicadas, procuraremos levantar pistas que evidencie qual era a relação da imprensa e demais instituições da região, com o governo deste período.
Palavras chave: imprensa, ditadura, Ribeirão Pires
ABSTRACT
This article aims to investigate the relationship between the press in the city of Ribeirão Pires with the period of military dictatorship in 1976. For this, we will use copies of the weekly newspaper "The Voice of Ribeirão Pires," which were published in that year. By reading published material, try to raise ideas as to reveal what was the relationship between the press and other institutions in the region with the government of this period.
Key words: press, dictatorship, Ribeirao Pires

Em 1964, um golpe militar põe fim ao governo do presidente João Goulart.  O que segue após isso, são períodos, cada qual com suas características[1], mas que se convencionou rotular como “O período Militar”.  (CARVALHO, 2004)
Como é de praxe em governos ditatoriais, providencias foram imediatamente tomadas para dificultar a vitória eleitoral dos opositores. Assim, em 1965, o AI-2 decreta o fim de todos os partidos políticos existentes, adotando um sistema bipartidário: O ARENA, partido do governo e o MDB, partido da oposição consentida.
Foi em 1969 que se iniciou a fase mais repressiva do período, sobre o comando de Emílio Garrastazu Médici (MARTINS, 1999, p.66).  Durante este governo, foi criado um eficiente sistema de reação:
Tal sistema repressivo foi usado para combater os chamados inimigos ideológicos do regime, bem como a luta armada no Brasil que se manifesta em termos cronológicos de forma mais constante justamente no período de governo de Médici (MARTINS, 1999, p.68)


Durante o período militar, a grande imprensa ou se posicionava a favor do regime, ou sofria censura quando algum jornalista se posicionava contra o governo. Segundo Ricardo Constante Martins (MARTINS 1999, p.15):
O governo exercia um forte controle sobre esses meios de comunicação, que tendiam, obviamente, a apoiá-lo. Através de uma política de concessão de licença ou registros para atuação de emissoras de televisão, jornais, revistas, etc., o governo criava uma espécie de vínculo que, de certa forma, convertia o apoio inicial dado pelo Estado aos donos das empresas de comunicação em dividendos políticos, criando assim uma poderosa infra-estrutura, no nível da propaganda ideológica.
De pequeno porte, surgiram os jornais alternativos, com orientação esquerdista, cujas matérias eram produzidas por profissionais despedidos da grande imprensa. Muitos desses jornais tiveram vida curta, como a “Versus”, “Repórter” e “Opinião”. O “Pasquim”, criado em 1969, teve um tempo maior de duração, atuando por 19 anos.
A partir de 1974, durante o governo de Ernesto Geisel, começa a surgir certa abertura política e a repressão à imprensa diminuiu. . Um exemplo dessa abertura foi percebido pelos acontecimentos do DOI-CODI (Departamento de Operações e Informações do Centro de Operações de Defesa Interna). Este órgão ficava em São Paulo e era dominado pelos militares da linha dura. Foi lá que em outubro de 1975 o jornalista Vladimir Herzog morreu enforcado. Essa morte causou grande repercussão, pois a missa realizada na Igreja da Sé reuniu uma multidão como forma de protesto e isso incomodou o governo. Na sequencia ocorreu outra morte, a do operário Manuel Fiel Filho e desta vez o presidente exonerou o comando do 2º. Exército, órgão responsável pelo DOI-CODI. Em 1977 o Ministro da Guerra, também linha dura, Sylvio Frota perdia o cargo. Era o começo do caminho para a Abertura.
A cidade de Ribeirão Pires, na Região do Grande ABC, em 1976 tinha como prefeito Valdírio Prisco, do partido ARENA. Em “A voz de Ribeirão Pires”, jornal da região, percebem-se os efeitos da abertura política de Geisel. Abertura ainda modesta.
 A Lei nº 6.339 de 1976, assinada pelo presidente da república Ernesto Geisel e apelidada de Lei Falcão, por ter sido criado pelo Ministro da Justiça Armando Falcão, impedia que os fossem veículados pelos meios de comunicação qualquer debate político que criticasse a ditadura militar.
Em “A voz de Ribeirão Pires”, embora o período análisado seja de alguns meses antes da aprovação da Lei Falcão, percebemos um cuidado ao se criticar o governo, onde as matérias não eram assinadas e as acusações eram feitas de maneira genérica, evitando citar nomes. Por exemplo, no artigo, sem créditos, ÉRICO VERÍSSIMO-HOMEM E ESCRITOR na edição de 14 a 20 de janeiro de 1976, pag.6, não temos qualquer informação sobre quem escreveu o artigo que se propõe a falar sobre a vida do escritor gaúcho Érico Veríssimo. A única informação que temos sobre o texto é a “Colaboração da Viação Barão de Mauá[2]”, empresa de transportes da cidade de Mauá, cujo  dono é o influente empresário Baltazar José de Souza.
No artigo, o autor enaltece a figura do escritor, registrando que Veríssimo era um defensor dos “direitos humanos, da verdade e da justiça”, ao mesmo tempo em que sofria perseguição de “certos grupos que pretendem explorar seus semelhantes”. 
Sem discriminar quais são os “certos grupos”, o tempo verbal de “pretendem” parece deixar claro qual a situação do momento.
Com um pouco mais de ousadia, como quem deseja guardar o melhor para o final, o artigo continua, desta vez, falando sobre as preferências políticas do valoroso escritor: “sem ser político, Érico Veríssimo sempre foi um defensor da verdade, da justiça e dos direitos humanos, criticando todo e qualquer regime onde o homem fosse pisoteado”. Aqui, o autor do texto reforça a ideia da idoneidade moral do escritor, contrapondo-a contra a maldade dos “certos grupos”, para depois encerrar o argumento apoteoticamente, chegando a conclusão de sua idéia principal, vinculando os celebrados valores morais do herói, ao partido que ele apoiava: “Sua participação na política, foi durante as  ultimas eleições eleições, quando apoiou publicamente Paulo Brosard, canditado do MDB gaucho ao senado, finalmente vitorioso com larga margem de votos”. Assim, ao final da matéria, o leitor deve entender que quem é justo, verdadeiro e defensor dos direitos humanos, como o modelo de fibra moral representado por Érico Veríssimo, deve votar nos cadidatos do MDB, partido da oposição, enquanto o ARENA, partido do governo, representa “certos grupos”, que exploram seus semelhantes e pisoteiam o povo.
Já na matéria A ANISTIA FAVORECERIA A DISTENSÃO, publicado no exemplar que cobriu o período de 7 a 14 de abril de 1976, na página 4, também sem créditos ao autor, evidencia-se o processo de abertura política promovida pelo governo do presidente Ernesto Geisel: “...as Forças Armadas compreendem a urgente necessidade de melhorar seu relacionamento com as forças políticas.” Isso, segundo a interpretação de um representante do MDB.
Na matéria OPERAÇÃO CONTRA AS FAVELAS E O HUMANISMO, de 21 a 27 de abril de 1976, página 1, nota-se o sutil retorno da democracia, onde a censura à imprensa começara a afrouxar. Mesmo assim, o autor da matéria, ainda sem se identificar, em um primeiro momento parece querer justificar a atitude da prefeitura que mandou remover os moradores da favela do Jardim Guanabara: “para muitas pessoas de bons sentimentos e ótimas intenções, mas sem muito conhecimento do assunto...”, o autor começa deixando claro que quem está contra a prefeitura, ignora a realidade mas é o governo quem tem a melhor resposta, pois apenas  “...parece que a Prefeitura foi brutal e desumana...”
Então, o autor dá a palavra ao prefeito, Valdírio Prisco, que explica tal atitude como sendo tomada por: “respeito a esses seres humanos, evitando que as companhias continuassem a explorar o povo, e proliferando favelas.”
E a matéria prosegue, explicando como as imobiliárias[i] são más, vendendo lotes ilegais para as pessoas que queriam fugir do aluguel, e como o paladino do povo o defendeu, removendo-o de seus barracões de madeira e cendendo, temporariamente, casas de alvenaria no centro da cidade. Já o povo, segundo a matéria, não tinha do que reclamar: “As pessoas que nos atenderam, quase não fazem queixas...”, informa o  anônimo autor, apenas não deixando claro se eles não tinham do que reclamar, ou se não podiam reclamar.
Contudo, a matéria segue, agora, dando voz ao povo: “O operário que trabalha a noite, por sua vez, nada quis declarar”. Se nada quis declarar, o assunto deveria terminar aqui, mas, contradizendo-se, a matéria prossegue: “Não acredita em promessas e só aceita o que tiver papel escrito (...) É doente e o caso do embargo dos loteamentos foi mais um problema para dificultar sua vida.”
Reviravolta impressionante. Contraste entre a resposta da prefeitura: “respeito aos seres humanos” e  o “problema para dificultar a vida” do trabalhador pobre que perdeu seu barraco na favela, nada tendo a declarar, exceto seu ceticismo com o governo e as mazelas de sua vida sofrida. Clarea-se, então, as intenções do autor, apelando para a emoção dos leitores com a imagem de “uma menina, muito esperta” que ganhou uma lata de leite em pó.
 E, assim, matéria encerra com a publicação, na integra, de um manifesto do MDB sobre o assunto.  E ao leitor, pego de supresa por essa reviravolta, fica a impressão de que existe algo errado entre o discurso do político e a  situação real do país.



CONCLUSÃO

Era tendência da grande imprensa, durante o período militar, o apoio ao governo, devido a uma política de concessões de licenças e registros. Após um período de forte repressão à imprensa, houve, durante governo do presidente Ernesto Geisel, uma abertura maior, fruto de uma tentativa progressiva de redemocratização.
 Por isso percebeu-se pela investigação realizada, que o jornal A Voz de Ribeirão Pires, durante o período da ditadura, adotava uma postura de oposição ao governo, devido a uma maior quantidade de matérias de denúncia à ditadura, do que as que eram a favor do governo militar. Notamos certa prudência nas críticas, onde as matérias raramente eram assinadas, mesmo antes da aprovação da Lei Falcão em 1º de julho de 1976, que proibia os debates políticos nos meios de comunicação.
Percebeu-se também, uma certa ambiguidade dos jornalistas em algumas matérias, onde elogios e críticas eram feitas, de forma que as últimas fossem atenuadas pelas primeiras.





MATÉRIAS LIDAS NA PESQUISA:
Tiradas do jornal “A voz de |Ribeirão Pires” do ano de 1976

A ANISTIA FAVORECERIA A DISTENSÃO: 7 a 14 de abril, p. 04
O QUE É POSTO DE EMPREGO DO MOBRAL: 14 a 20 de abril, última p.
OS VERDADEIROS CAMINHOS DA UMBANDA: 28 de Janeiro a 03 de Fevereiro, última p.
CADEIA OU INFERNO: 09 a 15 de Junho, p.06
O POVO E AS ELEIÇÕES: de 08 a 14 de Dezembro, p.1

Bibliografia:
MARTINS, Ricardo Constante. Ditadura Militar e propaganda política: A revista Manchete durante o governo Médici. São Carlos: [s.n]. 1999

História do Brasil, edição exclusiva da Folia de São Paulo. 1997
Páginas consultadas:
Texto de Olavo de Carvalho disponível em:  http://www.olavodecarvalho.org/textos/resumo_1964.htm
Acessado em 26/04/2012
Acessado em 30/04/2012


[1]  O autor considera em seu artigo, que não existe uma “ditadura militar”, mas vários períodos cada qual com suas próprias características
[2] Percebemos que tomar uma posição política na imprensa, ficava muito mais fácil quando se falava em nome de uma organização com certa influência: em uma oportunidade que tivemos de investigar o jornal “A voz de Ribeirão Pires” de 9 a 15 de fevereiro de 1978, na página 4, lemos uma pequena matéria onde a autora Deise Aparecida Martineli, em nome da Igreja Católica, alertava sobre os perigos da música de protesto. Esperamos que nossos colegas, que investigaram mais aprofundadamente esse jornal, no ano de 1978, nos mostrem mais da diferença entre o período antes e depois da vigência da lei Falcão.


[i]  Contudo a responsabilidade (ou falta dela, no caso) da prefeitura é evidente, pois ela é que deveria fiscalizar a venda e a construção ilegal de lotes.