quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A Formação dos Estados Nacionais

Durante toda a Idade Média a Igreja Católica tentou, sem sucesso, unificar a Europa. Contudo, no período seguinte os estados europeus iniciam um processo de centralização ao redor da figura do rei, originando assim os primeiros regimes absolutistas. A centralização era a mais eficiente resposta para os problemas de uma nobreza assolada pela deterioração do sistema feudal, pois garantia a ela o controle das riquezas geradas no campo e no comércio
Ao rei, a unificação era desejável, pois isso iria ajudá-lo a se sobrepor aos poderes locais e à Igreja que desejava uma unificação pautada na sua autoridade e sujeita aos seus caprichos.
A burguesia que detinha o poder financeiro buscava agora uma maior influência política. Contudo, a descentralização prejudicava também seus interesses financeiros já que cada região tinha a as suas próprias maneiras de fazer negócios. A unificação representava, portanto, uma padronização na forma de comerciar, o que seria um benéfico para a classe.
Assim foi firmada uma aliança entre nobres e burgueses para a constituição dos Estados Nacionais: Os reis recebiam apoio financeiro dos burgueses enquanto estes recebiam em troca concessões comerciais alfandegárias e se tornaram patronos do novo estado.
Portugal foi o primeiro Estado Nacional e conseguiu imprimir um grande desenvolvimento, graças ao novo modelo econômico que surgira junto com a parceria.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

"Ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção do mundo” (Paulo Freire)

A educação tem como objetivo formar pessoas capazes de atuar positivamente na mudança do mundo. Para que isso seja possível, é necessário que o professor transmita a informação para o aluno, lembrando que junto com esta informação, existe uma ideologia por detrás. É necessário que o professor faça um desmascaramento dessa ideologia. Não se pode transmitir ao aluno somente a ideologia e ignorar o desmascaramento.  Tampouco, fazer o desmascaramento sem transmitir a ideologia, pois assim, o processo educativo não estará completo. As elites, quando se preocupam com a educação, o fazem somente no sentido da formação técnica, no intuito de criar mão de obra qualificada. Desta forma, não existe uma preocupação com a formação de pessoas que saibam pensar criticamente. O conhecimento técnico é importante, porém é necessário que o indivíduo tenha consciência de seus direitos políticos e uma formação desse tipo vem sendo amplamente negada ao povo pelas classes dominantes. Diante disso, o professor não pode assumir uma postura neutra dentro da sala de aula. É necessário que ele tome uma posição. Cabe ao professor ensinar bem e ensinar certo. Isso somente será possível quando o professor assumir uma postura ética, não somente transmitindo os valores, mas vivendo os valores.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O papel do cristianismo

Qual a função da religião? Responder a essa pergunta não é fácil.
Produto da mente humana, a religião é um conjunto de dogmas que normalmente se refere ao transcendente, à vida além do aspecto material.  Com “produto da mente humana”, não quero rebaixar as crenças religiosas, como fazem alguns críticos, ao nível da ilusão, como se o mundo transcendente não passasse de uma ficção reconfortante proveniente de uma mente amedrontada.
Hoje, com o advento da física quântica, o transcendente vem sido seriamente discutido nas áreas acadêmicas, ainda que os materialistas torçam o nariz para a idéia. Seriam nossas mentes provenientes de uma realidade além do mundo material?
Segundo a teoria da evolução, nossas crenças são apenas um conjunto de processos destinados a nos manter vivos. Nesse aspecto, do ponto de vista puramente adaptativo, não importa se essa crença é verdadeira ou não. O que essa crença deve fazer é promover uma reação que preserve a vida.
Se eu entrar numa caverna e me deparar com um urso, por exemplo, eu posso acreditar que ele é um animal feroz que vai me estraçalhar se eu não correr, ou acreditar que aquele animal é na verdade um velocista e que vai apostar uma corrida comigo. Ganha quem chegar primeiro ao topo daquela árvore.  Para a evolução, ambas as crenças são verdadeiras, pois ambas foram capazes de garantir a sobrevivência. Sendo assim, como podemos acreditar em nossas mentes, sendo elas resultadas de inúmeros processos evolutivos aleatórios, provenientes de formas de vida primitiva? Seriam nossas certezas ilusões? Nada é verdadeiro de fato?
Isso nos leva ao relativismo. O que é certo pra mim não é certo pra você. O que é verdade pra mim não é verdade pra você. Meus valores morais são ilusões, justificáveis tanto quanto à de um indiano do século XVIII ou um homo sapiens há cinco bilhões de anos. O homem é produto do seu tempo.
É certo que existam valores morais que são resultados de convenções sociais, contudo, também é evidente a existência de crenças e valores universais, que não estão sujeitas a essas convenções. Estuprar bebezinhos é errado independente das opiniões.  Não há dados que apóiem a idéia de que essa prática tenha sido unanimemente tolerada em algum passado remoto.
A função do cristianismo, assim como de outras religiões, é, do ponto de vista prático, a de traduzir esses valores universais, tornando-os acessíveis, sendo essa religião centrada em uma entidade como Deus ou não.
Não quero entrar na questão de ser necessária uma religião para um comportamento moral, pois esse assunto é por demais complexo e merece um texto apenas para tratar disso.
Quero me concentrar no papel que o cristianismo vem desempenhando na sociedade atual. Não o cristianismo espetáculo de nossos dias, nem o cristianismo ferramenta de épocas anteriores. Se é que se podem chamar essas práticas de cristianismo, pois o mesmo tem parâmetros que devem ser seguidos, sobre o risco de descaracterizá-lo.
 No sermão do monte (Mateus, Cap. 5 6 e 7). Jesus traduz para uma linguagem simples, vários preceitos morais de caráter universal. Em qualquer sociedade ou época é aceito que ser oprimido é uma coisa ruim, ser vítima de uma injustiça é uma coisa ruim e todos consideram coisas como honestidade e generosidade como coisas boas. Isso não depende de convenções sociais. A função do cristianismo, do ponto de vista prático, é fornecer preceitos morais às sociedades, que, através de mecanismos como o contrato social, por exemplo, seriam relativas.
Imagine uma sociedade que por meio de processos evolutivos, tenham desenvolvido uma moral totalmente diversa da nossa. Imagine que essa sociedade, invadindo nosso país, nos escravizasse. Sendo a crença deles puramente resultado de inúmeros processos adaptativos, cuja única função é garantir a sobrevivência da espécie, sem se preocupar se essa crença é verdadeira ou não, eles não têm como saber se o que estão fazendo é realmente certo. E o mesmo pode ser dito de nós. Nós não teremos argumentos para legitimar nosso desejo de ser livres, pois nossas crenças também são frutos de processos puramente evolutivos e não uma verdade que possa ser classificada como verdadeira de fato. Assim, tudo se torna relativo. Nosso contrato social é totalmente diferente do contrato deles.
Como é possível que algo assim aconteça, sem algum tipo de protesto? Porque de fato, existem valores morais absolutos que não dependem das opiniões de cada sociedade. Esse caráter universal da moral é ensinado por diversas religiões espalhadas pelo globo.
No cristianismo, Jesus sintetizou tudo isso em uma única frase: “Ama ao teu próximo, como a ti mesmo”. (Mateus, 32: 35- 38)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Golpe X Revolução


Qual a diferença entre Golpe de Estado e Revolução?
Desde que o gênero humano deixou o seu estilo de vida nômade para viver em agrupamentos, se fixando na terra para praticar a agricultura, existiram indivíduos que acumulando recursos, viram a necessidade de uma entidade que promovesse  a ordem e garantisse os privilégios das elites. Nasce então a figura do rei como personificação da autoridade, que todos deviam respeitar para que houvesse harmonia na sociedade.
Com o tempo, percebeu-se que colocar tanta autoridade nas mãos de um único homem, promovia o surgimento de tiranos, muitas vezes indo contra os interesses da própria elite, pois como foi dito por Lord Byron: “O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente”. Por isso os gregos desenvolveram o conceito da democracia que, naquele momento, protegia os interesses dos mais abastados. Mais tarde os romanos criaram a república, por meio da qual o cidadão (ainda da elite) poderia escolher os representantes que cuidariam dos seus interesses.

O povo, o sujeito simples, o trabalhador em sua labuta diária para alimentar a família, sempre ficou à par desses acontecimentos. Sua existência apenas era lembrada quando uma elite, para retirar outra do poder, usava esse mesmo povo. Aconteceu na Revolução Francesa, aconteceu na Rússia, China, Cuba, Brasil e muitas outras nações. E, obviamente, acontece ainda hoje.

A Revolução seria um ato legal. Um instrumento usado como resistência a uma situação intolerável. Já o golpe é um ato ilegal, como por exemplo, derrubar um governo legalmente constituído.
Por se tratar de um ato ilegal, os golpistas sempre tentarão camuflar seus atos com vestes de revolução. Por outro lado, a revolução sempre será taxada como "golpe", pelos opositores, de forma que sua verdadeira definição se perde no fundo das convicções humanas.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Os Sertões de Euclides da Cunha

O livro Os sertões foi publicado a primeira vez em 1902. Descreve os conflitos que se deram na região de Canudos, no interior da Bahia, em 1896. Seu autor, Euclides da Cunha, foi escritor, sociólogo, poeta, engenheiro, geólogo, repórter e historiador (e corno bravo). 
Trabalhando como correspondente de guerra para o Jornal O Estado de São Paulo, Euclides da Cunha (enquanto sua mulher buscava consolo no “cassetete” de um tenente) passou três semanas no local do conflito e registrou tudo o que viu.
Republicano de carteirinha, chegou a acreditar como era de praxe em sua época, que a agitação em Canudos fosse na verdade uma conspiração monarquista.  Talvez por isso sua visão sobre os acontecimentos em Canudos, especificamente sobre seu líder, Antônio Conselheiro (corno manso), tenha sido moldada de uma maneira tão pouco lisonjeira.
Para o autor:
·         Antônio Conselheiro “foi resultado de um mal social e não simples moléstia” (ou seja, já se pressupõe que o cara era louco de pedra)
·         Compara Antônio Conselheiro aos “doutores” histéricos e suas práticas religiosas
·         “o fator sociológico cultiva a psicose mística”
Muito embora seja fato de que pessoas portadoras de patologias mentais possam manifestar delírios religiosos, no meu ponto de vista não existem evidências de que Antônio Conselheiro fosse um louco. Muito pelo contrário: em documentos escritos pelo próprio, percebe-se que suas idéias, e a forma de expressa-las, eram bastante lúcidas para um psicótico.
Outro detalhe: Euclides da Cunha simplesmente omite informações sobre Conselheiro, como o fato de ele ter aprendido Aritmética, Francês, Latim e geografia. Talvez, esse fato não tenha sido interessante para a imagem de aparvalhado, inculto e louco que os republicanos precisavam.
Para Clóvis Moura, professor de sociologia da USP: “Antônio Conselheiro não foi àquele personagem bronco ou louco como se costuma afirmar nos ensaios tradicionais sobre Canudos, mas um agente de dinamização social, no período que vai da escravidão [...] à destruição de Belo Monte”
Chiavenato escreve: “Antônio Conselheiro é das personagens mais caluniadas do Brasil”
O fervor religioso e o messianismo, não foi de forma alguma uma manifestação de loucura, mas uma ferramenta usada por um povo oprimido que não possuía força para fazê-la politicamente.
Pela falta de provas consistentes da alegada loucura, só me resta concluir que Antônio Conselheiro foi, na verdade, o líder da resistência de um povo, tal qual foi Zumbi dos Palmares, para os negros.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A Crise financeira

Em meados de 2008, uma crise financeira foi a grande responsável pela insônia de muito neguinho ao redor do planeta. Para entender como esse “monstro” nasceu, cresceu e quase devorou a economia do mundo, precisamos retroceder um pouco mais no tempo, até 2001 quando o mercado imobiliário norte americano passava por um período de forte expansão e, diante disso, o Banco Central Americano começou a baixar as taxas de juros para estimular seus clientes a comprar imóveis. A estratégia deu certoe tudo virou um tremendo oba-oba.  Em 2005, comprar imóveis nos EUA era um ótimo negócio e até mesmo os clientes do tipo “subprime”, cuja principal característica era a inadimplência, ganharam facilidades na hora da compra. O ovo do mostro estava chocando.
Tudo lindo e maravilhoso na terra dos sonhos até 2006, quando os preços dos imóveis começaram a despencar e os juros do Banco Central começaram a subir. Com a alta dos juros, começaram os calotes. Os bancos começaram a ter prejuízos, alguns na ordem de bilhões. O banco de investimentos Lehmam Brothers, o quarto maior dos EUA, pediu concordata.
A conseqüência disso foi um efeito em cascata, já que inúmeros bancos espalhados pelo mundo, incluindo o Brasil, têm investimentos nos bancos americanos.  A crise se torna mundial.  O monstro crescido, furioso e faminto. Uma série de medidas foi tomada pelo governo dos Estados Unidos para domá-lo. E hoje, o bicho parece estar adormecido. Mas ainda não foi definitivamente derrotado, pois ele ainda possui suprimentos que o sistema capitalista lhe fornece. E um dia ele ainda pode despertar, então, quem poderá nos defender?

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

As Navegações portuguesas, ora pois!


 

Portugal foi, conforme já foi dito, pioneira nas grandes navegações. Esse pioneirismo se deu por algumas razões, segundo o historiador Boris Fausto:
1)    Um fator de ordem interna, com Portugal se tornando uma monarquia, tendo acumulado por isso recursos suficientes para o empreendimento das grandes navegações
2)    Os portugueses haviam aprendido com os genoveses a arte da navegação e aprimorado muitos instrumentos  como o astrolábio[1], a bússola e a Balestilha
3)    A própria localização de Portugal facilitava que os navegantes de lançassem pelo Atlântico
Ainda segundo Boris Fausto, era o desejo de riqueza, o ouro, a prata, as pedras preciosas que movia os portugueses, bem como as especiarias: pimenta, (gabriela) cravo, canela, entre outros. Contudo, outro motivo importante foi o desejo de (xeretar) conhecer novas terras, a atração pelo desconhecido e pela aventura que serviu como combustível para os ânimos dos navegantes portugueses. De fato, havia muitas lendas sobre monstros marinhos, sereias e outras criaturas terríveis que povoavam a imaginação lusitana, o que ascendia ainda mais a curiosidade. (claro! se lá existem monstros marinhos comedores de homens, porque não ir lá pra conferir?)
As navegações portuguesas eram muito superiores às demais da Europa, graças, sobretudo, à caravela que fornecia um deslocamento ágil e veloz, para as expedições lusitanas.
Com Constantinopla obstruída pelos otomanos, os portugueses buscavam, então, uma nova rota para alcançar a Índia e lá obter suas especiarias diretamente. E foi a bordo de uma caravela que Vasco da Gama, contornando a África, chegou até as Índias. Graças a isso, os portugueses puderam comercializar seus produtos e fazer de Portugal uma potência econômica da época.


[1] O astrolábio é um instrumento naval antigo, usado para medir a altura dos astros, já era utilizado pelos persas, antes dos portugueses. Já a balestilha tinha a função de medira a altura em graus que une o horizonte ao astro.