quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

TCC sobre o Jesus Histórico: Planejamento

Cópia de um e-mail enviado a um colega de classe:

Olá, senhor William:
Como prometido, estou lhe enviando algumas informações sobre nosso TCC. Como sabe, o tema é o Jesus histórico. Escolhi o título provisório “Uma Luz histórica sobre Jesus” e estou a pensar em algum subtítulo apropriado, que talvez seja definido quando o trabalho estiver pronto.
Os objetivos desse trabalho conforme já conversamos um pouco, é provar que o Jesus da história e o Jesus da fé são a mesma pessoa e não duas concepções diferentes, insinuando como alguns estudiosos fazem, que o Jesus da fé é uma lenda originada muito tempo depois da morte do Jesus histórico, ou uma deliberada mentira. Se formos felizes em advogar essa alegação, significará dizer que os eventos descritos nos 4 evangelhos são relatos históricos, que realmente seus autores presenciaram todos aqueles fatos, inclusive, os sobrenaturais. Como a história não tem recursos para investigar o sobrenatural, embora pessoalmente eu acredite que possamos sim, apresentá-lo como uma hipótese metafísica científica (a própria física moderna faz isso, quando confecciona teorias de universos múltiplos e cordas cósmicas), já concordamos que não seria apropriado trazer tais hipóteses para a discussão: apresentaremos os fatos até onde a história alcança. A partir disso, cada um irá tirar as suas próprias conclusões.
Como dito, nossa pesquisa será bibliográfica, onde usaremos fontes primárias e secundárias. Anexo a este e-mail, estou lhe enviando algumas obras pra você analisar. O critério que segui na escolha deste material, é o seu uso em outros trabalhos, partindo do pré-suposto de que o número de citações de uma obra é proporcional à significância do material para os estudiosos do assunto. Irei te mandar outros materiais futuramente: artigos e livros.
Como você pôde ler no esboço que te mandei, começo a investigação trabalhando com a principal fonte de informação sobre Jesus, que são os evangelhos. Explicando o porquê nós podemos considerar os evangelhos confiáveis historicamente, poderemos seguir adiante e analisar outros documentos independentes que são importantíssimos para corroborar ao testemunho dos evangelhos.
Na verdade, existem vários registros da passagem de Jesus pela Terra, tirando os evangelhos. Selecionei apenas 4 por dois motivos: primeiro, escolhi os documentos mais relevantes, aqueles que fizeram declarações mais fortes. O segundo motivo é que não quis me estender demais, o nosso trabalho ficaria gigantesco. Contudo, acho boa idéia você dar uma pesquisada nesses documentos, fontes sobre Jesus fora dos evangelhos: quem sabe você consiga enxergar coisas que me escaparam.
Você já leu em nosso trabalho que as fontes independentes que escolhi sobre Jesus foram
1.    O Testemunho Flaviano
2.    A Carta de Plínio, o Jovem
3.    O capítulo XV da obra “Anais”,
4.    O Talmude
Penso que já fiz uma boa análise do Testemunho Flaviano. Gostaria que você, agora, pesquisasse sobre a Carta de Plínio, o jovem e o capítulo XV de anais, enquanto eu me ocuparei do Talmude. A internet é uma boa ferramenta de pesquisa, com certeza você encontrará artigos científicos e até livros para baixar. Se possível, faça também uma pesquisa sobre a opinião dos céticos sobre o documento, para que possamos comparar e chegar a uma solução. Unindo as duas partes, a defesa dos evangelhos como documentos históricos e a corroboração dos documentos independentes, acredito que temos uma ótima evidência para sustentar nossa posição.
Por enquanto é isso. Depois a gente troca mais idéias na universidade.

Abraços,
Elvis.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Os Estados Unidos depois da guerra de secessão

A guerra entre o Norte e o Sul dos Estados Unidos, motivada pelas tensões relacionadas com a escravidão, começou em 1861 e terminou em 1865, deixando a economia do Norte totalmente comprometida e a do Sul, totalmente ferrada (e se lascaram bonito mesmo)
Contudo, os Estados do Norte tiveram muito mais facilidade de se recuperarem, graças principalmente ao lucro gerado pelas ferrovias.
Durante a guerra essas ferrovias foram expandidas e utilizadas para transportar soldados, armas, comida e medicamentos. Continuaram sendo usadas depois da guerra, gerando lucros graças às pesadas taxas ferroviárias e a baixa qualidade dos serviços prestados, dando origem, mais tarde, aos grandes grupos financeiros monopolistas, como o grupo Morgam, o grupo Rockfeller e a magnatas como Cornélius Vanderbilt.
Neste período os Estados Unidos viviam uma fase de intensa revolução Industrial (muito mais radical do que aquela que aconteceu na Europa, segundo alguns historiadores) A indústria se desenvolvia grandemente, principalmente as siderúrgicas e metalúrgicas. Porém o Norte enfrentava um problema muito sério de falta de operários, pois a expansão para o oeste oferecia grande oportunidade para o crescimento na área da agricultura. Essa falta de mão de obra valorizava os salários na indústria, o que despertou a atenção de muito neguinho lá nas “Europas”.  Resultado: entre 1843 e 1876 a população dos Estados Unidos passou de 23 milhões, para 50 milhões e meio.
Com o crescimento urbano, muitas pessoas abandonaram o trampo no campo para se dedicar às indústrias. Apesar disso, a produção agrícola dos Estados unidos aumentou mais ainda, graças às máquinas que faziam sozinha o trabalho de muitos homens.
O aumento do operariado nos centros urbanos favoreceu o surgimento dos primeiros sindicatos. Em 1886, no dia primeiro de maio, iniciou-se a primeira greve dos operários, seguido, é claro, do primeiro cacete em trabalhadores grevistas da história dos Estados Unidos, onde quatro dirigentes foram condenados à forca (também conhecido como gravatinha de Tiradentes). Em memória desse fato é que em todo o dia primeiro do mês de maio, eu, você e toda a família, comemoramos o feriado do dia do trabalho, não trabalhando (J)
Já no Sul, conforme já foi relatado, a situação era deplorável: com casas destruídas, fábricas em ruínas, campos devastados e como se não bastasse, haviam perdido o monopólio do algodão. Muitos confederados abandonaram os Estados Unidos e emigraram para outros países, inclusive o Brasil (Mato Grosso e São Paulo, nas regiões de Campinas, Santa Bárbara do Oeste e Americana)
Além de toda essa crise, alguns sulistas ainda tiveram que engolir as decisões tomadas pelo norte: a décima terceira emenda deu liberdade para todos os negros, a décima quarta emenda obrigava todos os estados americanos a tratar todo mundo igual perante a lei e a décima quinta emenda deu aos negros direito a voto, transformando-os em cidadãos. A gota d’água para os racistas do sul foi quando os negros começaram a conquistar cargos de importância, o que favoreceu o surgimento de grupos racistas como a Ku Klux Klan e os menos conhecidos Knigths of White Camélia dedicados a perseguir, espancar e não raro matar negros.
Podemos observar que apesar de terem sido criadas leis para proteger os negros, não haviam dispositivos capazes de garantir o cumprimento delas, portanto, os negros ainda continuaram sendo marginalizados e perseguidos, com a criação da política de segregação racial.
Além disso, existia no sul um forte ressentimento com o Norte, principalmente com o partido republicano, de Abraão Lincoln, tanto é que o próprio, logo após o fim da guerra, foi assassinado com um tiro disparado por um sulista revoltado.
E até hoje, nota-se que o partido democrata tem uma maior expressividade no Sul dos Estados Unidos.
Com isso, vemos como que apesar de todos os efeitos danosos da guerra de secessão Americana, os Estados Unidos conseguiram se transformar em uma potência econômica e imperialista, legítima representante do capitalismo.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Eugenia: A apologia científica do racismo

Eugenia: A apologia científica do racismo

RESUMO
O termo Eugenia designa uma série de atos que visam o suposto melhoramento das futuras gerações através do controle social, ao mesmo tempo em que procura deter o avanço dos grupos ditos, “menos adaptados”, impedindo o enfraquecimento das qualidades raciais. Usa como base os dados colhidos pelo naturalista britânico Charles Darwin, publicados no livro “As origens das espécies” de 1859, as teorias de Thomas Malthus, economista britânico e as ideias de Herbert Spencer, também britânico, filósofo criador do “Darwinismo Social”. Ganhando força principalmente nos Estados Unidos, a Eugenia originou também a “eugenia nazista”culminando no Holocausto.

Palavras chaves: eugenia, racismo, Holocausto, genética.

ABSTRACT

. The term eugenics refers to a series of acts aimed at the supposed improvement of future generations through social control, while seeking to stop the advance of the groups said, "less adapted", preventing the weakening of racial qualities. Uses based on data collected by British naturalist Charles Darwin published the book "The Origins of Species", 1859, the theories of Thomas Malthus, a British economist and the ideas of Herbert Spencer, also British philosopher, creator of "Social Darwinism". Gaining momentum especially in the United States, Eugenia has also led to the "Nazi eugenics" culminating in the Holocaust.

Foi em 1883 que o antropólogo inglês Francis Galton (1822-1911), cunhou a palavra “Eugenia”, que de sua origem grega, podemos tirar o significado “o bem nascido” (CASTANEDA, 2002, p.2). Com o intuito de estudar os processos pelos quais se pode melhorar a espécie humana, a eugenia estava apoiada em três ideias, a saber:


a)      Teoria da evolução natural de Charles Darwin
Galton se impressionou com as ideias sobre a “sobrevivência do melhor adaptado”, de seu primo, o naturalista britânico Charles Darwin (1809-1882), exposto no livro “A origem das espécies”, de 1859.  Formulou a teoria de que para um melhoramento das sociedades humanas, somente os mais bem adaptados deveriam reproduzir-se, enquanto que o crescimento das populações pouco adaptadas deveria ser combatido pelo Estado.

b)      Teoria do aumento populacional de Thomas Malthus
A teoria de que a população cresceria de tal forma, que seria impossível gerar recursos de vida para todos. Hoje sabemos que tal teoria é equivocada, pois temos a tecnologia necessária para produzir recursos do que o suficiente, estando a falha somente na forma como esses recursos estão sendo distribuídos[1]. Contudo, em 1789, Malthus acreditava na necessidade do controle populacional, para evitar o caos. “Malthus (...) chegou a defender que em muitas instâncias a assistência caritativa promovia a pobreza de geração a geração e simplesmente não tinha sentido no processo natural do progresso humano”(PEDROSA, 1999, p. 3)

c)       Darwinismo social de Herbert Spencer
A teoria de que o homem evoluía por meio de sua natureza hereditária era defendida, no século XIX pelo filósofo inglês Herbert Spencer. Acreditava que os mais capazes continuariam a se aperfeiçoar e que os menos capazes se tornariam ainda mais incapazes com o tempo. Dizia ele: “Todo o esforço da natureza é para se livrar desses (incapazes) e criar espaço para os melhores... Se eles não são suficientemente completos para viver, morrem, e é melhor que morram (...). Toda imperfeição deve desaparecer” (PEDROSA, 1999, p.3)

Bebendo dessas três fontes, Galton desenvolveu as idéias eugenistas, propondo a intervenção do Estado no sentido de controlar os casamentos, permitindo-os somente para as pessoas ditas, “mais capazes”.  Central nas ideais de Galton era a ênfase dada por ele aos casamentos de pessoas geneticamente superiores. Para ele existiam as pessoas de “sangue bom” e as de “sangue ruim”. Assim, elaborou segundo, Paulo Sérgio R. Pedrosa, “uma anormal matemática” (PEDROSA, 1999, p.3):

SANGUE BOM + SANGUE RUIM = SANGUE RUIM
SANGUE BOM + SANGUE BOM = SANGUE MELHOR
SANGUE RUIM + SANGUE RUIM = SANGUE PÉSSIMO
Ao defender um controle do Estado sobre o casamento, só permitindo aqueles realizados entre os indivíduos ditos superiores, Galton criou a Eugenia Positiva.
Eugenia nos Estados Unidos
Em terras norte americanas, as idéias de Galton ganham força no final do século XIX e originam a eugenia negativa: enquanto que a positiva defendia a reprodução somente de indivíduos que se destacassem por seus dotes físicos e intelectuais, ou seja, os de “sangue bom”, a negativa procurava defender a predominância dos ditos “superiores geneticamente”, por meio da eliminação dos “sangues ruins”.
Para cumprir tal objetivo, alguns procedimentos foram adotados. Paulo Sérgio Pedrosa (PEDROSA, 1999, p.4) destaca os seguintes atos eugenistas nos Estados Unidos:
- Segregação do incapaz;
- Deportação dos imigrantes indesejados;
- Castração de criminosos e deficientes mentais;
- Esterilização compulsória;
- Proibição de casamentos;
- Eutanásia passiva;
- Extermínio. (Não foi aplicada, mas muitos eugenistas defenderam o uso da câmara de gás).
Por meio das leis de miscigenação, a partir de 1863, procurou-se coibir os casamentos entre pessoas de etnias diferentes e a lei de Jim Crow, de 1876, obrigava os estabelecimentos e transportes públicos a terem locais separados para brancos e negros.
Em 1996, o estado de Indiana aprovou a lei de Sharp, também conhecida como “Ato de prevenção da Imbecilidade”, que visava impedir a reprodução de deficientes mentais, pelo método da esterilização.
Em 1909 em Washington, a lei também começa a prever a esterilização de criminosos e estupradores[2]. Em Iowa, os atos estendiam-se aos drogados e epiléticos. Paulo Sérgio Pedrosa (PEDROSA, 1999, p.7) informa que: “As leis de esterilização eugenistas foram adotadas por quase metade dos estados americanos, sendo a liberal Califórnia a que fez mais esterilizações forçadas”.
Eugenia na Alemanha
A Alemanha, nos primeiros vinte anos do século XX, desenvolveu suas próprias idéias eugenistas, tendo sua independente linha de estudos sobre o assunto. Contudo, tinham como base os atos eugenistas americanos, como a estilização dos “tipos biológicos inadequados” (PEDROSA, 1999)
Inspirado nas leis de castrações e proibição matrimoniais norte americanas, foi que o médico Gustav Boeters começou a escrever em Berlin, artigos que defendiam a implantação de atos eugenistas na Alemanha.  Boeters, em obra citada no artigo de Paulo Sérgio Pedrosa (PEDROSA, 1999), disse: “Em uma nação culta – os Estados Unidos da América -, aquilo pelo qual nos esforçamos para conseguir [a legislação sobre esterilização] foi introduzido e testado há muito tempo”
Foi o pensador socialista Alfred Ploetz quem, em 1880, cunhou a palavra Rassenhygiene (higiene racial) e Alfred Jost, teórico social alemão, defendia em seus trabalhos o direito do Estado de eliminar as pessoas inúteis.
Assim, as ideias eugenistas foram ganhando a Alemanha, conforme explica Paulo Sergio Pedrosa: (PEDROSA, 1999)
Logo começaram a surgir as associações de eugenistas na Alemanha e nos países nórdicos, fomentadas pelas idéias da superioridade nórdica defendida pelos eugenistas americanos, como Davenport, Grant e Popenoe. Em 1905 Ploetz fundou a Sociedade para a Higiene Racial em Berlim. Esta sociedade foi criada para incentivar o crescimento da Higiene Racial (outro nome para Eugenia) na Alemanha e começou a ganhar impulso e projeção internacional a partir de sua colaboração com outras sociedades eugenistas, principalmente as americanas. Ploetz foi nomeado vice-presidente do Primeiro Congresso Internacional de Eugenia de 1912, em Londres, e foi convidado para ser um dos fundadores do Comitê Internacional Permanente de Eugenia.
Quando Hitler ascendeu ao poder, a idéia da “superioridade racial” já estava amplamente amadurecida, e o esforço para resolver o problema da miscigenação desencadeou o processo do Holocausto, no qual foram perseguidos, aprisionados em campos de concentração e mortos, milhões de pessoas entre judeus, homossexuais, ciganos, slavos e deficientes.

Eugenia no Brasil
De acordo com Maria Aurélia Castaneda (CASTANEDA, 2002, p.1) uma característica do movimento eugênico brasileiro foi o seu “caráter sanitarista”, por considerar a influência do meio ambiente no desenvolvimento das raças. Renato Kehl, médico e farmacêutico, foi o grande divulgador dessa ideia do Brasil.
Ao participar de uma conferência em São Paulo, na Associação Cristã de Moços, Kehl conseguir despertar o entusiasmo necessário para a criação da primeira associação eugenista, em 1918, em plena República Velha. Faziam parte desta associação, Arnaldo Vieira, fundador da Faculdade de Medicina de São Paulo, Arthur Neiva, sanitarista, Franco da Rocha, psiquiatra e o educador Fernando de Azevedo, entre outros.
No Rio de Janeiro, Renato Kehl participa da fundação da Liga Brasileira de Higiene Mental (LBHN) em 1930, que tinha como membros pessoas como Miguel Couto, da Faculdade Nacional de Medicina do Rio de Janeiro, Carlos Chagas, diretor do Instituto Oswaldo Cruz, e Edgar Roquette-Pinto, diretor do Museu Nacional. O objetivo da LBHN era estimular medidas para evitar a miscigenação e combater os fatores que dificultam a higiene da “raça superior”. Algumas das propostas desta instituição, como a esterilização dos “incapazes e inúteis” foram criticadas por muitos membros, como Roquette Pinto.
O surgimento do movimento eugênico no Brasil se dá em um momento em que o crescimento urbano trazia a necessidade de uma organização das cidades e de um melhoramento da raça por meio da limpeza e expurgação
Havia preocupação com as condições sanitárias das populações rurais. Ao publicarem em 1918 os relatos aos estados de Goiás, Bahia, Pernambuco e Piauí, Arthur Neiva e Belisário Penna revelaram a precariedade sanitária daquelas populações. Monteleone (1929), por suas vez, insistia diferentemente da Europa, no saneamento do povo e do solo, na medida em que numerosas moléstias  contribuíam para a degenerência  da raça
 (CASTANEDA, 2002, p.15)

Além deste caráter sanitarista do movimento eugenista brasileiro, acreditava-se também em outras medidas para evitar a degeneração da sociedade. Acreditava-se que a imigração era um risco para o país, pois poderia acarretar uma contaminação da população, isso motivou o desenvolvimento de projetos que visavam impedir a entrada no país de pessoas “eugenicamente inferiores”.  No artigo de Maria Eunice de S. Maciel (1999, p.9) é citada uma série de dez proposições do Congresso Brasileiro de Eugenia para impedir a contaminação da população brasileira, dentre eles estão:
10) O primeiro Congresso Brasileiro de Eugenia aconselha a exclusão de todas as correntes imigratórias que não seja de raça branca.
As idéias eugenistas no Brasil foram perdendo força no final do Estado Novo sendo que foram definitivamente descartadas quando o país integrou o grupo dos aliados na Segunda Guerra Mundial, em agosto de 1942.

Conclusão
Idéias de superioridade de um ser humano sobre o outro eram uma constante já na Antiguidade. Os Espartanos possuíam um sistema de seleção no qual somente tinha direito a vida os que nasciam fisicamente perfeitos.
Segundo Lilia Moritz Schawarcz (1993, p.46) quando os europeus chegaram à América, criou-se uma idéia de superioridades destes sobre os nativos da nova terra.
Tais idéias ganharam um suposto embasamento científico com o surgimento da eugenia em 1883, atingiu o seu ápice na “eugenia nazista’ e decaiu com o avanço das ciências biológicas.
Vivemos agora uma época de grandes descobertas, como o projeto Genoma, que levanta outras questões éticas e, vez por outra, surgem estudiosos como Richard Lynn, que declara a superioridade da inteligência do branco sobre o negro em uma abordagem que muito se assemelha a eugenia.


[1] Paradoxalmente, isso não significa que uma falta de alimentos não seja uma realidade no futuro, devido a inúmeros fatores.
[2] Acreditava-se na tendência para atos criminosos determinada pela genética.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A Formação dos Estados Nacionais

Durante toda a Idade Média a Igreja Católica tentou, sem sucesso, unificar a Europa. Contudo, no período seguinte os estados europeus iniciam um processo de centralização ao redor da figura do rei, originando assim os primeiros regimes absolutistas. A centralização era a mais eficiente resposta para os problemas de uma nobreza assolada pela deterioração do sistema feudal, pois garantia a ela o controle das riquezas geradas no campo e no comércio
Ao rei, a unificação era desejável, pois isso iria ajudá-lo a se sobrepor aos poderes locais e à Igreja que desejava uma unificação pautada na sua autoridade e sujeita aos seus caprichos.
A burguesia que detinha o poder financeiro buscava agora uma maior influência política. Contudo, a descentralização prejudicava também seus interesses financeiros já que cada região tinha a as suas próprias maneiras de fazer negócios. A unificação representava, portanto, uma padronização na forma de comerciar, o que seria um benéfico para a classe.
Assim foi firmada uma aliança entre nobres e burgueses para a constituição dos Estados Nacionais: Os reis recebiam apoio financeiro dos burgueses enquanto estes recebiam em troca concessões comerciais alfandegárias e se tornaram patronos do novo estado.
Portugal foi o primeiro Estado Nacional e conseguiu imprimir um grande desenvolvimento, graças ao novo modelo econômico que surgira junto com a parceria.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

"Ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção do mundo” (Paulo Freire)

A educação tem como objetivo formar pessoas capazes de atuar positivamente na mudança do mundo. Para que isso seja possível, é necessário que o professor transmita a informação para o aluno, lembrando que junto com esta informação, existe uma ideologia por detrás. É necessário que o professor faça um desmascaramento dessa ideologia. Não se pode transmitir ao aluno somente a ideologia e ignorar o desmascaramento.  Tampouco, fazer o desmascaramento sem transmitir a ideologia, pois assim, o processo educativo não estará completo. As elites, quando se preocupam com a educação, o fazem somente no sentido da formação técnica, no intuito de criar mão de obra qualificada. Desta forma, não existe uma preocupação com a formação de pessoas que saibam pensar criticamente. O conhecimento técnico é importante, porém é necessário que o indivíduo tenha consciência de seus direitos políticos e uma formação desse tipo vem sendo amplamente negada ao povo pelas classes dominantes. Diante disso, o professor não pode assumir uma postura neutra dentro da sala de aula. É necessário que ele tome uma posição. Cabe ao professor ensinar bem e ensinar certo. Isso somente será possível quando o professor assumir uma postura ética, não somente transmitindo os valores, mas vivendo os valores.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O papel do cristianismo

Qual a função da religião? Responder a essa pergunta não é fácil.
Produto da mente humana, a religião é um conjunto de dogmas que normalmente se refere ao transcendente, à vida além do aspecto material.  Com “produto da mente humana”, não quero rebaixar as crenças religiosas, como fazem alguns críticos, ao nível da ilusão, como se o mundo transcendente não passasse de uma ficção reconfortante proveniente de uma mente amedrontada.
Hoje, com o advento da física quântica, o transcendente vem sido seriamente discutido nas áreas acadêmicas, ainda que os materialistas torçam o nariz para a idéia. Seriam nossas mentes provenientes de uma realidade além do mundo material?
Segundo a teoria da evolução, nossas crenças são apenas um conjunto de processos destinados a nos manter vivos. Nesse aspecto, do ponto de vista puramente adaptativo, não importa se essa crença é verdadeira ou não. O que essa crença deve fazer é promover uma reação que preserve a vida.
Se eu entrar numa caverna e me deparar com um urso, por exemplo, eu posso acreditar que ele é um animal feroz que vai me estraçalhar se eu não correr, ou acreditar que aquele animal é na verdade um velocista e que vai apostar uma corrida comigo. Ganha quem chegar primeiro ao topo daquela árvore.  Para a evolução, ambas as crenças são verdadeiras, pois ambas foram capazes de garantir a sobrevivência. Sendo assim, como podemos acreditar em nossas mentes, sendo elas resultadas de inúmeros processos evolutivos aleatórios, provenientes de formas de vida primitiva? Seriam nossas certezas ilusões? Nada é verdadeiro de fato?
Isso nos leva ao relativismo. O que é certo pra mim não é certo pra você. O que é verdade pra mim não é verdade pra você. Meus valores morais são ilusões, justificáveis tanto quanto à de um indiano do século XVIII ou um homo sapiens há cinco bilhões de anos. O homem é produto do seu tempo.
É certo que existam valores morais que são resultados de convenções sociais, contudo, também é evidente a existência de crenças e valores universais, que não estão sujeitas a essas convenções. Estuprar bebezinhos é errado independente das opiniões.  Não há dados que apóiem a idéia de que essa prática tenha sido unanimemente tolerada em algum passado remoto.
A função do cristianismo, assim como de outras religiões, é, do ponto de vista prático, a de traduzir esses valores universais, tornando-os acessíveis, sendo essa religião centrada em uma entidade como Deus ou não.
Não quero entrar na questão de ser necessária uma religião para um comportamento moral, pois esse assunto é por demais complexo e merece um texto apenas para tratar disso.
Quero me concentrar no papel que o cristianismo vem desempenhando na sociedade atual. Não o cristianismo espetáculo de nossos dias, nem o cristianismo ferramenta de épocas anteriores. Se é que se podem chamar essas práticas de cristianismo, pois o mesmo tem parâmetros que devem ser seguidos, sobre o risco de descaracterizá-lo.
 No sermão do monte (Mateus, Cap. 5 6 e 7). Jesus traduz para uma linguagem simples, vários preceitos morais de caráter universal. Em qualquer sociedade ou época é aceito que ser oprimido é uma coisa ruim, ser vítima de uma injustiça é uma coisa ruim e todos consideram coisas como honestidade e generosidade como coisas boas. Isso não depende de convenções sociais. A função do cristianismo, do ponto de vista prático, é fornecer preceitos morais às sociedades, que, através de mecanismos como o contrato social, por exemplo, seriam relativas.
Imagine uma sociedade que por meio de processos evolutivos, tenham desenvolvido uma moral totalmente diversa da nossa. Imagine que essa sociedade, invadindo nosso país, nos escravizasse. Sendo a crença deles puramente resultado de inúmeros processos adaptativos, cuja única função é garantir a sobrevivência da espécie, sem se preocupar se essa crença é verdadeira ou não, eles não têm como saber se o que estão fazendo é realmente certo. E o mesmo pode ser dito de nós. Nós não teremos argumentos para legitimar nosso desejo de ser livres, pois nossas crenças também são frutos de processos puramente evolutivos e não uma verdade que possa ser classificada como verdadeira de fato. Assim, tudo se torna relativo. Nosso contrato social é totalmente diferente do contrato deles.
Como é possível que algo assim aconteça, sem algum tipo de protesto? Porque de fato, existem valores morais absolutos que não dependem das opiniões de cada sociedade. Esse caráter universal da moral é ensinado por diversas religiões espalhadas pelo globo.
No cristianismo, Jesus sintetizou tudo isso em uma única frase: “Ama ao teu próximo, como a ti mesmo”. (Mateus, 32: 35- 38)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Golpe X Revolução


Qual a diferença entre Golpe de Estado e Revolução?
Desde que o gênero humano deixou o seu estilo de vida nômade para viver em agrupamentos, se fixando na terra para praticar a agricultura, existiram indivíduos que acumulando recursos, viram a necessidade de uma entidade que promovesse  a ordem e garantisse os privilégios das elites. Nasce então a figura do rei como personificação da autoridade, que todos deviam respeitar para que houvesse harmonia na sociedade.
Com o tempo, percebeu-se que colocar tanta autoridade nas mãos de um único homem, promovia o surgimento de tiranos, muitas vezes indo contra os interesses da própria elite, pois como foi dito por Lord Byron: “O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente”. Por isso os gregos desenvolveram o conceito da democracia que, naquele momento, protegia os interesses dos mais abastados. Mais tarde os romanos criaram a república, por meio da qual o cidadão (ainda da elite) poderia escolher os representantes que cuidariam dos seus interesses.

O povo, o sujeito simples, o trabalhador em sua labuta diária para alimentar a família, sempre ficou à par desses acontecimentos. Sua existência apenas era lembrada quando uma elite, para retirar outra do poder, usava esse mesmo povo. Aconteceu na Revolução Francesa, aconteceu na Rússia, China, Cuba, Brasil e muitas outras nações. E, obviamente, acontece ainda hoje.

A Revolução seria um ato legal. Um instrumento usado como resistência a uma situação intolerável. Já o golpe é um ato ilegal, como por exemplo, derrubar um governo legalmente constituído.
Por se tratar de um ato ilegal, os golpistas sempre tentarão camuflar seus atos com vestes de revolução. Por outro lado, a revolução sempre será taxada como "golpe", pelos opositores, de forma que sua verdadeira definição se perde no fundo das convicções humanas.