sábado, 14 de abril de 2012

Desenvolvimento Profissional

A história da humanidade é longa. E em cada época, nota-se a luta do homem pela sobrevivência. Darwin nos mostrou em seu livro, “A origem das espécies” de 1859, que o mundo muda e só sobrevive o indivíduo que melhor estiver adaptado a essas mudanças. Foi assim no passado. E assim ainda é.
Se já foi tendência anterior, no mercado de trabalho, as empresas contratarem priorizando as qualidades técnicas do candidato, a globalização, a mudança nos meios de comunicação e as novas tendências tecnológicas, fez as grandes empresas mudarem o seu foco e, agora, começam a dar uma relevância cada vez maior para as habilidades pessoais dos candidatos.
Espírito de liderança, pontualidade, relacionamentos interpessoais, boa comunicação, hoje em dia são tão, e às vezes até mais, importantes do que as habilidades técnicas. E mais uma vez, só terão chances aqueles que se adaptarem a essas mudanças.
Torna-se necessário a todos os interessados na sobrevivência neste mundo profissional, um bom planejamento de vida baseado na visão de mundo da pessoa, no qual o profissional defina quais são seus objetivos a curto e médio prazo, como alcançar esses objetivos, quais recursos irá necessitar para isso, quais habilidades desenvolver, quais defeitos minimizar, ou seja, torna-se imprescindível que a pessoa realize um exercício de autoconhecimento.
          Somente por meio do autoconhecimento o indivíduo saberá qual o seu objetivo na vida e qual a melhor forma de alcançá-los.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A Era Vargas

Um episódio marcante na história política do Brasil é aquele relacionado à chegada de Getúlio Vargas ao poder, por meio do que se convencionou chamar de “Golpe de 1930”. Em uma série de eventos abalizados por interesses de classes, desejo de poder e ideologias revolucionárias, a “Era Vargas” apresenta um quadro riquíssimo para se entender o cenário político da atualidade.
A conjuntura política que criou ocasião para a chegada de Getúlio ao poder iniciou-se com a crise da chamada “política do café com leite”, revezamento de poder no qual, durante a República Velha, ora escolhia-se um paulista para presidente da república, ora escolhia-se um mineiro. Desta forma, dividia-se o poder entre as poderosas oligarquias de São Paulo e Minas Gerais.
Iniciada em 1898, desde 1919, a república do café com leite mostrava os primeiros sinais de enfraquecimento devido aos problemas econômicos causados pela Primeira Guerra Mundial. O ápice da crise desenrolou-se quando o paulista Washington Luís indicou para seu sucessor à presidência da República, o também paulista Júlio Prestes, rompendo o acordo político entre os dois estados.
Minas Gerais, então, juntou-se com o Rio Grande do Sul e lançou a candidatura do gaúcho Getúlio Vargas, que foi derrotado nas eleições. Insatisfeitos, os mineiros não permitiram a posse de Júlio Prestes e por meio de um golpe levaram Vargas ao poder em 1930, iniciando o governo provisório.
Quando Getúlio chegou ao poder, transformou-se em uma figura centralizadora e autoritária, o período em que ele atuou de 1930 até 1945, ficou conhecido pela historiografia brasileira por “A era Vargas”.
Os primeiros anos de seu governo foram marcados por problemas internos dos setores que o apoiavam e por problemas também com a oposição. Um dos maiores problemas que Getúlio teve que lidar, foi a sua relação com os tenentes que o ajudaram a chegar ao poder na revolução de 30 (ou golpe de 30), quando se congregaram à Aliança Liberal em 1929, pois tinham uma visão própria de como o país deveria ser conduzido.
Quase todos os governos dos estados foram entregues aos tenentes, que agiam como interventores e iniciaram uma forte oposição à Vargas. Os confrontos nunca foram armados, mas políticos. Contudo, os tenentes foram derrotados. Frente a isso, muitos largaram as forças armadas, outros se integraram a grupos radicais e outros, a maioria, passaram a apoiar Getúlio Vargas.
Outro problema para o governo foram as elites regionais que não concordavam com o autoritarismo de Vargas, principalmente a de São Paulo que nunca engolira o golpe no qual o paulista Julio Prestes fora impedido de tomar posse. Toda essa tensão acabou deflagrando a revolução de 1932, onde São Paulo lutou por vários meses até ser finalmente derrotado pelas forças do governo federal.
A revolução de 1932 ficou conhecida como “Revolução Constitucionalista”, pois os paulistas não concordavam com a forma ditatorial pela qual Getúlio estava conduzindo o país e por isso exigiam uma constituição para implantação de um regime democrático.
Porém, na verdade já estava prevista pelo governo federal uma assembléia constituinte e em Julho de 1934 foi aprovada a nova constituição brasileira.
A constituição de 1934 estabeleceu o foto secreto, deu direitos aos trabalhadores, baseado nas idéias socialistas, propiciou o foto feminino, entre outros. Também foi esta assembléia que elegeu, por voto indireto, Getúlio Vargas como presidente da República.
No final dos anos 30 o Brasil passou por muitas transformações. Na ordem econômica, a crise que se instaurou no mundo prejudicou o comércio do café brasileiro e para sanar esta dificuldade o governo começou a comprar café dos cafeicultores, queimando posteriormente as sacas. Assim, visava regular a produção.
Com a dificuldade de importar produtos industrializados do exterior, o país foi levado a uma produção interna de bens de consumo o que levou a industrialização do Brasil.
Na área da educação, dá-se, devido à industrialização, uma maior ênfase no ensino técnico para a formação de mão de obra qualificada.
Politicamente, Getúlio manteve seu estilo autoritário e minou a possibilidade de uma expressão sindical livre, com a criação de confederações e federações ligadas ao governo. Assim, proporcionava uma unicidade que mantinha os trabalhadores sobre controle, ao mesmo tempo em que garantia o apoio da classe trabalhadora, por incentivar a mobilização popular.
Também foram características desta fase, os movimentos sociais: o de extrema direita, representado pelos integralistas, tendo Plínio Salgado como líder e o de extrema esquerda, representado pelo movimento socialista de Luís Carlos Prestes.
O movimento integralista era de uma forte inspiração fascista, totalitários e adeptos a um partido único. Eram grandes apoiadores do governo Vargas, na esperança de um dia, alcançar o poder. Getúlio Vargas a princípio, mostrou-se simpático ao movimento até o golpe de 1937. Com a instauração do Estado Novo, após 37, os integralistas foram postos na marginalidade. Alguns ainda tentariam, sem sucesso, um golpe. Porém o movimento perdeu força e acabou por se dissolver.
Já o movimento socialista tinha uma abordagem diferente dos integralistas, preferindo o confronto contra o governo. A Aliança Nacional Libertadora tinha o objetivo de formar uma grande frente popular de oposição ao governo de Vargas, lutando por profundas mudanças do país.
A aliança Nacional Libertadora foi combatida pelo governo que colocou os comunistas na ilegalidade. Em resposta, os comunistas organizaram a “intentona”, uma revolta armada que resultou no conflito de 27 de novembro de 1935, com 70 militares mortos só no Rio de Janeiro e outros 33  que foram mortos na calada da noite por militantes comunistas.
Esse fato serviu de pretexto para que Getúlio Vargas criasse o Estado Novo, por meio do golpe de 1937, onde forças policiais fecharam o Congresso, sem nenhuma resistência.
Foi durante o Estado Novo que em 1937, Getúlio apresentou à nação a nova constituição, acabando com os partidos e todos os tipos de organizações civis. Também foram extintas as Assembléias Legislativas e as Câmaras Municipais. Com isso Getúlio amontoava para si, toda a autoridade. Iniciou depois disso um forte sistema de controle ideológico, com a criação do DIP (Departamento de Imprensa e propaganda) que se encarregou em censurar os meios de comunicação e órgãos da imprensa contrários ao Estado Novo.
Uma das primeiras providências do DIP foi transformar os jornais em serviço de utilidade pública, o que obrigava os mesmos a publicarem os comunicados do governo sobre pena de prisão do diretor do jornal. Outra exigência foi o de registro dos jornais e repórteres, muitos jornais acabaram fechando por não conseguirem o tal registro.
Em fevereiro de 1932 ocorreu o fechamento do jornal O Diário Carioca. Em março de 1940 o jornal O Estado de São Pulo chegou a ser invadido pelo DOPS (Departamento da Ordem Política e Social), por fazer oposição ao Estado Novo, sendo fechado e depois confiscado pelo DIP, passando a ser controlado pelo mesmo. Seu proprietário, Júlio de Mesquita Filho, teve que partir para o exílio.
Contudo, vale ressaltar que em um ambiente onde impera o autoritarismo sempre existirão os reacionários. Assim, apesar de toda a repressão, surgiram na época vários jornais que operavam na clandestinidade, como o tablóide carioca Liberdade e os paulistas Folha Dobrada e Resistência, dedicados a denunciar os abusos autoritários do Governo Vargas.
Também era tarefa do DIP: censurar o cinema e o teatro, controlar as atividades recreativas, a radiodifusão e garantir que nenhum tipo de idéia contra o Estado Novo fosse veiculado, bem como também estimular manifestações artísticas que exaltassem o governo ou seu líder.
Todo esse aparato de repressão e controle visava o fortalecimento do Estado e a manutenção de seu poder.
Os processos históricos que levaram ao fim do Estado Novo, iniciaram em 1939, com o início da Segunda Guerra Mundial. Getúlio Vargas sempre fora um admirador do modelo fascista e nazista de governo e quando os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial, houve uma preocupação por parte dos americanos em relação às afinidades do governo brasileiro com a Itália e Alemanha, pois se o Brasil começasse a apoiar os países do Eixo (Itália, Alemanha e Japão), seria uma vantagem estratégica perigosa. Contudo, até então o Brasil assumira uma postura de neutralidade frente aos conflitos.
Tirando vantagem da situação, Getúlio Vargas conseguiu um empréstimo de 20 milhões de dólares para a construção da Usina de Volta Redonda. Era a política da boa vizinhança do presidente Roosevelt em ação, dando incentivos financeiros muito embora possuísse planos de invadir o nordeste brasileiro caso o país insistisse em se manter neutro na guerra.
Vargas por fim, acabou declarando guerra aos países do Eixo por alguns motivos: o bombardeio alemão aos navios brasileiros, em represaria à adesão do Brasil aos compromissos da Carta do Atlântico, pressões populares e pressões diplomáticas norte-americanas.
          Politicamente, a participação brasileira na Segunda Grande Guerra aumentou o prestígio brasileiro no cenário internacional, principalmente frente aos Estados Unidos, mas não conseguiu abafar a tensão de uma ambivalência entre o sentimento de liberdade pós-guerra e um Estado repressor. Ambivalência que foi sentida pelas estruturas do poder varguista e que foi responsável pelo fim do Estado Novo em 1945.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A Participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial

Ambigüidade.
Segundo o dicionário é a qualidade do que é indeterminado, ambivalente, paradoxal.
Se pudéssemos personalizar o conceito, talvez seu nome fosse Getúlio Vargas. Para entender o porquê, vamos analisar o contexto histórico em que ele viveu:
Getúlio Dorneles Vargas nasceu em 1882 no município de São Borja, estado do Rio Grande do Sul. No início do século XX, época em que Vargas trabalhava como promotor público, difundia-se em seu estado o castilhismo, corrente política de cunho autoritário cuja influência ajuda a explicar a posterior admiração de Vargas pelas formas de governo da Alemanha (nazista) e Itália (fascista)
A crise financeira de 1929 contribuiu para que o liberalismo fosse questionado e fortaleceu a ideologia autoritária, a crença em um Estado forte e todo ideário nacionalista que caracterizou não apenas o Brasil, mas também países europeus.
Quando instaurou o Estado Novo em 1937, Getúlio Vargas optou pela criação de um Estado forte e de profunda inspiração no modelo fascista, tanto que não hesitou em extraditar para Alemanha a militante de origens judaicas, Olga Benário, que morreu executada no campo de extermínio de Bernburg.
Quando os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial, houve uma preocupação por parte dos americanos em relação às afinidades do governo brasileiro com a Itália e Alemanha, pois se o Brasil começasse a apoiar os países do Eixo (Itália, Alemanha e Japão), seria uma vantagem estratégica perigosa. Contudo, até então o Brasil assumira uma postura de neutralidade frente aos conflitos.
Tirando vantagem da situação, Getúlio Vargas conseguiu um empréstimo de 20 milhões de dólares para a construção da Usina de Volta Redonda. Era a política da boa vizinhança do presidente Roosevelt em ação, dando incentivos financeiros muito embora possuísse planos de invadir o nordeste brasileiro caso o país insistisse em se manter neutro na guerra.
Vargas por fim, acabou declarando guerra aos países do Eixo por alguns motivos: o bombardeio alemão aos navios brasileiros, em represaria à adesão do Brasil aos compromissos da Carta do Atlântico, pressões populares e pressões diplomáticas norte-americanas.
Daí a ambigüidade: por um lado temos o combate à forma autoritária de governo, sendo que no próprio solo mantinha-se uma forma de governo autoritária. Politicamente, a participação brasileira na Segunda Grande Guerra aumentou o prestígio brasileiro no cenário internacional, principalmente frente aos Estados Unidos, mas não conseguiu abafar a tensão de uma ambivalência entre o sentimento de liberdade pós-guerra e um Estado repressor. Ambivalência que foi sentida pelas estruturas do poder varguista e que foi responsável pelo fim do Estado Novo em 1945.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

O autoritarismo como marca na história política brasileira

“O Homem é um Animal Político”

                                                     Aristóteles

A política, segundo o significado da palavra que advém do grego, são ações relativas ao Estado ou a Nação. A necessidade de atos de organização, administração e direção do Estado pressupõe em tese, uma conjuntura de injustiça social a ser sanada por atos políticos.
A maneira como o Estado se organiza para exercer sua autoridade sobre a sociedade em que atua é denominada pela ciência política de forma de governo, ou sistema político.
O autoritarismo é uma forma de governo que privilegia a autoridade do Estado, onde os legisladores não são escolhidos pelo povo, como acontece em uma democracia. Nesta forma de governo, um indivíduo ou instituição excede suas funções para exercer uma autoridade que não lhe é ordinária.
Em várias fases de sua história o Brasil experimentou atos de autoritarismo. No primeiro reinado, por exemplo, D. Pedro I usou as forças armadas para suprimir a constituinte que intencionava diminuir seu poder, prendeu opositores, fechou jornais, e não admitia nenhum tipo de crítica.
Na Primeira República eclode durante o governo de Floriano Peixoto  a Revolução federalista no Rio Grande do Sul, motivada pelas atitudes autoritárias do presidente do Estado, Julio de Castilhos.
O primeiro teórico do autoritarismo brasileiro foi Alberto Torres (1866-1917), cujas idéias nacionalistas inspirariam o movimento tenentista e o Movimento Integralista.
Contudo, o período em que o autoritarismo mais atuou, deixando sua perene marca na política brasileira, sem dúvida foi durante o Estado Novo (1937-1945), sob comando de Getúlio Vargas.
Foi durante o Estado Novo que em 1937, Getúlio apresentou à nação a nova constituição, acabando com os partidos e todos os tipos de organizações civis. Também foram extintas as Assembléias Legislativas e as Câmaras Municipais. Com isso Getúlio amontoava para si toda a autoridade. Iniciou depois disso um forte sistema de controle ideológico, com a criação do  DIP (Departamento de Imprensa e propaganda) que se encarregou em censurar os meios de comunicação e órgãos da imprensa contrários ao Estado Novo.
Uma das primeiras providências do DIP foi transformar os jornais em serviço de utilidade pública, o que obrigava os mesmos a publicarem comunicados do governo sobre pena de prisão do diretor do jornal. Outra exigência foi o de registro dos jornais e repórteres, muitos jornais acabaram fechando por não conseguirem o tal registro.
Em fevereiro de 1932 ocorreu o fechamento do jornal O Diário Carioca. Em março de 1940 o jornal O Estado de São Pulo chegou a ser invadido pelo DOPS (Departamento da Ordem Política e Social), por fazer oposição ao Estado Novo, sendo fechado e depois confiscado pelo DIP, passando a ser controlado pelo mesmo. Seu proprietário, Júlio de Mesquita Filho, teve que partir para o exílio.
Contudo, vale ressaltar que em um ambiente onde impera o autoritarismo sempre existirão os reacionários. Assim, apesar de toda a repressão, surgiram na época vários jornais que operavam na clandestinidade como o tablóide carioca Liberdade e os paulistas Folha Dobrada e Resistência, dedicados a denunciar os abusos autoritários do Governo Vargas.
Também era tarefa do DIP: censurar o cinema, teatro, controlar as atividades recreativas, a radiodifusão, para garantir que nenhum tipo de idéia contra o Estado Novo fosse veiculado, bem como também estimular manifestações artísticas que exaltasse o governo ou seu líder.
Todo esse aparato de repressão e controle visava o fortalecimento do Estado e a manutenção do poder de Vargas.
Após a era Vargas o país ainda iria passar por outros períodos autoritários, tendo os mecanismos de censura ampliados após o golpe de 64, com a instauração do AI 5.
Atualmente o autoritarismo continua vigente, ainda que mascarado. Foi o que se percebeu durante o Governo Lula, impondo sua candidata ao partido, sugerindo a extinção do partido de oposição, o DEM, e fazendo campanha contra a imprensa.
Uma ditadura não se apronta da noite para o dia, mas leva tempo. O governo Lula foi um governo de transição. Sua missão foi eliminar a oposição ideológica, dissolvendo as diferenças entre a esquerda e a direita. Assim, o terreno fica preparado para que a sua sucessora, Dilma, conclua o plano muito bem elaborado que fará o autoritarismo, mais uma vez, deixar suas marcas na política brasileira.

sábado, 31 de março de 2012

A origem do pensamento humano.

O homem.  Espécie singular.
Desprovido dos mesmos recursos que garantiram a sobrevivência de outros seres, como força bruta, presas poderosas, rapidez e agilidade, tornou-se quase um ser extinto em determinada época de sua história. De fato, de todas as espécies do gênero, somente o Homo Sapiens sobreviveu. Suplantou com a razão os que lhe eram superiores em força bruta, subjugando-os e se estabeleceu como uma espécie dominante.
Acreditamos que não caiba neste trabalho especular sobre os propósitos envolvidos nesta  radical mudança de condição inferior para superior. Assim, deixaremos o tema em aberto para a teleologia, nos concentrando na questão histórica e filosófica deste evento que mudou a história do planeta Terra.
A antropologia biológica é a ciência que estuda a evolução física do homem. É ela que investiga as origens do ser humano moderno e de seus antepassados. Uma corrente de estudiosos desta área postula que o desenvolvimento da razão humana está ligado a uma dieta rica em ácidos gordos Omega 3, que promoveu o desenvolvimento do cérebro e dos processos cognitivos que governam a razão.
Algumas perguntas pertinentes seriam quando e de que forma isso se deu.
É impressionante, por falta de expressão que melhor se adéqüe, observar as pinturas da caverna de Altamira, na Espanha, e por elas constatar que somos tão inteligentes quanto os homens do período Neolítico. Já naquele período os habitantes da caverna possuíam intelecto suficiente para construir figuras com tal nível de sofisticação que levou Picasso a exclamar: “Não inventamos nada!”.
Se o homem do Neolítico nada deve aos modernos em termos de capacidade cognitiva, é razoável concluir que já naquela época o homem possuía crenças e valores que lhe ajudavam a sobreviver: regras de como se relacionar com outros homens, com sua família, com a natureza, entre outros.
Pela experiência foram aprendendo a melhor forma de lidar com os problemas do dia-a-dia, transmitindo o conhecimento acumulado para gerações futuras. Envolto numa aura pragmática, essa primeira forma do conhecer e do saber, acompanhando o galope do tempo, assumiu formas mais complexas e elaboradas.
Este ser humano sobrevivente, pensante e criador, mergulhado na escuridão da caverna que lhe dava proteção, como uma encarnação do mitológico ensino platônico, ousou avançar além do mundo que lhe circulava, alcançando um novo patamar de pensamento.
Abandonou a caverna do pragmatismo e contemplou com a sua recém nascida razão, o universo que pra ele se exibia, misterioso, magnífico, perene.
Fora da caverna, olhou para o sol que iluminava seu caminho e para o fogo que ele próprio, homem, produzira, usando-o para muitas atividades.
Olhou para as árvores, para as montanhas, para o mar. E olhou para a ferramenta que tinha em suas mãos e para as armas que carregava. Percebeu que ele, homem, era um criador. 
Percebeu que, assim como ele trouxera à existência muitas coisas que lhe ajudavam no seu dia-a-dia, também havia o sol, a lua, as estrelas, as montanhas, as árvores, o vento, em fim, o mundo fora da caverna. Ponderou, com sua razão, a possível existência de outro criador além dele próprio, e como eram grandiosas essas criações! Grandioso também teria que ser esse Criador! Tão grandioso deveria ser, que a ele foi creditado coisas como a chuva lhe fornecendo a água necessária para a sobrevivência, as plantas que o alimentava, e todos os demais aspectos da natureza. Tão grandioso deveria ser esse criador, que ele deveria ser o motivo da própria existência deste homem, afinal ele próprio, homem, era capaz de se juntar a outro ser humano e criar a vida.
Agora esse humano podia desconfiar de que os períodos escassos que lhe ameaçavam a vida poderiam ser devido a algo que, talvez, tivesse aborrecido a este grande criador, pois o homem assim procedia quando outro lhe aborrecia: impunha-lhe restrições. 
Diante disto, este homem buscou maneiras de agradar ao grandioso criador, de se reconciliar com ele, como este mesmo homem fazia quando precisava se reconciliar com algum outro, em troca da sobrevivência.
O problema era como: como achar esse criador? Quem era ele? Onde habitava?
Para alguns, pareceu óbvio que o criador tinha que ser visível, como o Sol e a Lua, tão magnificamente habitando o céu. Sim, talvez eles mesmos, Sol e Lua, fossem os criadores que tanto buscavam. Trataram, então, de estabelecer formas de se religar, reconciliar com seus criadores.
Para outros o criador, ou criadores, poderiam ser certos animais misteriosos e imponentes.
Outros sonhavam. E pelo sonho constatavam que o criador lhes falava. Construíam estátuas, ou realizavam pinturas em suas cavernas representando a mensagem do criador.
Cada grupo criou sua forma de se relacionar com seus criadores. Nasciam os primeiros cultos, dogmas que serviriam mais tarde como ferramenta de unificação dos grupos.
Diante disto outra pergunta se faz necessária: seriam as crenças humanas verdades em si mesmas ou apenas formas de garantir a sobrevivência? Eis aqui, uma pergunta crucial.
Para a evolução a verdade é tudo o que possibilita a sobrevivência. Ela não se importa se algo é verdadeiro em si mesmo ou não, bastando que ela promova perpetuação das espécies.
Desta forma alguém pode acreditar, por exemplo, que as chamas de um incêndio na floresta podem causar queimaduras suficientes para matar, ou irão apenas fazer cócegas que incomodarão muito!
Contanto que a pessoa saia de lá e viva, para a evolução ambas as afirmações são verdadeiras.
Deveria, pois, o homem bradar a todo fôlego sobre verdade essencial das coisas? Voltar para caverna e anunciar aos que ainda estão lá, sobre tudo o vira do lado de fora? Ou deveria calar-se, aceitando que a “verdade” nada mais é do que uma ilusão, e o que importa nesta vida é continuar existindo custe o que custar?
Se o que define o certo e errado são as convenções humanas: humanos se juntam, decidem o que é necessário para o bem estar da comunidade e transmitem esses valores para as gerações futuras, as implicações disso são, no mínimo, perturbadoras.
O que há de perturbador? Pra começar, a simples possibilidade de existirem sociedades que por convenções sociais, chegaram a uma conclusão diferente das demais. Se os valores morais, por exemplo, dependem das convenções sociais e essas estão ligadas a outros fatores, como meio ambientes condições climáticas, dentre outros, então é correto afirmar que esses mesmos valores morais se desenvolverão de uma forma diferente de sociedade para sociedade.
Se todas as crenças humanas são frutos de uma evolução biológica, frases como “Matar crianças é errado” ou “Estupro é uma coisa má”, são apenas ilusórias. São sentenças que simbolizam uma evolução do pensamento humano, com o intuito de preservar a espécie. Não são verdades em si mesmas.
Claro que ninguém em sã consciência, provido de uma boa capacidade racional, concordaria com a sentença: “Estuprar é certo”.  E nos parece estranho que a crença na proposição de que “o estupro é uma coisa má” depende de meras convenções sociais, atreladas a uma série de fatores ambientais, pois se assim for, existiriam situações onde tal atitude seria não somente justificável como defensável. Contudo, parece haver um consenso na proposição “o estupro é uma coisa má”, independente das opiniões, convenções ou condições ambientais.
A maioria dos seres humanos parece pronta a concordar no fato de que mesmo se todo o mundo começar a pensar que o estupro é certo, ainda assim ele seria errado. Ele é errado independe de qualquer opinião ou contexto.
Sendo assim, parece-nos fácil afirmar que tal proposição já era errada, mesmo antes dos primeiros seres humanos começarem a sua jornada na Terra. E se já era errado, temos então uma lei moral que independe das opiniões humanas e que já existia antes da mente humana vir à existência. Esse seria um dos componentes da Verdade. Não aquela “verdade” submissa ao contexto social de cada um, mas algo muito superior, tão desesperadamente procurada, tão incansavelmente desejada e cujo vínculo com ela, desde sempre o homem procura religar. Até agora, parece que ninguém conseguiu.
Porém, durante a sua trajetória, por entre as eras, o ser humano ainda continua tentando. Se algum dia alguém conseguir, esperamos que ele tenha a coragem de voltar para a caverna e nos avisar. E que nós tenhamos a prudência de ouvi-lo sem jamais condená-lo.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Em um debate com um amigo sobre o casamento homossexual II

Eu apresentei 3 argumentos para apoiar a idéia de em que o Estado pode sim, interferir na vida das pessoas em vários aspectos, inclusive a sexual:
1)      A própria legislação sobre a família, que já pressupõe um controle do Estado sobre ela.
2)      A possibilidade de a mulher poder pedir a anulação do casamento, nas condições em que eu me referi o que, denota um envolvimento do Estado também questões sexuais.
3)      Os processos movidos contra esposas que se recusam a praticar sexo com o marido, que podem ser lidos facilmente pela internet.
Você argumentou que no caso 2, o mesmo pode acontecer com os homossexuais e que á fácil de provar. Mas isso é irrelevante! A questão é o envolvimento do Estado na vida sexual das pessoas. E se isso acontece como já provado, no caso de união homossexual não há papéis sexuais definidos, o que vai acarretar na necessidade das mudanças das leis. E se isso acontecer, ou eles mudam pra todo mundo, o que é improvável, ou eles criam leis que beneficiem só os gays, o que vai gerar conflito. 
 Além disso, não é a impossibilidade de provar uma situação que impede o divórcio, ou a anulação, bastando que uma das partes elucide o que a fez tomar essa decisão.  Baseado nas alegações das partes o juiz poderá entender, ou não, que o casamento é insuportável em tais condições. Por si só, já houve neste processo um aprofundamento nos motivos da separação. Em alguns casos isso não é necessário, mas em muitos casos mais complicados, como já foi demonstrado, isso foi necessário. Existem casos, onde o Estado determinou uma indenização do marido para a esposa, por este a ter a traído virtualmente! Se isso não for intromissão do Estado, então não sei mais o que é!
Realmente os mecanismos de defesa (contratos) não são totalmente eficazes e usei como prova de meu argumento, os recorrentes casos de pessoas que foram lesadas desta forma. A questão aqui não é acabar com os casamentos, mas questiono se o casamento homossexual é a melhor solução para o problema deles. A meu ver, não é, pois se os casamentos heteros já são expostos a esse tipo de problema, os homos estarão muito mais expostos a isso, pelos motivos que já declarei.
A criação de leis especiais para gays realmente não está em pauta, mas em minha opinião, isso será inevitável quando eles perceberem que a união gay está mais exposta a fraudes do que a hetero.
Eu nunca disse que o problema está na quantidade de leis pra um e pra outro, mas em leis que BENEFICIAM mais a um do que a outros. Pois para impedir, por exemplo, que uma pessoa sexualmente diferenciada seja lesada, terão que criar uma lei específica para gays, dar um tratamento diferenciado, simplesmente por ele ser gay. Ora, isso quer dizer que a opção sexual de uma pessoa é peso pra dar vantagens um grupo e a outro não? E antes que você me responda que os heteros têm mais direitos civis sobre os homos por poderem casar, eu te respondo que o casamento nunca foi uma instituição civil, mas uma tradição religiosa e cultural que o Estado tem sido obrigado a reconhecer e respeitar. Logo, o direito não é por serem heteros, mas sim por uma questão cultural e religiosa que foi oficializada pelo Estado
Agora, se os casados legalmente têm benefícios que os demais não tem, é outra questão que deve ser analisada com muita atenção e, se alguma medida for necessária para mudar essa situação, deve ser uma medida que abranja tantos casais homos, quanto heteros que não são legalmente casados. Um não pode ser beneficiado mais que o outro por sua preferência sexual. E, em minha humilde opinião, não existe como fazer isso, sem causar um reboliço jurídico.

Engana-se quem acha que o casamento gay é a resposta para o problema deles, antes é uma verdadeira bomba relógio, propensa em explodir com uma enorme reação anti-gay, como aconteceu nos EUA com os negros, pós guerra de secessão. E se você pensa que isso é opinião de religioso, engana-se. Existem muitos ativistas gays, ligados a esquerda, que também entendem que o casamento gay mais vai atrapalhar do que ajudar pelos mesmos motivos que eu estou declarando.
Você me pergunta qual a solução. Eu te repondo que não há solução para essa questão. Acredito que devem ser aprovadas leis contra a discriminação. Mas acredito que os gays nunca poderão ser tratados com completa justiça, assim como os negros, pobres, gordos, anões, feios, carecas, albinos, banguelos, professores de história, etc. Sociedade justa não existe e nem nunca existirá. As piores merdas do mundo foram feitas por pessoas que tentaram concertar o mundo. O que podemos fazer é minimizar as mazelas, até onde o bom senso nos permitir.
É isso.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Em um debate com um amigo, sobre o casamento homossexual

Existe uma coisa chamada Direito Familiar, que é uma legislação que regula a estrutura, organização e proteção da família. A própria existência desta legislação já arroga um controle do Estado sobre o que a pessoa pode falar olhar, pensar e o caralho a quatro.
Dentro do direito familiar existe um dispositivo que permite a anulação do casamento em certos casos, por exemplo: se a esposa descobrir, depois do casamento, que o marido é impotente, pois o marido escondeu isso dela durante o namoro e noivado, o juiz pode anular o casamento alegando que isso torna a vida conjugal insuportável.
E se você pensa que o Estado não se envolve nas questões sexuais, ledo engano, amigo! Basta uma simples pesquisa na net pra você achar relatórios muito bem detalhados de processos movidos entre cônjuges, pedindo anulação de casamento por falta de sexo!
Bem sabemos que em casamentos heteros,  também ocorrem casos em que um quer passar a perna no outro. Também é claro que existem contratos que defendem as pessoas neste caso, contudo, sabemos que os golpes do baú são recorrentes! Existem acordos pré-nupciais com aquela famosa letra miúda do final que ninguém lê. E se esse tipo de coisa é normal em casamentos heteros, eu defendo que nos casos de casamentos homo, isso vai ser triplicado! Porque?
Um homem pode alegar que a mulher não quer dar pra ele e uma mulher pode alegar que o homem não quer come-la, mas nenhum homem pode alegar que a mulher não quer comer o homem, porque isso é fisiologicamente impossível! Agora no caso do homossexual, não existe esta restrição.
Por isso eu repito: se no caso hetero, já existe um problema relacionado a isso, no caso do homo, vai triplicar. Não adianta falar que o Estado não interfere nisso, porque no Direito Familiar essa situação está muito bem regulamentada. Pode conferir.   E também não adianta falar que existem tipos de contratos que protegem, porque sabemos que mesmo com a existência deles, eles não garantem nada! O golpe do casamento é mais recorrente do que o programa do chaves!
Eles terão que criar leis para beneficiar os gays e pra isso, vão ter que transformar direitos sexuais em direitos civis. Isso irá levantar à seguinte pergunta: se o homossexual pode, porque o heterossexual não pode?  Irão criar uma classe acima de qualquer crítica e com privilégios acima dos da maioria e vão desencadear uma guerra jurídica que vai repercutir em outras áreas, com certeza.  E que ninguém me acuse de ser homofóbico, pois estou aqui alertando pra uma condição que será prejudicial para os próprios homossexuais. Lembra quando após a guerra da secessão fizeram um monte de emendas beneficiando os negros? Lembra o que aconteceu? Nasceu a Klu Klux Klan e outros movimentos racistas que massacraram os negros. Estão querendo cometer o mesmo erro! Não aprendemos nada com a história! Existe a maneira certa e a maneira errada de fazer as coisas. E digo que estamos fazendo da forma errada! E digo mais: as autoridades que defendem essa lei, sabem muito bem disso e é isso mesmo o que eles querem, querem ver o circo pegar fogo!
Acredito que independente da opção sexual, cor da pele e sexo, todos devemos ter os mesmos direitos civis. Mas você não pode, por causa da opção sexual de alguém, privilegiá-lo criando leis que coloquem o sujeito acima da maioria! Isso não da certo, isso da guerra!
Sobre a fraude, é claro que não existe hoje uma forma de se beneficiar comercialmente dessa forma, em um casamento. Mas com a aprovação do casamento gay, isso com certeza irá acontecer. Qualquer agrupamento de homens que se juntem para uma atividade comercial, poderá se declarar gay e entrar na categoria de família para não ter que arcar com todas as obrigações de uma entidade comercial.